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Imigrantes haitianos

São Paulo cogita levar Acre à OEA por envio de haitianos

Para São Paulo, Acre violou a dignidade dos imigrantes ao enviar 400 haitianos para o estado sem avisar ao governo para se preparar para lidar com a situação

São Paulo cogita levar Acre à OEA por envio de haitianos
Em São Paulo, imigrantes dormem em alojamento e fazem uma refeição por dia (Reprodução/Internet)

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A secretária de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, Eloisa de Souza Arruda, cogita denunciar o Acre à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), por enviar a São Paulo imigrantes haitianos sem comunicar previamente ao governo.

Nas últimas duas semanas, cerca de 400 imigrantes haitianos foram enviados a São Paulo pelo governo acreano. Sem local de hospedagem previsto, os imigrantes estão alojados na sede da Pastoral do Migrante da Igreja Católica, localizada no Centro de São Paulo. Eles fazem apenas uma refeição por dia e dormem no chão do alojamento.

Segundo Eloisa, a ação do governo acreano foi uma “violação à dignidade” dos imigrantes. “Um deslocamento humano dessa proporção precisa ser combinado antes”, disse a secretária.

Troca de farpas

O secretário de Justiça do Acre, Nilson Mourão, ironizou a declaração de Eloisa. “São Paulo deveria se preocupar com a falta de água. Vou passar a dar uma garrafa de água para cada imigrante, porque sei que há falta de água em São Paulo”, disse o secretário, em referência à crise no abastecimento de água de São Paulo.

Mourão também acusou a secretária de racismo. “Ela está preocupada com 400 imigrantes negros e pobres. Se fossem europeus brancos, os receberia no tapete vermelho”, disse Mourão.

O governo de São Paulo declarou que Eloisa em momento algum questionou a vinda dos imigrantes haitianos, mas sim a forma como o transporte foi feito, sem avisar a Prefeitura e o estado para que pudessem se preparar para lidar com a situação.

Fontes:
Estadão-SP ameaça levar Acre à OEA contra envio de haitianos

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8 Opiniões

  1. Epaminondas Taveira da Silva disse:

    Esses gestores são uns burros. A imigração dos haitianos é de competência da União, portanto basta São Paulo colocá-los num ônibus e mandá-los para Brasília.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    São Paulo tem uma tradição centenária no acolhimento de estrangeiros. Milhões de brasileiros tem seus antecedentes na Hospedaria do Imigrante da Mooca. Portanto, tem razão a secretária Eloísa Arruda em criticar o governo do Acre, cujo comportamento é o de transformar os haitianos em um acampamento do MST e promover seu deslocamento como quem comanda a invasão de uma fazenda chamada estado de São Paulo. São os mesmos métodos de total descaso para com os refugiados. O governo Tião Viana não vale um cavalo velho.

  3. helo disse:

    Por que o Acre não acolhe e envia os haitianos para São Paulo? Por que os envia com tanto descaso? Seria por racismo?

  4. Cristina Abramovitch Lacerda disse:

    Manaus está cheia de haitianos. Falam francês (creole), ingles, espanhol; e muitos falam um bom português. Já os vi fazendo matrícula na universidade. Não causam problemas. Por mim poderiam vir todos, tem espaço.

  5. Rafael Sarnelli Lopes disse:

    Calma…é apenas o “jeito PTista de governar” : por baixo dos panos, imoralmente, ilegalmente. Estão acostumados a lidar com “direitos humanos” de bandidos o facínoras e aí aparecem imigrantes em busca de refúgio, abrigo e proteção, desarmados e sem crimes nas costas…e aí o PT não sabe como proceder, E FAZ MER..!!!

  6. Antonio Celso Cardoso disse:

    Porque a escolha por São Paulo? Tá na cara que envolve disputa política em época de eleição. O governo petista do Acre remetendo haitiano para o governo PSDB de São Paulo, cujo assunto é da alçada do governo federal.

  7. Jorge Christian Rodrigues Cunha disse:

    No meu próprio blog eu já coloquei minha posição acerca do tema imigração. Se os haitianos que aqui chegam têm ficha limpa, sem antecedentes criminais, minha opinião é que sejam aceitos, sim. Para os que foram processados por qualquer razão, ainda que no Haiti já tenham cumprido sua pena, eu defendo deportação imediata, sem burocracia, sem delongas, e sem demora. Claro que haverá juristas defendendo o ponto de vista de que “o réu já pagou sua dívida para com a sociedade”, e que ele tem restituído seu “direito de ir e vir”. E tem mesmo: em seu país de origem ele pode ir e vir para onde quiser (e não importa aí se o estrangeiro vem do Haiti ou da Noruega). Mas não aceito, em nenhuma hipótese, que se queira enxotar quem nunca fez nada. Quanto àquele argumento hipócrita de que “precisamos de mão de obra qualificada”, isso acaba sendo um pretexto para se promover uma política de branqueamento, de triste memória na nossa nação. Acaso os milhões de brasileiros que estão espalhados mundo afora são, todos eles, profissionais altamente qualificados? Se esse princípio fosse aplicado aos nossos patrícios, se fossem eles mandados de volta da noite para o dia? Reconheço que o governo do Acre, no mínimo, foi escandalosamente incompetente no gerenciamento da situação, mas faço coro com o secretário de Justiça daquele estado: São Paulo, que acolheu sem reclamar vários milhões de portugueses e italianos, não se manifestaria se os 400 recém-chegados, ao invés de haitianos, fossem europeus.

  8. Mauricio Fernandez disse:

    O caso aqui é bem mais complexo e trata da composição de uma matriz política e social e da qual alguns estão proibidos de falar e outros não querem falar. É a questão das castas. Não é mais possível afirmar-se que algo acontece em função da cor da pele. Existem outros complementos, culturais; usos e costumes e, aparência de referência. Para os pobres haitianos o Brasil é o paraíso mesmo sendo tratados como animais e alimentados como porcos no Estado do Acre conforme os noticiários. Mesmo assim aqui é melhor do que lá no Haiti, e sonham os haitianos em trabalhar em qualquer coisa e fazerem aquilo que ninguém mais quer fazer. A construção civil assim como determinados setores passam por uma crise violenta de mão-de-obra por conta de ser mais fácil e lucrativo assaltar do que pegar no pesado. