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Saída de Levy cria novo atrito entre Maia e o Executivo

Presidente da Câmara se diz 'perplexo' com o tratamento dado a Joaquim Levy, que classificou como um 'covardia sem precedentes'

Saída de Levy cria novo atrito entre Maia e o Executivo
Caso coloca Maia, mais um vez, em rota de colisão com o Planalto (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Mesmo após quase seis meses de governo Bolsonaro, o Congresso Nacional e o Poder Executivo ainda dão claros sinais de desentendimento.

No último domingo, 16, a o pedido de demissão do agora ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Joaquim Levy expôs uma nova crise.

Na última sexta-feira, 14, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), demonstrou que ainda estava insatisfeito com a atuação do Executivo – conforme já tinha feito em diferentes oportunidades. Na ocasião, Maia afirmou que “cada dia é um ministério gerando crise”. Em março, o projeto anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, já havia causado atrito com Maia.

Agora, Maia refere-se ao Ministério da Economia, comandado pelo ministro Paulo Guedes, que é considerado um “amigo” por parte do presidente da Câmara. Na sexta-feira, o parlamentar rebateu críticas do chefe da Pasta, afirmando que a reforma da Previdência estava blindada da “usina de crises” do governo Bolsonaro.

Na última semana, o relator da reforma da Previdência, o deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentou seu parecer sobre o texto proposto pelo Executivo. Com as mudanças propostas pelo relator, a economia gerada seria menor do que a do texto proposto por Guedes, o que gerou críticas do ministro ao Congresso. Guedes afirmou que os deputados cederam à pressão e “abortaram” a reforma.

Segundo Maia, as críticas uniram o Congresso pela reforma, que “não é mais do governo”, mas “nossa [Congresso]”, segundo o parlamentar. Porém, antes mesmo de solucionar o atrito causado pelas alterações feitas pelo parecer, a saída de Levy colocou Maia, mais uma vez, em rota de colisão com o Ministério da Economia.

Em entrevista ao Blog da Andréia Sadi, do portal G1, no último domingo, 16, Maia admitiu estar “perplexo” com o tratamento dado a Levy. Já nesta segunda-feira, 17, durante o Fórum Compliance e Democracia, organizado pela BandNews TV, Maia classificou a saída de Levy como uma “covardia sem precedentes” por parte do Ministério da Economia.

“Uma pena [o país] ter perdido um nome como o Joaquim Levy. Em especial, a forma como ele saiu foi uma covardia sem precedentes”, declarou Maia. “Não digo nem do presidente [Jair Bolsonaro], digo de quem nomeou, que é o ministro da Economia [Paulo Guedes]”, afirmou Maia.

Além disso, o parlamentar também admitiu ter ficado surpreso com o motivo pelo qual o Executivo estava pressionando Levy no cargo do BNDES. Em entrevista ao jornalista Gerson Camarotti, Guedes admitiu que o presidente, Jair Bolsonaro, havia ficado “angustiado” com a escolha de Levy por “nomes ligados ao PT”.

O nome em questão era de Marcos Pinto, diretor de Mercado de Capitais do BNDES. Diante da “angústia”, Marcos Pinto, que é mestre em Direito pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), deixou o cargo na noite do último sábado, 15.

Conflitos recentes

A posição crítica de Rodrigo Maia referente aos atos do Executivo tem colocado o parlamentar como o alvo favorito de eleitores bolsonaristas. Em diferentes oportunidades, o presidente da Câmara foi duramente criticado pelas redes sociais, inclusive pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Bolsonaro.

Sobre o projeto anticrime, Carlos Bolsonaro chegou a usar as redes sociais para questionar sobre “por que o presidente da Câmara anda tão nervoso?”. Maia, por sua vez, irritado com as insinuações, compartilhou uma postagem do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que apontava o presidente da Câmara como o “maior defensor” da reforma da Previdência.

Além de Carlos Bolsonaro, Moro e Guedes, Maia já esteve em conflito com outros integrantes da ala bolsonarista. No último mês de maio, por exemplo, o presidente da Câmara rompeu relações com o líder do governo na Casa, o deputado federal Vitor Hugo (PSL-GO).

Já no fim de maio, o conflito foi, mais uma vez, com o presidente Bolsonaro. Na ocasião, Jair Bolsonaro afirmou que “com a caneta” tem mais que o presidente da Câmara. Em resposta, Maia afirmou: “vamos ver o que eu posso assinar”, fazendo alusão à caneta Bic apontada pelo chefe do Executivo.

Nesta segunda-feira, Maia voltou a ser atacado por eleitores nas redes sociais. Através da hashtag “Reforma de um trilhão” (#ReformaDeUmTrilhão), os internautas se posicionam favoráveis à reforma da Previdência proposta pelo Executivo, e contrários às alterações feitas pelo Congresso Nacional. Em diferentes publicações, os internautas tecem críticas a Maia.

Leia também: Brasil caminha para ‘colapso social’, diz Rodrigo Maia

Fontes:
Uol-Demissão de Joaquim Levy do BNDES foi 'covardia sem precedentes', diz Maia

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