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INVESTIGAÇÃO

Relatório do Coaf aponta que Flávio Bolsonaro pagou título de R$ 1 milhão

Órgão aponta que operações do senador eleito têm bastante semelhança com as movimentações atípicas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz

Relatório do Coaf aponta que Flávio Bolsonaro pagou título de R$ 1 milhão
No momento, as investigações do MP-RJ estão suspensas (Foto: Facebook)

O novo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), feito a pedido do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MP-RJ), identificou que o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) pagou um título bancário da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 1.016.839.

A informação veio à tona em uma reportagem do Jornal Nacional, que apresentou documentos obtidos com exclusividade. O documento aponta que não foi possível identificar o favorecido pelo pagamento, mas destaca que o senador eleito tem operações muito parecidas com a de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Entre as semelhanças apontadas pelo Coaf estão: o fato das transações serem feitas sempre em caixas de autoatendimento localizados dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj); o uso de dinheiro em espécie; e os depósitos em valores fracionados (algo que, segundo o entendimento do Coaf, pode ser uma ferramenta para burlar controles ficais).

O novo relatório do Coaf foi feito a pedido MP-RJ, no âmbito da investigação sobre movimentações financeiras atípicas por parte de funcionários da Alerj. Além do pagamento do título de R$ 1 milhão, o relatório identificou que, em 2017, Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos suspeitos em sua conta bancária, que totalizaram R$ 96 mil. Todos os depósitos eram fracionados no valor de R$ 2 mil.

A investigação das movimentações suspeitas envolvendo o gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj teve início em dezembro do ano passado, quando o primeiro relatório do Coaf apontou que Fabrício Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em transações consideradas atípicas pelo órgão.

No entanto, o valor apontado no relatório pode ser apenas a ponta do iceberg. Isso porque, segundo apontou a coluna do jornalista Lauro Jardim, do Globo, antes do relatório vir à tona, o ex-assessor movimentou cifras muito maiores de forma suspeita.

Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, passaram pela conta de Queiroz mais de R$ 5,8 milhões. Somado ao valor apontado pelo Coaf, Queiroz movimentou de forma atípica um total de R$ 7 milhões em apenas três anos.

No momento, as investigações do MP-RJ estão suspensas. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu a um pedido de Flávio Bolsonaro para suspender a investigação do MP-RJ sobre Queiroz. Citado na investigação, Flávio usou a prerrogativa do foro privilegiado para pedir a suspensão, afirmando que, em fevereiro, assumirá mandato como senador, passando a ter direito à prerrogativa.

Flávio também acusou o MP e o Coaf de quebrar seu sigilo bancário de forma ilegal, algo que foi negado por ambos os órgãos. Os procuradores ressaltaram que a lei de combate à lavagem de dinheiro determina que instituições financeiras informem ao Coaf sobre movimentações atípicas. O órgão, por sua vez, deve repassar as informações ao MP.

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1 Opinião

  1. Eliahu Feldman disse:

    A Bandalheira parece que segue correndo solta…

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