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CRISE POLÍTICA

A queda do Império Romano do Ocidente

Nosso país parece estar ruindo como a grande civilização romana

A queda do Império Romano do Ocidente
A queda do Império Romano do Ocidente teve outros motivos que não se prestam a comparações com o atual desengano do Império do PT (Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR)

Desde que entramos neste período sinistro da história do Brasil, não me sai da cabeça a queda do Império Romano do Ocidente. Aceitarei de bom grado qualquer argumentação contra as analogias que vou fazer, pois não sou perita em história da Antiguidade. Fui portanto ao professor internet para me certificar de que havia algum fundamento na minha comparação. Assim, à primeira vista, me parece que o nosso país está ruindo como a grande civilização romana. E que muitos dos fatores que levaram a seu triste destino têm seus correspondentes na tragédia que estamos vivendo.

A primeira razão normalmente citada para a falência de Roma é a invasão dos bárbaros. As invasões, deveria dizer, pois Roma teve que lutar contra vários grupos, entre os quais os Godos, os Visigodos e os Vândalos. Se o Brasil não foi atacado de fora, nem precisou combater tribos estrangeiras, me parece ainda mais lamentável verificar que a invasão foi endógena, e que os vândalos estavam há muito tempo entre nós, trabalhando em silêncio contra os interesses da nação e de seu povo (nós!). Diferentemente dos grupos que invadiram Roma, entretanto, os nossos vândalos não saíram vitoriosos, já que foram pilhados com a mão na combuca, e forçados a confessar seus delitos. Ponto para nós.

Outra razão são os problemas econômicos e de mão de obra. Roma enfrentou uma grave crise financeira, devido às guerras (motivo que não podemos invocar), a uma dívida pública insustentável, ao excesso de gastos dos governantes, a uma tributação extorsiva que levava a uma considerável evasão fiscal e a uma inflação de graves proporções. Esse refrão soa familiar? O abismo social era profundo e a falta de mão de obra qualificada levava ao abuso da mão de obra escrava. Nisso, nada a ver com o Brasil. Será mesmo? As diferenças sociais e os péssimos indicadores também existem entre nós, e se não há propriamente mão de obra escrava, há uma boa parte da população obrigada a viver com salários reduzidos, até abaixo do salário mínimo que já é minguado. O comércio e a agricultura se deterioraram e a concorrência de outras partes do mundo e a pirataria – no nosso caso o contrabando, a lavagem de dinheiro  e a evasão  fiscal – afetaram sensivelmente o comércio exterior e toda a atividade econômica.

A ascensão do Império do Oriente é mais uma causa citada pelos historiadores. Aqui vou fazer uma ligeira distorção pois o que chamaria de concorrência do Leste não tem nada a ver com o que se passou em Roma. Mas o título tem. A China, a Coreia e o Japão nos fizeram reféns de sua extraordinária capacidade de trabalho e de imitação e sua grande disciplina. Se hoje também enfrentam problemas, o mal está feito e conseguiram deixar sua trilha na nossa economia. Tampouco encontro analogia para o imperialismo e o excesso de gastos militares, isso é apanágio de nossos vizinhos do Norte.

Mas entremos no que parece ser a maior semelhança entre os dois fenômenos, o da antiguidade em Roma e o do Brasil de hoje. Falo da corrupção e da instabilidade política.  Tal qual nossas instituições legislativas, o Senado romano apodreceu e  demonstrou imensa incompetência. Tal qual nossas grandes estatais e empresas, cederam à tentação da corrupção, do dinheiro fácil, do descaramento. Aqui, felizmente, parece que foram descobertos, mas os danos são praticamente irreversíveis, ou pelo menos comprometem todo um estágio de crescimento  e atrasam o bem-estar de toda uma geração.

A única instituição que se salva no Brasil, o Judiciário, no qual depositamos agora todas nossas esperanças, encontra não só analogia, como também suas raízes, na grande organização do direito romano, que sobreviveu no Império do Oriente e que está na base de todos os sistemas judiciários vigentes hoje no mundo ocidental.

A queda do Império Romano do Ocidente teve outros motivos que não se prestam a comparações com o atual desengano do Império do PT. A esperança que se pode ter é de que o Brasil, contrariamente ao grande império da Antiguidade, possa renascer das cinzas e que seja num futuro não tão remoto, para que minha geração, a dos baby boomers, possa testemunhar a limpeza das instituições, o fim da corrupção, a retomada da economia e uma arrancada não demagógica para a igualdade social.

 

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5 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Penso, junto com alguns estudiosos, que o império caiu porque os lideres eram malucos. As tirinhas do Asterix mostram que os gauleses achavam os romanos loucos. A elite romana era praticante de incesto e isso fez surgir várias gerações de pessoas com problemas mentais.
    O caso brasileiro é só burrice mesmo.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Se alguém quiser entender o Império Romano em duzentas páginas basta ler o excelente trabalho do russo emigrado Rostovtzeff, na minha opinião um grande historiador porque soube fazer as perguntas certas e encaminhar as respostas adequadas. Na história o bom analista é aquele que sabe encarar os fatos e relacioná-los com a sociedade em vez de ficar no papel de historiador de porta de palácio. Não acho que a comparação do Brasil com a Roma antiga seja pertinente porque nunca fomos uma grande potência, uma vez que a cada trinta anos o grupo dirigente se encarrega de empobrecer o país com uma sucessão incontrolável de pilhagens patrocinadas pelo modelo político. Enquanto a política for uma representação do Estado travestida de representação do povo nada vai mudar, pois basta 2% do Orçamento ser canalizado para a esmola eleitoral que um grupo político inescrupuloso sempre vai se apossar do poder.

  3. Eleutério Gouveia Sousa disse:

    “A única instituição que se salva no Brasil, o Judiciário, no qual depositamos agora todas nossas esperanças, encontra não só analogia, como também suas raízes, na grande organização do direito romano, que sobreviveu no Império do Oriente e que está na base de todos os sistemas judiciários vigentes hoje no mundo ocidental.” será? Há muito tempo que o judiciário está doente, também!

  4. Vlad disse:

    Citar o judiciário como a instituição exemplo , é no mínimo ingenuidade .

  5. André Vinícius Vieites disse:

    O processo das invasões bárbaras foi de grande importância para que o Império Romano e seu conjunto de valores e tradições passassem por um processo de junção com a cultura germânica. Dessa maneira, a Idade Média, além de ser inaugurada pelo estabelecimento dos reinos bárbaros, também ficou marcada pela mistura de instituições e costumes de origem romana e germânica.
    Os Povos Bárbaros
    Para os romanos “bárbaro” era todo aquele que vivia além das fronteiras do Império Romano e, portanto, não possuía a cultura romana.

    Fonte: mundovestibular.com.br

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