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o fim do império

Quem vai ficar com os restos de Eike?

Empresas estrangeiras estão comprando a maioria dos pedaços caídos do império de Batista

Quem vai ficar com os restos de Eike?
Brasileiros tem dificuldades em confiar em Eike, além do mercado estar difícil (Reprodução/Fábio Motta/Estadão)

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Durante sua ascensão estratosférica, Eike Batista se tornou um símbolo da virilidade econômica do Brasil, exaltado por políticos e por colegas empresários. Ele foi a sétima pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em cerca de US$ 30 bilhões. Seus negócios interligados incluíam seis companhias do grupo EBX, todas com um X em seu nome, e outros tantos investimentos privados.

Mas a OGX, empresa de petróleo e gás no centro de seu império, provou não ser o jorro que tanto prometia. Os investidores perderam a fé nela, seus ativos desvalorizaram e ela fez todo o império ruir. Mas nem todo mundo está com medo de investir no que foi o maior fracasso empresarial na história da América Latina.

Esta semana a OGX apresentou seu plano de recuperação, e a Cerberus, uma empresa de private equity americana, parece estar avaliando a firma de construção naval de Batista. Caso o negócio se materialize, a Cerberus vai ser mais uma empresa estrangeira peneirando os escombros que Eike deixou para trás. A E.ON, uma empresa alemã, ficou com um pedaço da MPX, a empresa de energia do grupo brasileiro; a Global Energy Partners of America agora é dona da LLX, uma operadora portuária; a Trafigura, uma holandesa, e a Mubadala, um braço do governo de Abu Dhabi, compraram, em conjunto, um porto; Acron, um fundo suíço, abocanhou o Hotel Glória, no Rio de Janeiro. Até mesmo os caçadores de barganha das cambaleantes economias emergentes estão entrando em ação. A Corporación América, de propriedade de Eduardo Eurnekian, um magnata argentino, comprou a participação de Batista na SIX Semicondutores, uma empresa que produz microchips. Em fevereiro, a CCX , que opera a mineração de carvão colombiano, divulgou os termos de um acordo no qual Yildirim, da Turquia, vai comprá-la.

Mas por que os brasileiros não estão nessa lista? Um dos motivos, diz Claudio Frischtak, da Inter.B, uma empresa de consultoria do Rio de Janeiro, é que os empresários brasileiros passaram “da euforia para a depressão”. Muitos foram extremamente prejudicados por suas relações com Eike e agora não querem ter nada a ver com ele ou os seus bens. Isso inclui não apenas os investidores dos empreendimentos que faliram, mas os acionistas dos bancos e outras empresas que o apoiaram. Ou seja, ninguém no Brasil com os recursos e competências necessários quer fazer qualquer tipo de negócio com Eike Batista.

“Não ajuda que o dinheiro está difícil de entrar por aqui”, observa Antônio Lacerda, um economista da Universidade Católica de São Paulo. Como a economia do Brasil deve crescer apenas 2%, a confiança dos investidores é baixa. O mercado caiu 16% no ano passado. O Brasil, junto com a Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia, é um dos “cinco frágeis” entre as economias emergentes superexpostas ao capital estrangeiro.

Apesar de algumas palavras suaves em Davos, a presidente Dilma Rousseff tem demonstrado pouco zelo pelas reformas vigorosas nos impostos, pelo mercado de trabalho e pela regulação necessária para aumentar a confiança dos investidores. Assim, os mercados de capitais estão apertados. Enquanto isso, a inflação de cerca de 6% ao ano levou o Banco Central a elevar os juros para 10,5%, encarecendo qualquer empréstimo bancários para financiar aquisições.

Muitas empresas estrangeiras, por outro lado, ainda estão repletas de dinheiro barato. O real, por sua vez, caiu cerca de um terço desde o final de 2010, tornando os ativos baratos para os forasteiros. Não espanta que os estrangeiros, sem conhecer as cicatrizes causadas por Batista, estejam mais do que felizes em investir no que restou do Império X.

Fontes:
The Economist-The great X-it

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5 Opiniões

  1. J. cigano disse:

    Eike Batista, um dos maiores destruidores que esse país já teve!

  2. Roberto1776 disse:

    Fico me perguntando quando é que vão parar de qualificar o Brasil como “economia emergente”. O Brasil nunca deixou de ser o “pais do futuro”.
    Ainda não temos nenhum nome que possa ser classificado como estadista. O último foi o Itamar Franco, que resolveu o problema da inflação.
    O próprio FHC impôs custos que derrotam qualquer empresário, tais como o maldito COFFINS, digo Cofins, criado por Collor, mas transformado em um pesadelo por FHC, sem falar na CPMF.

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    Com Eike as palavras filosóficas vieram ao contrário : DEPOIS DA BONANÇA VEM A TEMPESTADE. Quem corre muito, termina caindo e Martinho da Vila parafraseou : É devagar, é devagar, é devagar é devagarinho e ainda tem quem corre cansa nunca chega ao fim. 7ª fortuna se ele olha pra trás será que se arrepende?

  4. Carlos U Pozzobon disse:

    Ele foi o homem forte de Lula e Dirceu, o protagonista de uma promessa industrial do novo Brasil petista. Como o PT aderiu ao sistema, quebrou a cara. Mas não foi por falta de aviso. Eu não lamento os tropeços que sempre levam a sociedade brasileira ao fracasso. Lamento a falta de discernimento dos brasileiros com seu próprio sistema, vivendo a ilusão de que somos uma democracia ou de que somos um país capitalista. Pobre Brasil, condenado a viver na certeza de ter sido mais uma vez enganado, e da ilusão de algum dia as coisas acertarem milagrosamente por acaso.

  5. Chico disse:

    Passaram a rasteira nele, uma história que vai virar filme.