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ALIADO INCERTO

Revolta do ‘centrão’ põe em xeque o governo Bolsonaro

Articulação política fracassa e capacidade de Bolsonaro para governar o país já é questionada em seu terceiro mês no cargo

Revolta do ‘centrão’ põe em xeque o governo Bolsonaro
Bolsonaro começou 2019 sem o apoio formal de nenhum partido, fora o PSL (Foto: Isac Nóbrega/PR)

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Depois da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, era dado como certo que partidos do chamado “centrão” – PP, PR, PHS, PSC, PTB, PRB etc –, sob a liderança do DEM de Rodrigo Maia, apoiaria na maior parte das questões o novo presidente.

Afinal, tratam-se de legendas de tendência conservadora, que abraçaram o antipetismo nos últimos anos e, principalmente, no que diz respeito ao presidente da Câmara, interessadas em aprovar as reformas econômicas que o alto empresariado vêm reivindicando. Como aconteceu com Lula em seus melhores anos, era provável também que os parlamentares destes partidos quisessem associar sua imagem à de Bolsonaro, cuja popularidade, se mantida nos níveis de outubro do ano passado, significaria votos nas eleições de 2020.

O apoio, contudo, não aconteceria sem as devidas negociações, que naturalmente teriam de incluir distribuição de ministérios e cargos importantes no segundo escalão do governo, o que ainda não ocorreu.

Assim, Bolsonaro começou 2019 sem o apoio formal de nenhum partido fora o PSL, ao qual é filiado, e com a obrigação, perante à bolsa de valores, de aprovar uma profunda reforma na Previdência – sem ela, afirmam muitos economistas, o governo pode parar em 2020. Neste cenário, o presidente optou não pelo diálogo, mas pelo conflito aberto com a Câmara, o que já trouxe consequências negativas para a equipe econômica de Paulo Guedes e acentuou as dúvidas sobre a capacidade de Bolsonaro para governar o país.

Derrotas no Congresso e ministros acuados

O resumo das últimas semanas do noticiário político é o seguinte: deputados de diversos partidos, incluindo o PSL, divergiram de pontos da proposta de reforma da Previdência, como os privilégios concedidos aos militares e os cortes em pensões dos idosos mais pobres. Criticaram a falta de diálogo do Executivo com a Câmara, e ameaçaram convocar ministros a prestar esclarecimentos sobre os planos do governo na economia, educação e segurança pública.

Bolsonaro, percebendo que o apoio à reforma da Previdência e ao projeto anti-crime de Moro decaía, passou a insultar o Congresso: as dificuldades que seu governo enfrenta, disse, se dariam porque alguns não querem abrir mão da “velha política”. Atender aos pedidos dos deputados, insinuou, seria lançar mão das práticas corruptas que levaram Temer – e Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia – à prisão.

Seguiu-se uma intensa troca de farpas entre Maia e Bolsonaro. Entre outras tiradas, o presidente da Câmara ironizou que a “nova política” consiste, talvez, em postar mensagens no Twitter, e afirmou que o governo é um “deserto de ideias”. Bolsonaro respondeu que Maia passa por um “momento difícil”, já que seu sogro estava encarcerado.

O “centrão” se solidarizou com Maia, e a prisão de Temer reacendeu em parte da Câmara o sentido de autopreservação. Uma emenda na Constituição que contraria interesses do governo ao aumentar o percentual de gastos obrigatórios da União foi aprovada em tempo recorde. O recado é claro: a Câmara tem poder de fogo para impor derrotas ao Executivo. Outros projetos que a equipe de Guedes considera inconvenientes, como o de repassas bilionários para ajudar os estados, podem ser votados já nesta semana.

Termômetro do “mercado”, a bolsa de valores e a cotação do dólar evidenciaram a apreensão. O medo era de que a crise entre os poderes inviabilizasse a reforma da Previdência.

Nenhum gesto de reconciliação partiu diretamente de Bolsonaro, mas seus principais ministros foram escalados para pedir trégua. Moro, que antes pressionava Maia para que pautasse seu projeto anti-crime, reconheceu que a agenda das votações “pertence ao Congresso”. Menos sereno, Guedes utilizou o último recurso dos ministros em desespero: ameaçou deixar o cargo se suas reformas naufragarem “por falta de apoio do Congresso ou do presidente da República”.

Riscos à governabilidade e Mourão no aquecimento

Com a popularidade em queda e uma base de apoio incerta no Congresso, já se começa a questionar se Bolsonaro é capaz de reger a relação entre os poderes e aprovar projetos de governo.

