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ESPÍRITO OLÍMPICO

Saber perder é fundamental

Em um mundo fervilhando de ódio, aceitar a derrota com graça e dignidade é uma das maiores virtudes olímpicas

Saber perder é fundamental
Depois de perder o ouro para o brasileiro Thiago Braz, Renauld Lavillenie comparou o público brasileiro ao nazista (Foto: Twitter)

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Em um mundo de conflitos constantes uma coisa nunca muda: o espírito esportivo que leva atletas a aceitar a derrota com graça e dignidade.

Foi o que aconteceu quando o ucraniano Oleg Verniaiev fez uma apresentação impecável nas barras paralelas, tirando a medalha de ouro do americano Danell Leyva, que até então era o primeiro colocado.

Leyva não ficou ressentido. Ao contrário, ele apertou a mão de Verniaiev parabenizando-o pelo desempenho. “Ele não tirou nada de mim. Mereceu essa medalha mais do que  qualquer coisa”, disse Leyva a repórteres.

O mesmo ocorreu quando as corredoras Abbey D’Agostino, dos EUA, e Nikki Hamblin, da Nova Zelândia, protagonizaram uma das cenas mais marcantes dos Jogos nas eliminatórias dos 5 mil metros. Ambas caíram após se esbarrarem no meio da corrida. “Levante-se. Temos que terminar isso”, disse D’Agostino enquanto ajudava Hamblin a se levantar.

Depois, foi a vez de Hamblin  ajudar a americana, que torceu o pé. As duas chegaram amparadas uma na outra ao final da corrida. Sob aplausos do público, elas transformaram um desastre em um triunfo do espírito olímpico. “Não é incrível? Nunca vou esquecer esse momento. Daqui a 20 anos, quando alguém me perguntar como foi no Rio, essa vai ser minha história”, disse Hamblin .

Em um mundo onde pessoas perturbadas, fervilhando de ódio, atiram umas nas outras no Rio de Janeiro, esfaqueiam passageiros em trens europeus e atropelam famílias que comemoravam um feriado em Nice, na França, é extremamente reconfortante ver atletas de vários países se unirem para duas semanas de competições olímpicas, tratando uns aos outros com respeito.

Houve algumas exceções. Quando Renaud Lavillenie perdeu o ouro para o brasileiro Thiago Braz no salto com vara, reclamou da torcida, que vaiou sua atuação e torceu para Braz. Ele comparou os torcedores brasileiros ao público nazista que em 1936, durante os Jogos de Berlim, hostilizaram o atleta negro americano Jesse Owens. Ao fazer tal comparação de mau gosto Lavillenie, demonstrou pouco conhecimento da história.

A falta de respeito também estava presente quando o lutador de judô egípcio Islam El Shehaby foi enviado para casa pela delegação egípcia por ter se recusado a apertar a mão do rival israelense Or Sasson, que o derrotou na luta.

Talvez seja muito pedir que todos abracem o espírito olímpico esportivo. Mas a maioria dos atletas está comprometida a fazer isso, o que mantém esse nobre propósito vivo.

Fontes:
The New York Times-Column: Losing Gracefully Still an Olympic Sport

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