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diferentes, mas nem tanto

Que lugar é mais sexista: Oriente Médio ou Brasil?

Enquanto no Oriente Médio as mulheres são impedidas de ter contato com o sexo oposto, no Brasil elas são vistas como objetos sexuais

Que lugar é mais sexista: Oriente Médio ou Brasil?
Apesar das diferenças, os dois tipos de mulheres estão ligados pelo sexismo (Reprodução/Getty)

Uma mulher coberta com um véu islâmico que deixa apenas os olhos à mostra. Outra, seminua, veste uma minúscula fantasia de Carnaval. As cenas fazem referência a mulheres de duas regiões distintas: Oriente Médio e América Latina.

A princípio, as imagens parecem totalmente opostas. Sociedades ocidentais costumam interpretar o véu islâmico como uma forma de opressão à mulher, enquanto o biquini é visto como símbolo da liberdade feminina. Mas um artigo publicado no site da National Public Radio (NPR) nesta segunda-feira, 17, sugere que os dois tipos de mulheres estão ligados pelo sexismo.

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Por ter trabalhado como correspondente em Bagdá e no Cairo durante muitos anos, a jornalista Lourdes Garcia-Navarro, autora do artigo, diz que sempre se vestiu de forma pouco chamativa e recatada. Ao ser transferida para o Brasil, Lourdes teve uma clara visão de como o Oriente Médio e a América Latina impõem regras rígidas sobre suas mulheres, ditando como elas devem se comportar e como devem ser tratadas e percebidas.

“Eu estava assistindo a cobertura do desfile de Carnaval, quando apareceu uma mulher na televisão completamente nua. Era a ‘Globeleza’, símbolo da cobertura carnavalesca da rede Globo”, disse Lourdes. A correspondente também citou um concurso televisivo de passistas, em que as participantes, todas negras, eram julgadas por um grupo de brancos pela forma da dançar e por suas medidas corporais. “Quando uma das participantes disse que estudava para trabalhar no setor de óleo e gás da maior petroquímica do país, o jurado se mostrou surpreso”, disse Lourdes.

Quando a liberdade vira uma gaiola

De acordo com a correspondente, o Brasil é um dos lugares mais perigosos do mundo para ser mulher. Lourdes cita a estatística vergonhosa que mostra o país com a sétima maior taxa mundial de homicídios de mulheres. No Brasil, diz a correspondente, uma mulher é assassinada a cada duas horas.

Segundo a historiadora e socióloga Rosana Schwartz, sexo e violência não são novidade no Brasil. “As mulheres escravas eram usadas para iniciar e satisfazer sexualmente os filhos de seus senhores. Por terem sido usadas durante tanto tempo como objetos sexuais, as mulheres brasileiras ainda são vistas de forma sexista”, diz Rosana. Para Lourdes, atualmente, esse legado sexista afeta brasileiras de todas as raças e classes sociais.

Enquanto no Oriente Médio, as mulheres são escondidas e impedidas de ter contato com o sexo oposto, no Brasil as mulheres são forçadas a se enquadrar em um padrão de beleza. Existe uma enorme ênfase dada à aparência das mulheres brasileiras, que perdem apenas para as americanas em número de cirurgias plásticas. A maioria das meninas em fase escolar sonha em ser modelo, enquanto os meninos querem ser Neymar.

Recentemente, após duras críticas do governo e da população, a Adidas teve de retirar do mercado duas camisetas comemorativas da Copa que faziam referências machistas à mulher brasileira. Mas após analisar profundamente a percepção que os próprios brasileiros têm das mulheres do país, percebe-se que as críticas beiram à hipocrisia.

Ao final do artigo, Lourdes conclui que, para as mulheres, o excesso de liberdade é apenas uma gaiola disfarçada.

Fontes:
NBR-Which Place Is More Sexist: The Middle East Or Latin America?

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4 Opiniões

  1. Luis Barati Silva disse:

    A dominação se completa, quando o dominado aceita o estereótipo. Quando o Don João chegou, os portugueses “fizeram a festa”. E os estrangeiros continuam até hoje a se refestelar nas mulheres cariocas. Ou alguém acredita que a maioria vem lá do primeiro mundo para passear de bondinho. A mulher brasileira é a mais “bonita” do mundo.

  2. zoraide disse:

    E triste ver a mulher brasileira ser classificada como promíscua … Mas essa é uma visão estereotipada e generalizada que parece ser divulgada em todos os países… Infelizmente nós mulheres brasileiras é quem pagamos essa conta…

  3. Adriana disse:

    Não concordei com esse artigo. A Lourdes que fez a pesquisa considerando tudo o que ela sempre aprendeu de lá com conceitos diferentes da nossa cultura. O que é natural. Eu não critico o fato das mulheres do Oriente Médio seguirem seus conceitos e crenças e ela também deveria respeitar os nossos. Pais quente é pais de povo PELADO e bonito sim!

  4. Jorge Christian Rodrigues Cunha disse:

    Concordo com as colocações do texto. Mas é preciso lembrar que as próprias mulheres brasileiras contribuíram muito para a imagem que adquiriram. Machismo meu? Nada disso. Posso provar. Basta ver o enorme número de brasileiras casadas com portugueses, espanhóis, franceses, italianos, alemães, etc., etc. Com que frequência vemos brasileiras casadas com imigrantes haitianos, bolivianos, africanos, chineses? Não haveria nisso uma busca pelo facilitismo de ascender economicamente pela via mais rápida, a do casamento? Infelizmente, muitas brasileiras veem o casamento como uma forma de alpinismo social, como um emprego que não exige qualificações intelectuais, apenas atributos físicos. O machismo nacional, por sua vez, só pode ser definido como uma lepra cultural. O próprio texto diz que as mulheres negras eram requisitadas para iniciar e satisfazer sexualmente os filhos dos senhores. Sei disso. Sou aluno de História. Mas quantos desses senhores aceitariam que sua filha se casasse com um negro? Democracia racial? Só nos delírios de Gilberto Freyre…

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