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MEIO AMBIENTE

Salles ‘cobra’ Greenpeace por não atuar contra óleo no Nordeste

Ministro posta vídeo ironizando a organização no Twitter, enquanto MPF chama de ‘ineficiente, inerte e ineficaz’ a atuação do governo frente ao desastre

Salles ‘cobra’ Greenpeace por não atuar contra óleo no Nordeste
Mais de 525 toneladas de óleo já foram recolhidas no Nordeste (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, compartilhou na manhã desta segunda-feira, 21, em sua conta no Twitter,um vídeo editado da ONG Greenpeace, no qual a entidade explica o motivo para não estar atuando no combate ao óleo no litoral nordestino. Na postagem, Salles ironizou a explicação da ONG.

Na gravação editada, o porta-voz do Greenpeace, Thiago Almeida, explica que a ONG não está atuando no combate ao óleo no Nordeste porque o trabalho exige “conhecimento e equipamentos técnicos específicos”. Ademais, afirma que a ação deve ser feita por instituições especializadas e órgãos competentes. Em seguida, aparece um vídeo com pessoas retirando o óleo com pás e luvas de borracha.

O vídeo editado, que não conta com todas as respostas do Greenpeace em relação ao derramamento de óleo, rapidamente ganhou as redes sociais. Apoiadores do governo criticavam a falta de posicionamento da ONG, enquanto críticos apontavam o risco para os voluntários nordestinos em atuarem na remoção do óleo sem conhecimento específico e destacavam a falta de ação governamental.

Grande parte também destacava que a responsabilidade de combater o óleo no Nordeste é do governo. Outros apontavam as críticas anteriores do governo federal em relação às ONGs, enquanto membros do poder executivo e legislativo cobram uma ação do Greenpeace em relação à poluição no litoral.

Apesar do vídeo editado compartilhado pelo ministro do Meio Ambiente, o Greenpeace explicou, no vídeo original, compartilhado no último dia 18 de outubro, que está atuando no combate às manchas de óleo com a ajuda de voluntários nordestinos.

“Nossos voluntários vêm trabalhando há algumas semanas, junto com instituições e órgãos competentes, no combate às manchas de petróleo em si. Os nossos grupos de voluntários do Maranhão e do Ceará também visitaram locais impactados, conversaram com a população, colheram depoimentos, fizeram imagens justamente para documentar tudo aquilo que está sendo afetado no meio ambiente, pessoas e economia das regiões”, destacou Thiago Almeida no vídeo.

Ações do governo

Até o momento, segundo um comunicado da Marinha do Brasil divulgado no último sábado, 19, já foram recolhidas mais de 525 toneladas de resíduos. Atuam nas ações fuzileiros navais, voluntários, marinheiros, agentes da Petrobras, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Pelo desconhecimento da origem do incidente, não se pode determinar por quanto tempo ainda persistirão as ocorrências de manchas no litoral do Nordeste, apesar de todo o esforço desenvolvido nesse sentido. Por isso, é fundamental que as equipes mobilizadas permaneçam alertas para a pronta atuação”, informou a Marinha.

As manchas de óleo atingem grande parte do litoral nordestino desde o dia 2 de setembro, impactando os oito estados que formam a região. Pelo menos 200 locais já foram atingidos em todo o litoral, segundo um levantamento do Ibama. Ao todo, 39 animais já foram afetados, dos quais 25 morreram. Entre os mortos estão cinco aves, um peixe, um réptil e 18 tartarugas marinhas.

No último dia 16 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente esclareceu, através de uma nota, que mais de mil homens, helicópteros, aviões e barcos estavam sendo empregados em ações para a contenção e retirada do óleo do litoral. Ademais, ressaltou que o problema é sem precedentes, não se tendo conhecimento ainda de como o óleo vazou – segundo o governo, o óleo é de origem venezuelana.

“Não há nenhuma demora de nenhum órgão. Todos estão trabalhando de maneira ininterrupta, desde o aparecimento da mancha no dia 2 de setembro. Não se poupou nenhum esforço. […] Medidas de contenção que podem ser pertinentes nos casos de acidentes em que são conhecidas as origens, não são necessariamente pertinentes nesse caso de poluição difusa como agora”, apontou Salles. As ações foram destacadas pelo presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Ações insuficientes

Para o Ministério Público Federal (MPF) nos nove estados do Nordeste, porém, o governo federal não está fazendo o suficiente, enquanto a União está sendo “omissa ao protelar medidas protetivas”.

“Não obstante a extrema gravidade do desastre ambiental, com todos os dados e impactos demonstrados, e ainda a decretação de emergência pelos Estados de Sergipe e da Bahia, fato é que a União se mantém omissa, inerte, ineficiente e ineficaz. Não há, pois, razão plausível mínima para não se implementar, de imediato, o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional. É, pela legislação e pelos fatos reais, medida que se impõe”, apontou o MPF.

O Ministério Público pede, na Justiça, que a União acione em 24 horas o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC). Para cada dia que o plano não for acionado, uma multa de R$ 1 milhão será aplicada. O documento do MPF foi assinado por procuradores da República dos nove estados do Nordeste.

O PNC foi instituído em 2013, através de um decreto do governo da então presidente Dilma Rousseff. O documento detalha responsabilidades, diretrizes e procedimentos que o governo deve adotar para combater vazamentos de petróleo, com o objetivo de minimar danos ambientais.

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4 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    E o MPF, não tendo nada mais a fazer, multa o Governo em valores que serão entregues ao próprio governo multado. Hilário, esse pessoal…

  2. Luiz Carvalho disse:

    É impressionante como o tal do Salles só diz bobagem. Será que ele realmente acha que o Greenpeace é mão-de-obra do governo Bolsonaro? Será que ele sabe qual é o DEVER do executivo? Será que ele sabe que não está cumprindo seu papel?

  3. Jota Batista disse:

    Como eu, como certamente diversos cidadãos que votaram no atual presidente, estou muitíssimo decepcionado.
    Queimadas de um lado; meninos falando o que não deve, ora querendo morar nos Estados Unidos pra assar hamburguer, ora brigando pelo brinquedinho do amiguinho, ora sendo deselegante com uma mulher de fibra; óleo contrastando com as águas azuis-esverdeadas ou verdes-azuladas das praias do Nordeste, e o governo… Governo? Que governo?

    Eu sabia que, cedo ou tarde, esse corte ideológico que dei no PT iria me custar caro, só não imaginei que fosse tão rápido.
    Se o Brasil passa atualmente por essas questões hilárias, tudo é graças ao PT. Se seus representantes e aliados não tivessem feito “mau feitos”, com toda certeza, eu e outros teríamos optados por outra bandeira partidária.
    Espero que tudo se resolva sem piorar muito, porque melhorar, possivelmente, só daqui a 4 anos. Espero!

  4. Linda Tibilise disse:

    Estranho também foi a ausência destas ONGs nos desastres ambientais de Mariana e Brumadinho. O foco deles é só a Amazônia? Por que será?

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