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Rusga pode complicar candidatura de Doria à presidência

Discussão com o ex-governador paulista Alberto Goldman complica situação de Doria poucos dias após uma pesquisa apontar queda em sua aprovação

Rusga pode complicar candidatura de Doria à presidência
Doria chamou Goldman de ‘fracassado’ que ‘vive de pijamas’ (Foto: Valter Campanato/ABr)

Os planos de João Doria de disputar a presidência nas eleições de 2018 se complicaram esta semana, após o prefeito paulistano se envolver em uma polêmica discussão com o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB-SP).

A discussão começou no dia 5 de outubro, quando Goldman publicou em sua página no Facebook, um vídeo no qual critica Doria por agir mais como pré-candidato à presidência do que como prefeito.

“Há nove meses inicou-se uma nova gestão em São Paulo. […] Nove meses se passaram, e o prefeito ainda não nasceu. A única coisa que nasceu foi um candidato à presidência da República. Esqueceu a prefeitura, não deseja ser prefeito, não lhe interessa ser prefeito, lhe interessa ser candidato à presidência. Viaja por todos os lugares, todos os estados […] e diz que está trazendo alguma coisa para São Paulo. Não está trazendo nada. Prefeito, não é. A cidade de São Paulo os moradores de São Paulo sabem disso muito bem. Vê como é que estão as ruas, os buracos das ruas. […] Iluminação pública em situação deplorável. […] Evidentemente não se vê em regiões mais ricas da cidade, mas se vê nas regiões mais pobres. É lá que se precisa da prefeitura, é lá que é preciso que o prefeito exista. É preciso que o prefeito assuma de uma vez por todas: o que ele quer? Quer ser candidato a outra coisa? Se quiser ser prefeito, comece a ser prefeito. […] Pare de simplesmente fazer cena para os meios de comunicação, desde se vestir de gari até manipular um carrinho de concreto uma vez por semana, uma vez de vez em quando, porque isso não é a função principal do prefeito”, diz Goldman no vídeo.

Goldman também critica as licitações feitas pela gestão Doria, que, segundo ele, são direcionadas, e finaliza o vídeo afirmando que Doria é um dos piores políticos que a cidade já teve. “Ele promove licitações e o Tribunal de Contas constata que em todas as licitações, e a última foi de varrição, que foi, inclusive, cancelada a licitação, todos os editais estão predeterminados para as empresas que já vão ganhar, todos são dirigidos, todas as licitações são dirigidas. Esse é o homem que se diz puro, limpo, gestor, que não tem nada a ver com os políticos. Ele é político sim, mas dos piores políticos que já tivemos aqui em São Paulo”, finaliza Goldman.

A reação de Doria veio dois dias depois e foi permeada de controvérsia. Em um vídeo publicado em sua página no Facebook e no Twitter, Doria acusou Goldman de viver na sombra de políticos como Orestes Quércia (morto em 2010) e José Serra e disse que o ex-governador é um “fracassado” que “vive de pijamas”. “Você, que é um improdutivo, um fracassado. Perdeu, inclusive, as três representações que você fez questão de protocolar no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, quando foi derrotado por mim nas prévias do PSDB. Aliás, você coleciona fracassos na sua vida. E agora vive de pijamas na sua casa. Fique com a sua mediocridade, que eu fico com o povo, Alberto Goldman. Enquanto você dorme, eu trabalho, Alberto Goldman”, disse Doria, que publicou o vídeo sem consultar assessores e aliados.

No mesmo dia, Goldman respondeu a Doria em outro vídeo postado no Faceboook. “João Doria publica um vídeo contra mim, em tom bastante raivoso, prepotente, arrogante, preconceituoso. Me acusa de velho. De fato, faço esta semana 80 anos, que é uma idade respeitável. Sou velho, mas não sou velhaco. Sou leal, tenho dignidade, respeitado e tenho compromisso com meu povo. Não tenho nenhum cargo público. […] Nunca usei meu mandato como trampolim para obter outro mandato. Não tive durante todos esses anos nenhum processo. Absolutamente limpo. Doria não responde a questão principal que eu coloquei no meu vídeo. O prefeito ainda não nasceu depois de nove meses em que ele tem o mandato”, diz Goldman.

A rusga entre Doria e Goldman acirrou o racha entre tucanos, que vêm se dividindo entre os que apoiam a candidatura de Doria e os que defendem a candidatura do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), com quem Doria disputa.

Nos bastidores tucanos, a resposta de Doria foi criticada até mesmo por auxiliares e defensores de sua candidatura. O motivo foi o fato de o prefeito paulistano chamar Goldman de “improdutivo” e dizer que ele “vive de pijamas”. Para aliados, a fala pode ser usada para desgastar Doria frente aos aposentados e aos desempregados, em uma eventual disputa presidencial ou interna do PSDB. Também preocupa os aliados o fato de a polêmica ocorrer dias após uma pesquisa do Datafolha apontar que a aprovação de Doria caiu de 41%, em junho, para atuais 32%.

Em contraponto, Goldman recebeu apoio do bloco tucano que defende a candidatura de Alckmin. Pessoas próximas e aliados do governador telefonaram para Goldman para expressar apoio. Serra também saiu em defesa do ex-governador, afirmando que “Goldman é um dos homens públicos mais preparados do país”. “É correto, dono de capacidade invejável de trabalho e de senso crítico rigoroso. Esteve sempre do lado certo. Merece todo o nosso respeito”, disse Serra ao jornal Folha de S. Paulo.

Em sua coluna publicada nesta terça-feira, 10, na Folha, a jornalista Mônica Bergamo afirma que há divergência entre os aliados e auxiliares de Doria sobre os rumos de sua pré-campanha presidencial. Uns acreditam que ele deve parar de viajar tanto; outros creem que ele deve intensificar as viagens.

Para o primeiro grupo, ao frear as viagens e se concentrar na prefeitura, Doria pode evitar mais desgastes e conter a queda nos índices de aprovação. Eles defendem a implementação de um segundo “choque de gestão”, já que os resultados do primeiro, feito no início de sua gestão, já teriam definhado.

Já o segundo grupo, acredita que as viagens devem ser mantidas e até intensificadas. Isso porque, segundo eles, não haverá outra chance para apresentar Doria como presidenciável, já que os partidos escolherão seus candidatos, no máximo, até o primeiro trimestre de 2018. “É agora ou nada”, disse um interlocutor de Doria, à coluna de Bergamo. Para este grupo, se der tudo errado, Doria ainda teria mais de dois anos para recuperar a imagem de bom prefeito.

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5 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    Quem é João Dória?

    Empresário paspalho, falastrão e demagogo.

    Um b…. que cismou de que pode ser Presidente do Brasil.

    Invencionice irresponsável de um grupo de irresponsáveis.

    O b…. do Bolsonaro pelo menos foi inventado por ele próprio.

    Dois estrupícios.

  2. Rogerio Faria disse:

    “Nasce um estrela”, digo, nasce mais um lixo no tucanato…

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    É DÓRIA, PERDESTE MEU VOTO.

  4. Geraldo Costa disse:

    João Dória foi muito infeliz em sua colocação, conseguiu agredir uma grande parte da população que consiste em pessoas da terceira idade, eu particularmente tinha admiração pelo Dória mais acabou fiquei extremamente decepcionado.

  5. olbe disse:

    Não sou paulista mas estava muito entusiasmada com o desempenho de João Doria mas estou completamente decepcionada com suas atitudes..está mais parecido com Bolsonaro, cruzes !!!!!

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