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Crise energética

Risco de racionamento já passa de 50%

Os especialistas Mario Veiga e Claudio Sales acreditam que é necessário economizar antes que a crise se agrave e o apagão do dia 19 se repita

Risco de racionamento já passa de 50%
Veiga contesta afirmação do diretor-geral do ONS. Ele acredita que o governo poderia ter adotado medidas de racionalização (Foto: Reprodução/Internet)

Segundo especialistas na área energética entrevistados pelos jornais Valor e Folha, os representantes do governo andam contando “meias verdades” sobre as reais razões do blecaute da última segunda-feira, 19. Em entrevista ao Valor, o presidente da PSR Energy, uma das consultoras mais respeitadas na área, Mario Veiga, contestou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que disse que o sistema elétrico nacional tem energia suficiente. Para o consultor, o problema é sim a falta de geração, em cerca de 20 mil MW.  A consultoria PSR prevê que o risco de racionamento no país já supera 50%.

“O ONS alega que a demanda está alta, o que não é nenhuma novidade. O sistema é planejado para ter reserva suficiente. Estamos nessa situação porque o governo em 2014 decidiu apostar que choveria no início deste ano e que o verão seria ameno. Não foi feita nenhuma medida de racionalização de consumo, deixando os reservatórios chegarem ao pior nível da história”.

Segundo a direção da ONS, a redução na frequência elétrica ocorreu devido a “restrições na transferência de energia” das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, apesar de o sistema ainda ter “folga na geração”. Veiga discorda da explicação. Segundo ele, a ordem é contrária, ou seja, a frequência caiu por ter pouca geração.

Racionamento é menos nocivo

Outro consultor respeitado no setor, o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, foi ainda mais duro nas críticas ao governo. Em entrevista à Folha ele afirmou que o apagão da última semana será o primeiro de muitos se o governo continuar enfrentando o problema com medidas paliativas, como importar energia da Argentina.

“São grandes as possibilidades de que apagões voltem a acontecer no restante do verão. Nos últimos três anos, os recordes de demanda foram em fevereiro, perto de 4% acima dos do ano anterior”, disse.

Sales acredita que o racionamento, que já deveria ter começado, traria efeitos menos agressivos ao consumidor e à economia, porém precisa ser adotado como medida preventiva e não de emergência.

“Se não for mais possível produzir energia, não se pode mais falar em racionamento. Sem, energia, não haverá o que racionar”.

Quanto ao apagão, Sales vai na mesma direção que Veiga:

“No apagão da última segunda, não caiu nenhuma torre nem explodiu nenhum transformador em subestação. Se a restrição é inerente ao sistema, não importa se a energia é gerada no Sudeste ou no Nordeste. O importante é que não houve capacidade disponível no momento necessário.”

 

Fontes:
Valor-Risco de racionamento já supera 50%, diz PSR
Folha-'Sem energia, não haverá o que racionar'

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