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MAL-ESTAR DIPLOMÁTICO

Ruralistas reagem a desconforto gerado com árabes

Ministra da Agricultura e ruralistas tentam contornar o mal-estar com países árabes gerado pelo governo para impedir prejuízos no setor agrícola

Ruralistas reagem a desconforto gerado com árabes
Ministra da Agricultura vai se reunir com 51 representantes de países árabes (Foto: Antônio Cruz/ABr)

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A tensão gerada pelo governo Bolsonaro com países árabes vem deixando em alerta a bancada ruralista no Congresso – que considera a parceria comercial com tais países crucial para o Brasil.

Na última terça-feira, 2, em entrevista ao programa Momento Agro, da rádio Mapa, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reconheceu que a decisão do governo de abrir um escritório de negócios em Jerusalém gerou desconforto na relação com países árabes e afirmou que o Ministério da Agricultura (Mapa) vai continuar os esforços para manter os canais de diálogo abertos.

Na entrevista, a ministra destacou a importância da relação com países árabes, que são grandes compradores de alimentos produzidos no Brasil.

“Na agricultura, temos um país que produz muito, o Brasil, e um mercado em que existe uma confiança entre a agricultura brasileira e os consumidores dos países islâmicos. E nós vamos continuar perseguindo esse bom entendimento, esse bom relacionamento com os árabes, com os muçulmanos, com quem gostamos muito de ter relações comerciais, no Ministério da Agricultura e com os produtos da agropecuária brasileira”, disse a ministra.

Tereza Cristina disse que se reunirá na próxima semana com representantes de 51 países árabes, num esforço para tentar contornar o mal-estar. Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participarão do encontro.

“A gente tem de estar preparado para tudo. Acho que o escritório de negócios é um meio-termo, não é a embaixada lá. A gente sabe do ânimo que existe na região, mas o Brasil é um país amigo de todos os países, e na área comercial temos um peso muito grande no mundo árabe, no mundo islâmico. Temos de continuar conversando. É claro que há um descontentamento. Mas nós da Agricultura temos de trabalhar pela agricultura. Vamos conversar, ouvir e continuar com essa abertura de diálogo que o Ministério da Agricultura sempre teve com esses países, que são compradores da produção brasileira”, disse a ministra.

Desde que foi eleito presidente, Bolsonaro vem promovendo a aproximação do Brasil com Israel e o distanciamento com países árabes. A nova postura, que vai de encontro com as posições históricas adotadas pelo Brasil, é temperada por questões ideológicas e pelo alinhamento ao governo dos EUA.

Em novembro do ano passado, logo após ser eleito, Bolsonaro concedeu uma entrevista ao jornal Israel Hayom, na qual se comprometeu a transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, a exemplo do que fez o presidente americano Donald Trump, em dezembro de 2017.

O anúncio gerou furor entre países árabes. Isso porque Jerusalém é uma cidade considerada sagrada por judeus e muçulmanos, um santuário para as três maiores religiões monoteístas do mundo: islamismo, cristianismo e judaísmo. Ela é reivindicada como capital por Israel e pela Palestina, que atualmente dividem a cidade. E a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém indicaria que o Brasil apoia o lado israelense, abandonando a defesa da solução de dois Estados historicamente apoiada pelo Brasil.

Porém, o movimento ameaça gerar prejuízos à economia brasileira e vem gerando descontentamento entre produtores agrícolas. Iniciou-se, então, um movimento para pressionar o presidente a desistir da mudança da embaixada. Uma saída diplomática encontrada foi substituir a mudança da embaixada pela abertura de um escritório de negócios em Jerusalém.

A questão se tornou um ponto nevrálgico para a diplomacia e a agricultura do Brasil e ganhou contornos ainda mais sensíveis após a interferência de um dos filhos do presidente no assunto.

Na terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) postou em sua cota oficial no Twitter uma mensagem contra o Hamas, principal movimento islâmico da palestina, que criticou a abertura do escritório em Jerusalém. “Quero que vocês se explodam”, escreveu Flávio Bolsonaro.

A mensagem – que foi apagada posteriormente – foi considerada a gota d’água para parlamentares ruralistas irritados com a interferência dos filhos do presidente em assuntos do Planalto.

Segundo apurou o portal Poder 360, o líder da bancada ruralista na Câmara, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), deixou a Casa na terça-feira esbravejando contra a atitude de Flávio Bolsonaro. “Chega dos meninos do Bolsonaro, não dá mais”, disse Moreira, ressaltando que “a paciência acabou”.

Mourão nega mal-estar

Na terça-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão disse a jornalistas desconhecer a existência de um mal-estar entre o Brasil e países árabes.

“Não tô vendo reação do mundo árabe. Eu vi uma reação pontual do Hamas, que detêm parte do poder da Autoridade Palestina, e é obvio que cada um tem sua opinião a respeito disso. O Brasil, representado pelo atual governo, tem a liberdade de escolher aquilo que julgar melhor”, disse Mourão, segundo noticiou o jornal Globo.

No entanto, o descontentamento de países árabes com as recentes ações do governo brasileiro é evidente – e já foi expresso em pelo menos quatro ocasiões. A primeira reação ocorreu em 3 de novembro de 2018, um dia após a entrevista de Bolsonaro ao Israel Hayom anunciando a transferência da embaixada. Na ocasião, a Liga dos Países Árabes – que conta com 22 países membros e é uma das principais parceiras comerciais do Brasil – divulgou um comunicado solicitando que Bolsonaro reveja seu posicionamento sobre a mudança da embaixada em Israel.

