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GOVERNO E A ALA MILITAR

Santos Cruz vira alvo de Bolsonaro

Entrevista na qual defendeu uso disciplinado das redes sociais fez o ministro virar alvo de ataques de bolsonaristas e até do próprio presidente no Twitter

Santos Cruz vira alvo de Bolsonaro
Em reunião com Bolsonaro, Santos Cruz disse ser alvo de um ataque coordenado (Foto: Fabio Pozzebom/ABr)

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O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto Santos Cruz, virou alvo de ataques por conta de uma entrevista na qual defendeu o uso disciplinado das redes sociais.

O cerne do imbróglio foi uma entrevista dada por Santos Cruz em abril deste ano, à Rádio Jovem Pan. Na entrevista, o ministro disse que a legislação deveria ser aprimorada em relação às redes sociais para evitar que as mesmas se tornem uma “arma nas mãos de grupos radicais”.

“Isso tem de ser feito. Mas tem de usar com muito cuidado, para evitar distorções, e que vire arma nas mãos dos grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra. Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar”, disse o ministro na entrevista.

Apesar de a entrevista ter sido concedida há mais de um mês, a fala de Santos Cruz circulou nas redes sociais no último fim de semana, replicada por seguidores do ideólogo de extrema-direita Olavo de Carvalho, o que levou a ascensão da hashtag #ForaSantosCruz no Twitter ao longo do fim de semana.

O caso culminou no próprio presidente da República postando em sua conta no Twitter uma postagem na qual, sem citar diretamente Santos Cruz, disse rejeitar qualquer regulamentação da mídia ou das redes sociais.

Logo após a postagem de Bolsonaro, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também se manifestou sobre o assunto.

“O que não queremos para nós também não podemos desejar para os outros. Mesmo ao falar de uma fake news contra Bolsonaro sempre defendemos a não regulamentação da internet ou da imprensa. A melhor pessoa para fazer esse filtro é você. Assim também fizeram Chávez e Maduro na Venezuela. Resultado: diversas imprensas foram fechadas ou saíram do país (sic). Toda ditadura controla os meios de comunicação sob o pretexto de ‘melhorá-los’, ‘democratizá-los’ ou de barrar fake news e crimes de ódio”, escreveu Eduardo.

Um dia antes, Eduardo havia criticado, em duas postagens no Twitter, a decisão do Facebook de banir perfis de extrema-direita acusados de difundir conteúdos de ódio. Em uma das postagens, Eduardo replica um tuíte do presidente americano Donald Trump criticando os veículos Washington Post, New York Times, CNN e MSNBC.

Outros que se manifestaram sobre a fala de Santos Cruz foram o filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro.

Por meio de sua conta no Twitter, Carlos destacou que a internet foi o que trouxe seu pai à presidência.

Já Moro respondeu ao presidente afirmando que, se Bolsonaro não tivesse sido eleito, o Brasil estaria hoje “sob controle social da mídia e do Judiciário”.

“No ponto, bom lembrar que não fosse a vitória eleitoral do Pr Jair Bolsonaro, estaríamos hoje sob ‘controle social’ da mídia e do Judiciário e que estava expresso no programa da oposição ‘democrática’. Aliás, @jairbolsonaro reafirmou hoje o compromisso com a liberdade da palavra”, escreveu o ministro.

A postagem de Moro foi respondida pelo deputado federal Rui Pimenta, lidera da bancada do PT no Congresso, que, em uma série de sete postagens, ironizou a fala “compromisso com a verdade” em uma série de postagens nas quais expôs episódios em que Bolsonaro vetou a veiculação de comercial, compartilhou texto falso para atacar jornalista e barrou veículos de comunicação em coletiva de imprensa.

Em meio à discussão, os ataques a Santos Cruz continuaram e o ministro se reuniu com Bolsonaro na noite de domingo, no Palácio da Alvorada, para tratar do assunto. Segundo noticiou o jornal Globo, Santos Cruz se queixou de que os ataques dirigidos a ele não eram fruto de um ato espontâneo, mas sim uma ação coordenada, que contava com a participação dos filhos do presidente, do chefe da Secretaria de Comunicação, Fábio Wajngarten, e de assessores ligados a Olavo de Carvalho.

Segundo um auxiliar que participou da reunião, Bolsonaro disse que o ministro estaria se desviando do foco central da discussão, que seria o controle das redes sociais, e se irritou com o fato de Santos Cruz não admitir que estava errado em sua fala na entrevista à Jovem Pan.

