Início » Brasil » Racionamento voluntário pode evitar um mal maior?
Tendências e debates

Racionamento voluntário pode evitar um mal maior?

Diretor fundador do Centro Brasileiro de Infra Estrutura comenta a crise energética

Racionamento voluntário pode evitar um mal maior?
Em 2001 e 2002, Brasil teve maior racionamento da História do país (Reprodução/Internet)

O apagão que atingiu 11 estados e o Distrito Federal, na última segunda-feira, 19, volta a levantar questões sobre o setor elétrico do país. Baixos investimentos no setor de energia e seca provocaram o maior racionamento da história do país, em 2001 e 2002, durante governo de Fernando Henrique Cardoso. Agora, o medo volta em meio a uma crise hídrica, que afeta São Paulo, e a um verão intenso com temperaturas recorde.

Leia também:Ministro admite possibilidade de racionamento de energia

O diretor fundador do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires, explica ao O&N os três motivos que resultaram no apagão da última segunda-feira. “A situação atual remonta ao que aconteceu em 2012, quando surgiu a MP nº 579, que tratava da renovação das concessões de energia elétrica e estabelecia a redução do valor das tarifas. A medida provisória virou a lei nº 12783, em 2013, e estimulou o buraco financeiro que nunca se teve no setor elétrico. Com isso, o governo basicamente revogou a lei da oferta e da procura. O segundo motivo foi um planejamento muito errado com atrasos nas obras do setor elétrico. E o terceiro foi a falta de chuvas acompanhada de um verão muito quente”. A CBIE é uma empresa de consultoria e informação especializada no mercado de energia.

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei nº 12.783, que renovou as concessões do setor de energia e permitiu o barateamento da conta de luz dos brasileiros. A lei permitiu ao governo prorrogar por até 30 anos, concessões de geração (usinas hidrelétricas e térmicas), transmissão e distribuição de energia que venceriam entre 2015 e 2017. Em troca, esses concessionários tiveram de aceitar receber, a partir de 2013, uma remuneração até 70% inferior pelo serviço prestado. Com o corte na remuneração desses agentes, a energia produzida pelas usinas, cujas concessões foram prorrogadas, foi barateada na conta de luz dos consumidores. Isso acabou por estimular o consumo e aumentar a demanda.

Projetos atrasados

No caso do planejamento, a demora em obras do setor elétrico chega a quatro anos, segundo matéria divulgada nesta quarta-feira, 21, no Globo. A expansão da capacidade de geração e transmissão da energia elétrica no país sofre com atrasos de implantação devido a entraves jurídicos, ambientais ou de engenharia e falhas de planejamento. O aumento da potência efetivamente instalada ficou 20% abaixo do previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com as altas temperaturas, o consumo de energia é maior, principalmente, por conta do uso de ventiladores e ar-condicionados. O consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste bateu recorde cerca de 20 minutos antes do corte de luz registrado nesta segunda-feira, 19. Segundo o documento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), devido ao forte calor, a carga recorde ocorreu às 14h32, quando as duas regiões demandaram 51.596 megawatts (MW). A falta de chuvas, por sua vez,  só complica ainda mais a oferta de energia.

Para Adriano Pires, falta transparência ao governo, que deveria alertar a população que a demanda aumentou, mas a oferta não. “O governo deveria admitir que errou. A presidente Dilma poderia falar em rede nacional para pedir que a população economize energia. Como não se aumenta a oferta de energia da noite para o dia, é preciso reduzir a demanda”, disse. “O governo precisa mostrar para a população a situação e propor um pacto. A curto prazo, é preciso racionalizar para evitar um racionamento”.

Segundo Pires, a ação do governo de São Paulo na crise hídrica está “um pouquinho melhor” do que a ação do governo federal na crise energética. “O governo de São Paulo está falando mais sobre o assunto, tendo a sinceridade de assumir o erro e propondo medidas como bônus na conta de quem gasta menos, e multa para quem gasta mais”, disse.

Quanto a situação do setor elétrico, ele explicou que não basta um “tarifaço”.  “Essas tarifas deveriam vir de forma mais gradual e democrática para prevenir o furto de energia e a inadimplência”, disse. “Os agentes do setor elétrico deveriam criar um comitê de crise para encontrar uma solução estrutural”.

 

Caro leitor,

Na sua opinião, o racionamento é inevitável?

O que o governo deveria fazer para prevenir uma situação futura pior de falta de energia?

Fontes:
G1- Corte de luz: veja o que disseram o ONS e o Ministério de Minas e Energia
Estado de S. Paulo-Aneel descarta relação entre apagão e crise hídrica
O Globo- Atraso em obras do setor elétrico chega a quatro anos
O Globo- Sudeste terá mais 1,5 mil MW para evitar novos cortes de energia
Folha de S. Paulo- Apagão atinge 11 Estados e DF; causa seria consumo em razão do calor
ONS-Nota à Imprensa
G1-Consumo de energia bateu recorde 20 minutos antes de apagão, diz ONS
G1-Governo publica lei que permite baratear conta de luz

2 Opiniões

  1. Joma Bastos disse:

    Energia solar fotovoltaica!
    Há que aproveitar o calor para aquecer a água e a energia solar para produzir eletricidade.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Na sua opinião, o racionamento é inevitável?
    Sim, acho não há como evitar o racionamento, nem mesmo com toda a geração termoelétrica adicional

    O que o governo deveria fazer para prevenir uma situação futura pior de falta de energia?
    O governo muito ajuda se não atrapalhar! A situação atual é consequência da imprevidência, da visão curta das gestões anteriores, e de decisões estratégicas desastradas. Agora, o melhor que o governo faz é não interferir nas ações dos agentes do mercado.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *