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O HOMEM EM TODAS AS FOTOS

Quem é Magno Malta?

Considerado um dos mais ferrenhos aliados de Bolsonaro, Malta coleciona alianças políticas e já apoiou os governos Lula, Dilma e Temer

Quem é Magno Malta?
Malta já foi chamado de ‘irmão eterno’ por Bolsonaro (Foto: Instagram/@MagnoMalta)

O senador Magno Malta (PR-ES) tem sido uma figura constante ao lado de Jair Bolsonaro. Não são poucas as vezes em que ele aparece ao lado do presidente eleito, seja em declarações ou em mensagens gravadas.

Nas redes sociais, onde foi um dos mais ferrenhos apoiadores da campanha de Bolsonaro, Malta – que integra a bancada evangélica – faz questão de destacar sua ligação com o presidente eleito. Em uma das postagens, antes da votação de segundo turno, Malta já se refere a Bolsonaro como “presidente”. Somado a isso, estão um rol de postagens com vídeos do presidente eleito.

(Foto: Twitter)

(Foto: Twitter)

Na noite em que Bolsonaro foi eleito, Malta apareceu ao seu lado, recitando uma fervorosa oração. “Começamos esta jornada orando. Os tentáculos da esquerda jamais seriam arrancados sem a mão de Deus. A Tua palavra diz que quem unge a autoridade é Deus. E o Senhor ungiu Jair Bolsonaro”, disse Malta diante das câmeras, segundo noticiou o portal GaúchaZH.

Malta e Bolsonaro são aliados de longa data, desde a década de 1990, quando eram deputados em início de carreira, com agendas políticas conservadoras e similares. Nos últimos dois anos, ele se aproximou ainda mais de Bolsonaro. Essa ligação é comprovada pela próprio presidente eleito, que chama Malta de “eterno irmão” em um vídeo e garante que ele estará em seu governo. “Do fundo do meu coração, meu agradecimento a Magno Malta, estará conosco, sim, no Palácio do Planalto, afinal de contas é um grande homem, um grande valor e tem muito a dar a essa pátria”, diz Bolsonaro, em um vídeo reproduzido em uma matéria da Folha de S. Paulo.

O próprio Malta é taxativo em relação a sua participação no governo Bolsonaro. “Vou ser ministro, sim. […] Onde eu estiver, eu estarei perto dele [Bolsonaro]. Ele vai anunciar”, disse Malta, ao jornal Globo, após ser questionado sobre sua eventual participação no governo Bolsonaro.

No entanto, o alinhamento de Malta ao governo Bolsonaro não é por pura e simples amizade. Na verdade, Malta está cumprindo uma tradição antiga de sua carreira política: aliar-se a quem está no poder, independentemente do perfil ideológico.

Magno Malta iniciou sua carreira política em 1993, como vereador na cidade de Cachoeiro do Itapemirim (ES). Posteriormente, ele foi eleito deputado estadual, em 1994, e deputado federal, em 1998. Nas eleições de 2002, se elegeu senador. Em sua carreira política, ele passou pelo  Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Liberal (PL), Movimento Democrático Brasileiro (MDB),  Partido Social Trabalhista (PST) até chegar a sua legenda atual, o Partido Republicano (PR).

(Foto: Twitter)

(Foto: Twitter)

Em sua trajetória política, Malta foi apoiador dos governos Lula e Dilma Rousseff. Durante a campanha de Dilma em 2010, ele fez, no Espírito Santo, um acirrado discurso no qual elogiou a gestão de Lula e pediu votos para a ex-presidente.

Em 2011, Malta se opôs veementemente à decisão de seu partido de abandonar a base aliada do governo Dilma. O apoio explica-se pelo fato de que, na época, Maurício Malta, irmão de Magno, era chefe de assessoria parlamentar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em Brasília, cargo com vencimento de R$ 29 mil, que foi obtido por indicação política graças à influência de Malta no governo Dilma.

