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ESCÂNDALOS E POLÊMICAS

Relembre casos recentes de ministros que pediram para sair

Fraudes acadêmicas, metas omitidas, doações impróprias e um ministro japonês que se retratou por um atraso de três minutos

Relembre casos recentes de ministros que pediram para sair
O 'Opinião e Notícia' relembra casos de políticos que renunciaram após escândalos ou polêmicas (Foto: platformmagazine)

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi convidado para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro por sua atuação como juiz da Operação Lava Jato. Os contatos privados, “fora dos autos”, do então juiz Moro com o chefe dos procuradores da Lava Jato, que vêm sendo revelados pelo “Intercept Brasil” e outros órgãos de imprensa, agora põem em xeque, porém, a imparcialidade e a legalidade daquela atuação.

Quando foi anunciado por Bolsonaro para a Pasta da Justiça, a crônica jornalística apontou que o presidente da República escolhia um ministro “que não poderia demitir”, por causa do grande apoio popular com que contava o ex-juiz. Após as revelações das conversas via Telegram, Bolsonaro já demonstrou apoio aparentemente incondicional a Moro. Moro, porém, admitiu, quando foi ao Senado se explicar, que poderia deixar o cargo em caso de comprovadas irregularidades cometidas em seu tempo de Lava Jato.

O Opinião e Notícia relembra alguns casos mais, outros menos recentes de políticos – ministros, vice-presidente, vice-chanceler, e até um vereador – que renunciaram a seus cargos em governos de diversos países após escândalos ou polêmicas envolvendo seus bons nomes.

Um dos mais recentes é o caso de Heinz-Christian Strache, que era vice-chanceler da Áustria e líder da direita ultranacionalista do país. Em maio deste ano, ele renunciou tanto ao cargo público quando à liderança do Partido Liberal após o vazamento de um vídeo no qual aparece se inclinando a aceitar dinheiro russo em troca de favores e contratos estatais.

No ano passado, o governo socialista de Pedro Sanchez na Espanha teve duas baixas, duas renúncias, em pastas importantes nos seus primeiros meses de vigência. Apenas seis dias após ser empossado, o ministro da Cultura, Maxim Huerta, pediu para sair – e saiu – quando foram reveladas irregularidades em sua declaração de imposto de renda. Em setembro, foi a vez da ministra da Saúde, a médica Carmen Montón, deixar o cargo depois que se descobriu que ela foi favorecida em uma nota para obtenção de mestrado e praticou plágio na dissertação que lhe conferiu o título.

O caso de Carmen Montón lembra um outro, mais antigo, que aconteceu também na Europa. Em 2011, uma figura importante do governo de Angela Merkel na Alemanha, o então ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, renunciou ao cargo após ter sido acusado de plágio em sua tese de doutorado.

Ainda na Europa, ainda em 2018, a ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, renunciou ao cargo depois que documentos mostraram a existência de metas de deportação de imigrantes ilegais. A renúncia aconteceu não propriamente por causa da existência dessas metas, mas porque Rudd havia negado, no Parlamento britânico, que elas de fato existiam.

“Se acontece na Inglaterra, ministro renuncia”, disse à BBC, sobre os vazamentos das conversas privadas entre Moro e Deltan Dallagnol, o professor Jonathan Rogers, vice-diretor do Centro de Justiça Criminal da Universidade de Cambridge.

‘Um problema político real’

Em 2017, o então vice-presidente da República Oriental do Uruguai, Raúl Sendic, renunciou após o Tribunal de Conduta Política do seu partido, a Frente Ampla, considerar seus gastos com cartão corporativo ‘inaceitáveis no uso de recursos públicos’.

Um ano antes, em 2016, no Japão, o ministro da Economia, Akira Amari, apresentou sua renúncia a Shinzo Abe depois que uma revista semanal publicou que ele havia recebido doações para fins políticos de uma empresa envolvida em uma disputa por terras.

Em fevereiro último, de 2019, um outro ministro japonês, esse das Olimpíadas, Yoshitaka Sakurada, não chegou a renunciar, mas teve que se retratar publicamente após chegar três minutos atrasado a uma reunião com parlamentares, o que foi considerado um grande desrespeito, algo incompatível com o cargo que ele ocupa…

Voltando à Europa: em Portugal, no ano passado, um conhecido político da capital do país, Lisboa, renunciou a seu cargo após ser descoberto, após vir a público, a informação de que, fora dos holofotes, ele atuava em desacordo com tudo aquilo que pregava para a plateia. Ricardo Robles não tinha Pasta; tinha cargo eletivo. Não violou claramente a lei; quebrou, porém, a ética mais elementar, se é que a ética tem mesmo esse tipo de gradação.

Vereador de Lisboa pelo Bloco de Esquerda e com notória atuação contra a especulação imobiliária na cidade – um dos problemas mais discutidos e sensíveis hoje para os lisboetas -, descobriu-se que Robles, ativista do “direito à cidade”, comprou um prédio histórico no bairro da Alfama e tentava revendê-lo buscando um lucro de 4 milhões de euros. O anúncio do prédio na imobiliária de sugestivo nome Christie’s chamava atenção para seu potencial de “short term rental”.

Ricardo Robles deixou a vereança na capital lusitana dizendo que o caso – típico de faça o que eu digo e não o que eu faço – “revelou-se um problema político real” e criou “um enorme constrangimento” à sua atuação como vereador.

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