A segunda reação ocorreu dois dias depois, quando o governo do Egito cancelou uma visita oficial do então chanceler Aloysio Nunes ao país. A terceira reação veio em dezembro de 2018, quando a Liga Árabe enviou uma carta a Bolsonaro, alertando que a mudança da embaixada brasileira em Israel pode prejudicar as relações brasileiras com países árabes.

A quarta reação veio no último dia 31, pouco após Bolsonaro anunciar a abertura de um escritório em Jerusalém. A Autoridade Palestina  informou, em comunicado, a convocação de seu embaixador no Brasil em decorrência da decisão do governo brasileiro, classificada como “inoportuna”, “desnecessária” e “uma violação flagrante da legitimidade e das resoluções internacionais e uma agressão direta” ao povo palestino e aos seus direitos”.

O que está em jogo?

A parceria e o bom relacionamento do Brasil com países árabes são considerados cruciais por conta do peso da troca comercial.

O Brasil é atualmente um dos maiores exportadores do mundo de carne halal, cujo preparo é feito de acordo com os preceitos muçulmanos. Segundo a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), 45% de toda a carne de frango e 40% da carne bovina que o Brasil exporta levam o selo halal.

Além disso, a parceria comercial com países da Liga Árabe é muito mais vantajosa economicamente para o Brasil. Para ter uma ideia, somente em 2017, o Brasil registrou um superávit de US$ 7,1 bilhões em transações com países do bloco. Em contraponto, o país registrou um déficit de US$ 419 milhões em negociações com Israel.

Além disso, em janeiro deste ano, o Brasil registrou recorde na exportação para países árabes. Segundo dados divulgados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, as vendas do país à região somaram US$ 1,2 bilhão em janeiro.

A cifra representa um aumento de 18% em relação a janeiro de 2018, além do melhor desempenho par ao mês registrado nos últimos dez anos. Os itens mais vendidos foram a carne de frango, com US$ 174 milhões, milho (US$ 164 milhões) e açúcar (US$ 154 milhões).

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6 Opiniões

  1. Jairo Siqueira disse:

    Quando este governo deixará de criar problemas e se dedicará a resolver os graves problemas que temos na economia, na segurança, na saúde e na educação? Derrotar Lula e seus cúmplices na corrupção não é suficiente e não dá a Bolsonaro o direito de abusar indefinidamente de nossa paciência e inteligência.

  2. Almanakut Brasil disse:

    O Brasil não pode ficar refém de bloco como o BRICS, onde a maioria faz aliança é como belzebu da Venezuela, e também de questões religiosas e ideológicas por causa de um frango com o rabo virado para Meca.

    O Brasil fala o que para esses países árabes sobre os grupos terroristas, as leis deles e os direitos humanos que aqui seve para proteger criminosos?

    E o agronegócio mercenário poderia aquecer o mercado interno fornecendo alimentos para onde mais precisa.

  3. Fábio Rossano Gugik disse:

    Como sabemos, BOLSONARO assumiu o Governo Federal, apenas há tres meses.
    O PT esteve no Governo quase 15 anos ! Só roubou e deturpou o BRASIL ! Só !
    Ainda tem gente que defende os PTs….

    Querem que tudo se resolva da noite para o dia?
    Que tal estar no lugar do BOLSONARO e assumir seu papel, ou quem sabe até ao invés de criticar, e dar “MAZELAS”, de ter a vergonha na cara de que NOSSO PAÍS não admite imposição e ditadura emergencial como muitos querem.
    Só falta agora ter pena de morte!
    É só o que falta !!!
    Que tal ajudar ?
    É muito, mas muito fácil criticar !!!
    Fazer o que é bom, poucos fazem.

  4. Dinarte da Costa Passos disse:

    A grande verdade que os ruralista se merecem e é bom que se f* para aprender. Quando tinha um governo que buscava vender em massa para o mercado internacional eles chamavam de Gafanhoto da Agricultura. Empresários e ruralistas “encheram o rabo” de ganhar dinheiro no tempo do LULA e, ainda, ficaram reclamando agora que se f* com este Governo que trocou 850 milhões de consumidores árabes por 10 milhões de judeus que nem sequer vão comprar do Brasil. Vão querer vender armas e tecnologia.

    Parabéns para Israel, lá tem governo que defende a nação. E para o Brasil que se dane por que aqui quando tinha Governo os coxinhas fizeram panelaço. Agora que se arrebentem. Não venham reclamar comigo por que não sou culpado por esta torpeira que ai está.

  5. José Antonio Alves disse:

    A política do Presidente Bolsonaro com Israel e conseguir convênios de tecnologia agrícola para o desenvolvimento do agreste nordestino que é muito melhor em termos de biodiversidade do que o deserto de Israel que produz uma diversidade enorme de produtos alimentícios e com melhor qualidade e menor custo sem ter a abundancia de água que temos em nosso Nordeste. A maior parte da água utilizada em Israel é muito salgada e é dessalinizada com muita eficiência e um custo razoavelmente muito baixo. Quem não acredita, é só visitar nIsrael e verá com os próprios olhos e depois faça suas críticas.

  6. 3 disse:

    Ruralista cuida de cocô de vaca e sabugo de milho. Governo quem elege é o povo.

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