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O discurso do rei

Roberto Carlos ataca biografias sem perder a majestade

Paula Lavigne sai de cena depois de cair em desgraça com a opinião pública

Roberto Carlos ataca biografias sem perder a majestade
Roberto Carlos surge como o novo porta-voz do Procure Saber (Reprodução/Internet)

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Em situações conflitantes como esta polêmica das biografias – que põe metade da intelectualidade brasileira contra a outra metade – é importante um trabalho de assessoria de imprensa para angariar a simpatia de diversos setores, como o STF – que vai definir a situação – e também a opinião pública.

Defensora ferrenha dos artigos 20 e 21 do Código Civil que preveem a censura prévia às biografias – ao lado de Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Caetano Veloso – a empresária Paula Lavigne usou de estratégia tão agressiva para defender seus interesses que caiu em desgraça com a opinião pública. Chamada de Dona Encrenca pela revista Veja Rio – que acaba de publicar uma biografia não autorizada de seis páginas – Lavigne chegou a bater boca com Bárbara Gancia no programa de TV “Saia Justa” por causa do discurso do grupo Procure Saber, que lidera e defende.

A atitude da ex-senhora Veloso inverteu opiniões em favor da liberdade de expressão que ela tanto combate. Do outro lado deste embate está gente mais moderada e de bem com a vida como Luís Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, Carlos Heitor Cony e Nélida Piñon. Estes intelectuais brasileiros acabaram ganhando espaço diante de tanto espalhafato.

O afastamento de Paula foi inevitável e estratégico. A poucos capítulos do final da novela, Roberto Carlos surge como o novo porta-voz do Procure Saber. Com o discurso treinado e alinhado – aí voltamos a citar a assessoria de imprensa – ele se diz a favor das biografias não autorizadas (!) desde que haja um acordo prévio e que se estabeleçam algumas regras que protejam o biografado.

O novo discurso do “rei” tem a impressão digital do empresário Dody Serena, que conduz a carreira de Roberto com o mesmo profissionalismo com que Paula administra os negócios de Caetano – só que com mais moderação e pragmatismo.

A troca de bastão é estratégia de alinhamento de discurso combinado com gestão de crise. E ainda pode render frutos para o grupo que agora angaria menos simpatia. Brasília é uma caixinha de surpresas.

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11 Opiniões

  1. André Cantidiano disse:

    Não me parece haver meio termo nessa questão. Ou é livremente exercível o direito de se escreverem biografias para ajudar a contar a História ou se estará tratando de cerceamento à liberdade de expressão. Em tempo: que os defensores da censura não venham dizer que os danos eventualmente causados por biografias mentirosas não podem ser objeto de reparação. O Poder Judiciário está aí justamente para isso!

  2. PC disse:

    O biografo contata a assessoria do biografado, se tiver, e num acordo inicia-se a escrever sua estória. Ao final do livro pronto, o biografado faz as correções necessárias e por fim põe para vendê-lo. Para quê tanta discussão?

  3. Miguel Meira disse:

    Vou te contar: o Brasil de milhões, numa situação cada vez mais preocupante (que o diga a atual “rebeldia” das manifestações, uma verdadeira e notável reação às ações governamentais de todos os níveis), e agora sim, meia dúzia de intelectuais (a maioria de capacidade duvidosa) vendo se vendem ou não vendem a sua vaidade e como irão vender, se realmente existir alguém que queira comprar. Que vão trabalhar e respeitem a população.

  4. evelyn sá disse:

    Concordo com tudo que meu colega André comentou.

    Complemento apenas: a Sra Paula Lavigne comprou os direitos sobre a vida de Carmen Miranda a alguns anos. Não faz muito tempo reclamou publicamente que os projetos referentes a “nossa” – por ser nosso patrimonio cultural -, Carmen não estavam andando porque a familia estava atrapalhando tudo fazendo mil e uma exigencias.

    Ou seja: para mim tudo, para os outros nada.