Nesta segunda-feira, 6, o general Eduardo Villas Bôas saiu em defesa de Santos Cruz, em uma postagem no Twitter, na qual chamou Olavo de Carvalho de “Trótski de direita”.

Além disso, o próprio Olavo de Carvalho entrou na discussão, disparando nesta manhã uma série de tuítes com ataques ácidos a Santos Cruz.

Rachas anteriores

Esta não é a primeira vez que ocorre um impasse entre a ala militar do governo e bolsonaristas. Em abril, Carlos Bolsonaro iniciou uma onda de ataques ao vice-presidente Hamilton Mourão, a quem acusa de orquestrar um golpe para depor seu pai da presidência. Na ocasião, o vereador divulgou um vídeo de Olavo de Carvalho, no qual o ideólogo acusava os militares de entregar o país aos comunistas. Mourão respondeu às declarações afirmando que Olavo deveria “se limitar à função que ele desempenha bem, que é de astrólogo”.

No início deste mês, um novo mal-estar foi gerado, após Bolsonaro enviar um recado à ala militar, afirmando que qualquer decisão sobre a Venezuela  seria decidida “exclusivamente” por ele.

Além disso, houve impasse entre a ala militar e ala composta por olavistas no governo, durante a disputa interna no MEC, que culminou com a demissão de Ricardo Vélez.

Apesar do imbróglio, Santos Cruz segue no governo e cumpriu nesta segunda-feira, 7, agenda em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde acompanhou trabalhos de atendimento de saúde à população indígena na fronteira. 

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4 Opiniões

  1. Henrique Oswaldo Motta disse:

    Eu, e certamente 99% da população brasileira JAMAIS havia ouvido falar em Olavo de Carvalho. Pena que não nos tenha sido dada a oportunidade de assim permanecer. Apesar de a tal não estar obrigado, em razão da idade, fui votar contra o PT como tantos milhões de brasileiros, fazendo valor meu voto na única outra opção, qual seja o Sr. Bolsonaro. O julgava melhor, que a dúvida não me venha, mas para tanto Sr. Presidente, pare de escutar quem não tem postura nem compostura, e governe com sobriedade, serenidade e decência, apoiando-se naqueles que querem um Brasil melhor, o que certamente não é o caso do “astrólogo” que se apresenta como seu “gurú”. Prestigie quem tem bom senso e o aplica. O Gal. Santa Cruz não disse nada de mais. A liberdade de expressão é uma garantia constitucional, seja ela pela mídia eletrônica ou outros meios, mas nem por isso devem ocorrer excessos. O direito de um termina quando começa o do outro e assim por diante. Regulamentação, em países democráticos, não quer dizer “censura”, mas sim regras de coexistência.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Me pediram para definir Olavo de Carvalho em 3 palavras. Não achei difícil: 1/3 gênio, 1/3 charlatão e 1/3 paranoico. Depois da eleição de Bolsonaro, o gênio feneceu, o charlatão se escondeu e o paranoico tomou conta da mente do Rasputin da Virgínia.

  3. Angela Cardoso disse:

    Concordo com o Sr, Henrique O. Mota. O povo na verdade quando votou no Bolsonaro votou na verdade na volta da solidez,da seriedade e da competência das Forças Armadas.E estou começando a achar que o Presidente está deixando muita gente pegar essa onda.Nos precisamos de solução não de tumulto , manda esse velho (astrólogo) ficar na dele e deixa os outros trabalharem.

  4. Benedito Duarte disse:

    Vejo um Olavo de Carvalho, mais preocupado em apontar erros, criar intrigas, gerar divergências, fazer críticas ácidas, do q realmente produzir ou ajudar com algo realmente produtivo para o governo.
    Se realmente se acha tão entendedor, competente e superior, deveria aceitar um cargo no governo e colocar o q pensa ser seus valiosíssimos conhecimentos e serviços ao dispor da nação.
    Se não for para fazer ou oferecer algo de realmente positivo, ficar nos bastidores fazendo fofoca e apontando dedo aos demais, não será de boa valia a ninguém, aliás, seguirá sendo ótimo para a oposição.
    Essa picuinha parece coisa de juvenis…
    Ver um Olavo xingando militares e desfazendo de todos; ver filhos de Bolsonaro perdendo a compostura por verdadeiras bobagens; ver Bolsonaro perdendo tempo e gastando energia administrando disse-me-disses… nos faz desanimar em ver algo realmente transformador e grande nesse governo.

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