Porém, ele debandou do governo Dilma em 2016, às vésperas do impeachment, passando a integrar a oposição, e, posteriormente, a base aliada do governo de Michel Temer. Nessa época, passou a criticar e descolar sua imagem de antigos aliados.

(Foto: Instagram/@MagnoMalta)

(Foto: Instagram/@MagnoMalta)

Durante as eleições deste ano, Malta chegou a ser cotado como vice na chapa de Bolsonaro. Porém, recusou a proposta a fim de se reeleger como senador pelo Espírito Santo.

A estratégia foi falha. Malta não conseguiu se reeleger, ficando em terceiro lugar na disputa, com apenas 17,05% dos votos (611.284). O segundo lugar na disputa ficou com o militar reformado Marcos Do Val (PPS), que obteve 24,08% dos votos válidos (863.359); o primeiro lugar ficou com Fabiano Contarato (Rede), que obteve 31,15% (1.117.036) – se tornando o primeiro senador eleito assumidamente gay do país.

A carreira de Malta é marcada pela defesa de pautas ultraconservadoras. Entre elas está o combate à pedofilia; a oposição à proposta de tornar crime a homofobia; a defesa da proibição do aborto em qualquer circunstância (incluindo em casos de gravidez decorrente de estupro); o apoio à flexibilização do porte de armas; e ao projeto Escola sem Partido.

Suspeitas de corrupção

Em 2007, Malta foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento no escândalo conhecido como Máfia dos Sanguessugas – um esquema que envolvia venda de ambulâncias com valores superfaturados a prefeituras. Ele foi acusado pela PF de receber um Fiat Ducato para apresentar uma emenda ao Orçamento que destinava recursos para a compra de ambulâncias vendidas pela empresa Planam, cujo dono era o líder do esquema, Luiz Antônio Vedoin.

Malta negou a acusação, afirmando que o veículo foi emprestado a ele pelo deputado Lino Rossi (PP-MT) para transportar integrantes de sua banda gospel. Segundo Malta, Rossi não detalhou a origem do veículo. Em outubro de 2007, em votação em plenário, o STF determinou a anulação do indiciamento de Malta, por considerar quer a PF não tem competência para indiciar, sem autorização do STF ou pedido do procurador-geral da República, os detentores da prerrogativa de foro privilegiado.

Malta também foi citado no escândalo do Ministério dos Transportes, em 2011, como beneficiário de R$ 500 mil em propina para beneficiar obras superfaturadas.

Ele também é citado em uma reportagem do site Intercept, que revelou que, entre abril de 2009 e julho de 2018, Malta gastou R$ 472 mil em combustível em dois postos de gasolina em Vila Velha, no Espírito Santo. Segundo a reportagem, o dono dos dois postos é José Tasso Oliveira de Andrade, ex-deputado estadual e ex-chefe da Casa Civil do Espírito Santo (1999-2001), condenado em segunda instância por roubo de dinheiro público.

“O volume de combustível adquirido por Malta e seus assessores nos postos, considerando a média atual de R$ 4,47 por litro de gasolina no Espírito Santo, seria suficiente para adquirir 105.593 litros de gasolina. O volume permite percorrer 1.055.930 km com um carro padrão de autonomia de 10 km/l. Embora seja um número subestimado, já que a conta é feita com o elevado valor atual do litro da gasolina, ainda assim seria possível atravessar o estado do Espírito Santo, em linha reta, de norte a sul, 2.823 vezes. Ou seja, Magno Malta e sua equipe teriam cruzado o estado a cada 29 horas ao longo dos últimos nove anos”, diz o texto (confira aqui a reportagem na íntegra).

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Camaçada de pau ampla, geral e irrestrita!

  2. Almanakut Brasil disse:

    Pastor-senador Magno Malta ganha carro da máfia das ambulâncias

    Sérgio Pereira – 07/02/2014

    https://www.youtube.com/watch?v=_QYg8yw8JSI

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