    Aprendi a muitas e muitas decadas, que nem sempre- ou quase sempre – os artistas não são exatamente aquilo que nos parecem ser publicamente. E ou aquilo que eles querem nos fazer acreditar que são.

    Sempre amei Chico Buarque de Holanda. Sempre. Mas ele sempre foi, por origem e por vontade propria, um “grande burgues”. E em algum momento essa sua faceta, digamos, mais “emproadinha” aparece aqui e ali. Com muitos outros acontecem situações semelhantes.

    Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!!!!! É assim que tudo acontece. Discurso de um lado. Ações de outro.

    Em tempo: quem não viu ontem o Roda Viva da TV Cultura sobre esse assunto, perdeu uma oportunidade de se informar.

  5. Áureo Ramos de Souza disse:

    No meu entender o biografado tem autoridade para ser ou não e após sua morte seus familiares ficarão responsável. As vezes depois de feita pode escreverem o que eu não aceitaria, portanto tem que haver autorização do biografado e e assim como um percentual nos direitos autorais ou hoyailtes

  6. Nelson Franco Jobim disse:

    A liberdade de expressão é inegociável numa democracia. Quem se sentir caluniado, injuriado ou difamado recorra à Justiça. Abaixo a censura!

  7. Malou von Muralt disse:

    Os pesquisadores se deparam constantemente com a questão dos direitos autorais e direitos da imagem. O debate sobre as biografias na verdade vai além: o que acontece com biografias de personalidades já falecidas? Precisa da autorização dos herdeiros. Por vezes o problema se torna ainda mais delicado quando parte dos herdeiros concorda e a outra parte (ou um só) discorda e não autoriza determinada pesquisa ou publicação. O medo em relação aos herdeiros é tamanho que até documentos livres de direitos autorais, como por ex. fotografias de obras em espaço público, não são fornecidos para os pesquisadores com receio de que um eventual herdeiro possa reclamar. No caso concreto que vivenciei, o medo foi mais forte do que a lei! As pessoas, as instituições querem evitar problemas. Então dizem não. E os documentos ficam nas gavetas, prejudicando o trabalho do pesquisador. Acho importante ver como outros países – que também prezam o direito da privacidade – resolvem o equilíbrio entre o direito de expressão e publicação e o direito à privacidade. Em muitos países do mundo é possível publicar. Quem se sentir ofendido pode entrar na justiça.
    Quanto aos membros do Procure Saber (não entendi este nome…), não entendo muito bem do que exatamente eles tem tanto medo… As invasões à privacidade não ocorrem todo dia, com os papparazzi, com fofocas na mídia, nos blogs, no twitter, em revistas que só fazem isto o dia inteiro?
    Quanto ao argumento que biógrafo fica rico, só fala isto quem não tem conhecimento de causa. Pesquisa representa anos de bibliotecas, arquivos, sebos, leituras, gravação de entrevistas, infinitos gastos com viagens, hospedagem, taxi, restaurante, xerox, escaneamentos, etc. etc. Pesquisar a vida e a obra de alguém requer muito amor e dedicação. Muito tempo e muito dinheiro. O “lucro” que temos é o prazer das descobertas, o achado de um documento raro, os encontros com os entrevistados ou com outros pesquisadores. É um belíssimo trabalho que merece respeito.

  8. A. C. Vidal disse:

    Muito interessante o comentário da leitora Malou von Muralt, que demonstra saber do que está falando, mais do que a maioria das pessoas. Temos de pensar nas diferentes motivações:
    – as filhas de Garrincha queriam grana, levaram a delas e tudo bem. O livro acabou saindo.
    – Roberto Carlos não queria que todo mundo soubesse como ele ficou perneta, e conseguiu impedir isso.
    – Caetano pelo jeito não quer que a vida sexual dele, rica e variada, seja divulgada.
    – Chico tem uma vida romântica rica, mas suponho que não tão variada quanto a de Caetano, difícil saber qual é a dele. A própria irmã, ex-ministra da cultura, já declarou que é filha de historiador e é a favor da liberdade de expressão.

    É um absurdo que a excelente biografia de Noel Rosa, escrita por João Máximo e Carlos Didier, tenha sua segunda edição bloqueada pelos herdeiros de Noel. Aparentemente é questão de grana.

    Outro absurdo é a estranha personagem Paula Lavigne (a respeito dela interessante ler a Veja Rio desta semana) falar nos biógrafos que ganham fortunas. Cite um, dona Paula! Fortuna com livro no Brasil só ganha Paulo Coelho.

  9. jayme endebo disse:

    O Roberto Carlos não gostou da biografia dele porque simplesmente não foi “dividido” o lucro da venda do livro, é egoista e materialista ao extremo. Ele quando fez a musica “jesus cristo” ou “maria” por acaso pagou direito autoral à Igreja? não, faturou em cima da fé.
    O biografo se tiver que pedir licença ao biografado vamos ter todas personagens no mundo bem santinha pois só vai escrever aquilo que interessar ao biografado, agora vejam que interessante : imagem o biografo do Hitler seria maravilhoso este livro.
    Roberto Carlos, seja mais humano e pense menos em dinheiro, voce já está milionario, invista no ser humano.

  10. PENSADOR disse:

    STJ mantém condenação de Roberto Carlos por plágio

    CONJUR, 26 de agosto de 2003 • 13h14

    O ministro Ruy Rosado de Aguiar, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou provimento ao agravo de instrumento do cantor e compositor Roberto Carlos que pretendia o reexame pelo STJ da decisão que o condenou por plágio. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou que a música O Careta, lançada por Roberto Carlos em 1987 pela gravadora CBS é plágio da canção intitulada ‘Loucuras de Amor’, de autoria do compositor Sebastião Braga.

    A disputa pela titularidade da música O Careta teve início no STJ em 1995, e neste período, oito recursos foram interpostos para análise do caso.

    Sebastião Braga entrou com a primeira ação em primeira instância em 1990, com base na Lei do Direito Autoral. Ele pediu o reconhecimento do plágio por parte de Roberto Carlos, a publicação em jornal de grande circulação de material reconhecendo sua autoria, a inserção de seu nome nas gravações ainda não distribuídas, além de indenização por danos moral e material.

  11. evelyn sá disse:

    Para ajudar o debate, segundo as informaçoes que obtive no Roda Viva de segunda feira:

    1- o nome “Procure Saber” foi criado originalmente para resolver pendencias e dificuldades do ECAD. E aí houve apropriação do nome para os fins agora delineados.

    2- no mesmo Roda Viva, foi comentado que o então acadêmico Lêdo Ivo, em vida, ao colocar uma fotografia sua,particular, em seu proprio livro,com o amigo Manoel Bandeira, foi embargado pelos familiares deste escritor.
    O acadêmico ficou estarrecido, já que a foto era sobre sua propria vida e não de Manoel Bandeira. Mas mesmo assim foi impedido.

    3- O problema do Roberto Carlos não é dinheiro. Segundo seu biografo e demais jornalistas, é puro autoritarismo.

    Sou apaixonada por biografias. E parabenizo Malou Von Muralt pela dedicação e empenho.

    Minha lista de biografias lidas é muiiiiito extensa , tanto de personagens nacionais, do presente, do passado, ou passado recente, quanto internacionais.
    Mas aquele a quem sempre dediquei uma especie de “carinho”, foi e é Albert Einstein. Já li tuuuudo sobre ele. E o que me fascina é que os biografos nunca esconderam seu lado “nebuloso”. E isso coloca o cientista brilhante e endeusado no patamar dos simplesmente humanos. Que é exatamente como ele se achava.
    Portanto, quem nasceu verdadeiramente gênio e sábio, fica para a eternidade. Ou outros………

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