O alarme soou na ala militar. De acordo com o jornalista Igor Gielow, da Folha de S.Paulo, generais estão desgostosos com o comportamento errático do presidente, e inclusive trabalham com a hipótese, ainda improvável, de que ele tenha dificuldades em concluir o mandato.

Entre as lideranças da Câmara, há ceticismo sobre o cessar-fogo entre Maia e Bolsonaro. Para os deputados, os ataques que o presidente da Câmara sofre na internet, vindo de grupos bolsonaristas, é coordenado e faz parte de uma estratégia para pressionar o Legislativo, “baseada na crença de que, na hora H, a população se levantará em favor da agenda de Bolsonaro”, escreve Gielow.

Para garantir um grau mínimo de andamento dos projetos – e passar ao “mercado” uma ideia de seriedade que antagoniza com o comportamento do presidente – Maia e Guedes estariam trabalhando para “blindar” a reforma da Previdência de crises políticas. O presidente da Câmara, assim, faria as vezes de primeiro-ministro informal, escanteando a agenda ideológica do governo em favor da agenda econômica de Guedes.

Mais uma vez, outro personagem que se movimenta entre empresários e busca transmitir uma imagem de republicanismo é o vice-presidente, Hamilton Mourão. Na última semana de março, ele foi recebido por 600 lideranças da Fiesp, a federação da indústria paulista. Lá, ouviu críticas a Bolsonaro e elogios a si. Nos bastidores, já é dito que, numa eventual queda do presidente eleito, Mourão estaria disposto a apoiar um projeto parlamentarista de governo, cedendo poder ao Congresso Nacional.

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7 Opiniões

  1. Luís Bustamante disse:

    Todos sabíamos que Bolsonaro não saberia ser presidente nem cumprir o que prometeu.Votei nele não apenas para ser contra o PT, mas principalmente porque sabia que seu vice seria o general Mourão, que, tenho certeza irá substituir Bolsonaro em breve.

  2. Aureo Ramos de Souza disse:

    O problema não e Bolsonaro, o problema é que Rodrigo Maia não tem dinheiro para dá aos deputados e senadores para votar a favor das reformas assim como aconteceu com Temer que distribuiu milhões para suas reivindicações.

  3. Allan Martins disse:

    A extrema imprensa e os comunistas de plantão, incluindi-se nesse grupo as viúvas do lulopetismo, tentam criar crises inexistentes e manipular os leitores para que acreditem que o governon é atrapalhado e desorientado. Mafa do que foi feito de positivo é tratado, e foram inúmeras coisas. Deixo o desafio: aposto 100 reias que as reformas serão aprovadas, assim como o pacote anti-crime para o bem do país.

  4. Rogério Freitas disse:

    Estamos numa encuzilhada e está faltando liderança para nos conduzir. Talvez haja até boa vontade, mas não há diálogo. Aliás, o que se vê são críticas que afafastam ainda mais os que deveriam se unir em favor de mudanças justas.

  5. Yuri disse:

    Bolsonaro foi um erro colossal.
    No ódio absoluto contra o regime petista, a população trocou um demônio pelo capeta.
    Não só incapaz de governar e sem qualquer proposta para melhorar o país, Bolsonaro representa o retrocesso intelectual da população brasileira ao permitir a população se acovardar atrás de ignorância e truculência. Ainda comete o absurdo de governar o Brasil como se fosse uma extensão de si mesmo, pois ignora a história da nossa pátria ao sacrificar nossa imagem mediadora para perseguir interesses ideológicos de minorias externas. Comprar a guerra com terroristas e comunistas fora do pais que não nos interessam é colocar o povo brasileiro em risco por incompetência que só pode ser atribuída à um moleque ignorante valentão que acha que latir resolve tudo na vida. Hoje teremos que pagar pela burrice deste troglodita e seu filho que representa com clareza os valores que se passam no “nobre” lar da família bolsonaro.

  6. carlos alberto martins disse:

    o nosso presidente começou a mostrar sua fraqueza quando ficou tremendo frente ao MAIA.só faltou beijar os pés do mesmo.caro presidente:assuma o cargo de autoridade máxima da nação,que lhe foi outorgado pelo povo.mostre aos estelionatários encastelados em Brasilia quem realmente manda.

  7. 3 disse:

    Dem, Pp, Psd conservadores? Que pateta!

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