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Economia em crise

Redução da meta fiscal indica um futuro sombrio para o Brasil

Se a economia do país não voltar a crescer, e não há qualquer indício de que isso vai ocorrer, a dívida pública do governo pode chegar a 70% do PIB em 2018

Redução da meta fiscal indica um futuro sombrio para o Brasil
O ministro Joaquim Levy. Segundo a S&P, Brasil pode perder o grau de investimento BBB-, conquistado em 2008, por Lula (Foto: Abr)

Esta semana, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s alertou que a crise econômica enfrentada pelo Brasil pode fazer o país perder o grau de investimento BBB-, conquistado em 2008, por Lula.

O alerta veio uma semana após o governo anunciar que vai reduzir a meta de superávit primário do setor público prevista para os próximos dois anos. O superávit primário representa a economia feita pelo governo para pagar a dívida pública e é um dos principais indicadores da situação da política fiscal do país.

Para este ano, a meta foi reduzida de 1,1% do PIB, para 0,15%. Já a meta de 2016, caiu de 2% para 0,7%.  A meta de 2017 também foi reduzida, passando de 2% para 1,3%. Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a expectativa é que a meta volte aos 2% do PIB em 2018.

O Banco Central (BC) esperava cortar, em breve, a taxa básica de juros. Porém, o ajuste fiscal tornou isso impossível e o órgão acabou tendo de fazer o oposto. Na última quarta-feira, 29, o BC elevou a taxa básica de juros de 13,75% para 14,25% ao ano. Foi no sétimo aumento consecutivo.

“O governo parece ter ‘jogado a toalha’ em relação ao ajuste fiscal”, disse à revista Economist um investidor que não quis se identificar. Levy, no entanto, garantiu que a redução da meta não significa o abandono do ajuste fiscal. Porém, os ministros admitem que o cenário está piorando mais rápido do que o imaginado. Este ano, eles estimam uma queda de R$ 122 bilhões na arrecadação tributária do governo.

Levy espera que as concessões feitas pelo governo no setor de infraestrutura, as privatizações e outras medidas, como o perdão do imposto ou redução de multa para verbas desviadas que forem repatriadas, ajudem a impulsionar a arrecadação.

Mas, se a economia do país não voltar a crescer, e não há qualquer indício de que isso vai ocorrer, a dívida pública do governo pode chegar a 70% do PIB em 2018. Esse cenário é incompatível com o grau de investimento dado ao Brasil durante os anos de bonança econômica.

A S&P, no entanto, mantém a cautela e evita afirmar que o grau de investimento do Brasil será rebaixado. A empresa cita o exemplo da Índia, que passou dois anos em um cenário negativo similar ao do Brasil, antes de recuperar a estabilidade econômica. Além disso, mesmo com os problemas, Levy tem conseguido algum progresso. O déficit em contas correntes, por exemplo, caiu, bem como a estimativa para a inflação deste ano.

Fontes:
The Economist-The vanishing surplus

1 Opinião

  1. WILLIANS RODRIGUES GOMES disse:

    Quem possui menos honra, Dilma ou Joaquim Levy???
    “Todo poder emana do povo”, 16 de agosto está chegando.

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