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'Pseudo protesto'

‘Rolezeiros’ querem atenção e não mudanças sociais

Teoria de que os 'rolezeiros' são representantes de uma luta de classes e buscam o fim da opressão está longe de ser verdade

‘Rolezeiros’ querem atenção e não mudanças sociais
Para os donos de loja, os 'rolezeiros' são os melhores clientes (Reprodução/Internet)

Desde dezembro, os “rolezinhos” vêm sendo alvo de intensos debates no país. Alguns especialistas afirmam que a tendência é um desdobramento das manifestações que tomaram o país em 2013. A diferença seria que desta vez o protesto é pelo fim da opressão e mais áreas de lazer nas favelas.

Contudo, a teoria de que os “rolezeiros”, como ficaram conhecidos os participantes, são representantes de uma luta de classes e buscam o fim da opressão está longe de ser verdade. “O lema deles não é ‘Menos opressão!’, mas sim “Mais Adidas!’”, diz Renato Barreiros, que dirigiu um documentário sobre o tema.

Segundo os próprios adolescentes que participam do evento, os “rolezinhos” servem para passear, relaxar, conhecer pessoas e comprar coisas legais em um espaço seguro, o que é muito importante em cidades com alto índice de criminalidade.

Alguns analistas, como Gustavo Fernandes, da Fundação Getúlio Vargas, acreditam que faltam áreas destinadas ao lazer em São Paulo, principalmente nas áreas mais pobres. Porém, Itaquera e outros oito bairros adjacentes, lar de cerca de 230 mil jovens com idades entre 15 e 24 anos, têm um total de 12 centros culturais. No centro da cidade, 65 mil jovens têm 33 áreas de lazer à sua disposição.

Os jovens que vão aos “rolezinhos” estão sempre vestidos com roupas de marcas caras e chegam a gastar mais de R$ 1 mil em roupas e acessórios. Alguns obtêm renda vendendo suas roupas antigas. Rosana Pinheiro Machado, antropologista da Universidade de Oxford que estuda os hábitos dos jovens consumidores de São Paulo, diz que as favelas são ótimos mercados para roupa usada, “mas as marcas falsificadas são desprezadas”.

Para os donos de loja, os “rolezeiros” são os melhores clientes. “Eles sempre compram bastante e pagam em dinheiro”, diz Lucas Martins, dono de uma loja no shopping Itaquera. Porém, a aglomeração em grandes grupos assusta outros clientes.

Enquanto o governo teme novos protestos de rua e grupos de ativitas usam a tendência para convocar novos “pseudo-rolezinhos”, os jovens “rolezeiros” se preparam para mais um passeio, marcado para o dia 8 de fevereiro no Aricanduva Shopping, em São Paulo.

Fontes:
The Economist-The kids are all right

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5 Opiniões

  1. helo disse:

    O rolezinho mostra um desencanto sem bandeiras. O discurso oficial contradiz a realidade e o jovem que só conhece o PT não vislumbra outra alternativa. Se vota contra pensa que elegerá uma elite má e gananciosa sem saber que ela já está no poder.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    A que ponto chegamos! Bandos de jovens de periferia fazendo arruaça em shopping centers por pura farra são vistos como manifestantes políticos, e isso vira o notícia na imprensa internacional! É como disse Nelson Rodrigues: ” O nosso mundo é dominado pelos idiotas”…

  3. Mauricio Fernandez disse:

    Pergunto; o que são as áreas de lazer ditas aqui? Estão de brincadeira. Nem a famigerada ABIN irá descobrir coisa alguma pelo simples fato da mudança de significado das palavras. Os ‘especialistas’ entendem como área de lazer um terreno pequeno e descampado com alguns equipamentos para crianças – balanços, 90% quebrados, reduto de toda sorte de criminosos e marginais. No Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, capital, existe o Parque da Redenção um enorme e belíssimo espaço totalmente arborizado e equipado para o conforto e lazer de adultos e crianças principalmente nos fim de semana. Espaços assim servem de atrativo a marginais. Em nome da segurança dos usuários um político local está sugerindo o cercamento do parque e uniu-se a ‘especialistas’ para apoia-lo. Político com ‘especialista’ é como fogo e gasolina. Vai daí que cercado o parque será a farra dos marginais lá dentro e a falta de opção de lazer do cidadão aqui fora. Mas nada disso importa. A turma quer é mais atenção, mais PT. Esse negócio do social, do correto… correto? já era…..

  4. Áureo Ramos de Souza disse:

    Estão se preocupando tanto com os rolezinhos, então façam ao contrário os filhos dos PT se reúnam e façam um rolezinho nos morros e depois comuniquem a seus pais como se encontra aquelas comunidades desprezadas e mal acompanhada por nossas autoridades políticas. Rolezinho: modo diferente de poder chegar a um local onde são descriminados, portanto em grupo torna-se mais fácil passear e poder usar o que não podem na realidade pelo ao menos em um dia.

  5. Antonio Manoel G G Rato disse:

    Quanta bobagem está sendo dita sobre esses “rolezinhos,” meu Deus ! Os jovens que fazem isso não têm motivação alguma além da ” zoada,” como eles mesmo dizem. E que se danem as pessoas que têm o direito de ir aos shoppings comprar e se divertir em paz. Os rolezeiros provocam o desconforto aos usuários, prejuízos aos comerciantes e aos vendedores das lojas, na maioria gente humilde, que perdem as suas comissões. Motivos consistentes para revolta não faltam! Querem um exemplo de motivação pertinente para uma revolta ? Aí vai :
    A profissional doméstica que trabalha em minha residência e que mora em Queimados na Região Metropolitana RJ, acorda às 4 h da manhã, embarca num trem que vem ao Centro, toma um ônibus e só chega em Laranjeiras, aonde resido, às 8 h. O custo mensal desse sufoco ( pago integramente por mim ) e que lhe toma 8 horas diárias, representa quase 30% do seu salário. Se isso ocorresse em outro país seria motivo de revolta popular !
    Onze anos do PT no governo e essa vergonha nos transportes continua. O incrível é que o PT, depois de mais de uma década no governo, passa a ideia de que não tem responsabilidade com isso. Se os rolezeiros, “coitadinhos,” expressam mesmo, como diz o PT tendo o idiota do Gilberto Carvalho à frente, uma revolta pertinente devido a alguma carência social, o PT, depois de mais uma década no governo, é responsável por ela ! Temos de ter clareza sobre isso, gente !

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