Início » Brasil » Rodrigo Maia em 2019?
ELEIÇÕES 2018

Rodrigo Maia em 2019?

Na série de palestras com candidatos à presidência, nesta semana foi a vez de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que falou a empresários no Rio de Janeiro

Rodrigo Maia em 2019?
Rodrigo Maia iniciou sua carreira política aos 26 anos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na quarta palestra da série com os candidatos à presidência da República, nesta semana foi a vez de Rodrigo Maia, presidenciável pelo DEM, que falou a empresários no Rio de Janeiro.

Em seu quinto mandato como deputado federal, Maia iniciou sua carreira política aos 26 anos e desde 2002 integra a lista dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, estando na presidência da Câmara dos Deputados desde 2016.

O candidato afirmou que, para pensar o Brasil no futuro, é preciso antes entender o que acontece com o Brasil no presente, definindo em que condições queremos nos reconstruir. Maia entende como principal questão a organização atual das despesas do Estado, sobretudo as obrigatórias, indicando que, se não forem feitos todos os esforços possíveis, continuaremos na mesma situação, isto é, um país que ora cresce, ora não, sendo impossível que o crescimento ocorra de forma sustentável.

Segundo o presidenciável, desde a redemocratização o Brasil vive o ciclo da Nova República. A partir do processo eleitoral em 2018, entretanto, acredita que um novo ciclo terá início, com o fim da polarização PT-PSDB, a partir da observação dos erros e acertos do passado, com o esgotamento dos pontos de vista ético e político-econômico, sendo um momento fundamental para que o país seja inserido definitivamente no século XXI.

Mas para Maia não se trata de algo simples: ao olhar para o orçamento do governo em 2017, a capacidade de investimento da União – em cima de seus R$ 1,2 trilhão arrecadados – foi de apenas R$ 25 bilhões; o presidenciável chamou atenção para o montante de R$ 285 bilhões, que segundo ele, não possuem uma destinação eficiente, sendo necessário rever a aplicação dos recursos públicos, dando preferência pela geração de empregos e crescimento econômico.

O candidato afirmou que a cada ano que passa, o estrangulamento fiscal dos entes federados é maior e, portanto, se não houver coragem para discutir o tema, este será mais um processo eleitoral para “prometer muito e não cumprir nada”. Em outro momento, mencionou a promessa de criação de 7 mil creches pelo Governo Dilma, das quais somente 2 mil foram entregues, por carência de recursos para investimentos.

De acordo com o deputado, um país jovem como o Brasil, que gasta 13% do PIB com previdência não pode construir condições de desenvolvimento e investimento de forma correta; lembrou ainda que o salário de um servidor público nas principais carreiras do Estado é, em média, 60% maior do que na iniciativa privada.

A respeito da educação, Maia firmou posição ao defender que a preocupação primordial deveria a melhoria do ensino de base, tendo questionado o modelo adotado durante os governos do PT, no qual foram realizados grandes investimentos em universidades federais, em detrimento dos ensinos fundamental e médio.

O presidenciável defendeu a necessidade do respeito à segurança jurídica para que sejam dadas as condições mínimas aos investimentos do setor privado, sendo essencial a existência de um marco regulatório, claro e objetivo, para o crescimento de qualquer país, como premissa para alterar o panorama de poucos investimentos em infraestrutura.

O candidato defendeu um “novo estado brasileiro” ao criticar o atual modelo no qual todos os setores de carreiras de estado possuem estabilidade, sendo preciso corrigir a defasagem nas carreiras públicas, nas quais a distância entre o salário mais baixo e seu ápice é muito próxima, desestimulando o servidor público e anulando a capacidade de aprendizado permanente; uma nova configuração é necessária para criar as bases de um “Estado não mínimo, nem máximo”, mas regulador forte e com condições de financiamento para áreas fundamentais.

Em sua fala, Maia afirmou que é preciso pensar a posição do Brasil na revolução digital, isto é, como a tecnologia e a inovação podem ajudar a desburocratizar o país, para que tenhamos mais eficiência e melhores condições de atender à população, sem que a sociedade se desloque a cada problema à uma repartição pública. Como exemplo, citou a Estônia, onde um cidadão só precisa ir à uma repartição pública na ocasião de venda de propriedade; os demais assuntos são solucionados em meios digitais.

Com um discurso pautado na importância da reorganização das despesas do Estado para incentivar o investimento, o candidato não sinalizou como conduziria de forma efetiva a adoção de tantas “medidas impopulares”, como o fim da estabilidade, a extinção de cargos públicos e a reforma da previdência, seja nos palanques eleitorais ou ainda na tramitação legislativa, que não rendem votos. É possível que para uma plateia mais diversificada, apresente um formato mais digestível para encantar o eleitorado tão habituado, infelizmente, a promessas sem fundamento.

 

* Artigo de Fernanda Stüssipublicado originalmente no site Profit Projetos

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. laercio disse:

    Todos que estão na política nunca farão nada porque zelam por uma constituição com defeitos para mais de que algo aceitável! Tudo tem um início, qualquer ação, atitude, etc, não terá êxito sem antes diminuir em 60% das regalias parlamentares em todos os níveis; nada dará certo se não houver diminuição ou extermínio de regalias.

  2. Almanakut Brasil disse:

    Barrou a CPI da impUNE e acha que muita gente esqueceu?

  3. carlos alberto martins disse:

    o sr Maia não sabe que todo presidente da repúbica fica refem de um congresso e um senado sem ética ou moral para com as coisas públicas?como todo candidato fica a vender promessas falsas que não irá cumprir.basta de idiotice.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *