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HISTÓRIA

Real Gabinete Português de Leitura: uma joia no Centro do Rio

Após reforma em comemoração aos 180 anos, o Real Gabinete relembra o porquê de estar entre as 20 bibliotecas mais bonitas do mundo

Real Gabinete Português de Leitura: uma joia no Centro do Rio
O Real Gabinete Português de Leitura recebe uma cópia de toda obra publicada em Portugal (Foto: Mariana Mauro)

Ao andar pelo Centro do Rio de Janeiro, é fácil esbarrar em construções históricas. A poucos passos do Largo de São Francisco, na Rua Luis de Camões, está uma joia perdida entre construções pouco conservadas. O Real Gabinete Português de Leitura é um respiro no meio do caos do Centro. Após uma reforma em comemoração aos 180 anos da biblioteca e a aquisição de um prédio anexo, o edifício está à altura de seu acervo de cerca de 350 mil exemplares.

(Foto: Mariana Mauro)

A leitura no salão é aberta ao público (Foto: Mariana Mauro)

“No século XIX, praticamente toda a elite intelectual do Rio de Janeiro frequentava o Real Gabinete. Machado de Assis, por exemplo. As primeiras sessões da Academia Brasileira de Letras também foram realizadas aqui, porque eles ainda não tinham uma sede”, conta o gerente administrativo Orlando Inácio, que trabalha há 15 anos na biblioteca.

Com uma claraboia enorme no salão principal, a luz natural é ideal para a leitura. Nas mesas de madeira espalhadas pelo salão, o leitor pode confortavelmente viajar pelo mundo imaginário dos livros. Dizer que a biblioteca é bonita é um eufemismo. Em 2016, o site Business Insider, considerou o Real Gabinete como uma das 20 bibliotecas mais belas do mundo, a única da lista localizada no Brasil.

Antes de entrar na biblioteca, o visitante assina um livro caso queira apenas visitar o local ou preenche uma ficha caso queira ler um livro. No segundo caso, o leitor deve guardar seus pertences num armário e seguir para um computador, onde pode procurar a obra no acervo eletrônico. O bibliotecário é quem vai pegar e guardar o livro, já que os visitantes não podem mexer nas estantes.

(Foto: Mariana Mauro)

Orlando Inácio trabalha no Real Gabinete Português de Leitura há 15 anos (Foto: Mariana Mauro)

A leitura no salão é aberta ao público. O empréstimo, no entanto, só é feito entre membros do Real Gabinete com mensalidade em dia, como explica o gerente administrativo. Eles pagam mensalmente o valor de R$ 60 e podem pegar livros emprestados por 15 dias, desde que as obras sejam posteriores a 1950.

Com uma média de 35 mil visitas por ano, o Real Gabinete recebe turistas do Brasil e do mundo, e seu público leitor é composto, em sua maioria, por universitários, pesquisadores, professores e historiadores.

Entre as raridades da biblioteca, estão a primeira edição (1572) de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, os manuscritos “Dicionário da Língua Tupy”, de Gonçalves Dias, e “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, e a peça “Tu, só tu, puro amor”, de Machado de Assis, escrita para a celebração do tricentenário da morte de Camões. Nas estantes, no entanto, não há apenas livros antigos. Como o Real Gabinete é beneficiário do Depósito Legal de Portugal, ele recebe da Biblioteca Nacional de Lisboa uma cópia de cada livro publicado em Portugal.

No grande salão do Real Gabinete, há algumas placas em homenagem a personagens importantes para a biblioteca, um deles é o jornalista brasileiro Paulo Barreto, mais conhecido como João do Rio. Nesta joia em forma de biblioteca, dá para entender que a alma encantadora das ruas está realmente na arte de “flanar” (conceito, defendido por João do Rio, de perambular pelas ruas sem destino certo) e de viver a cidade.

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    É esperar que essa rara jóia sobreviva ao vandalismo ,à incultura.

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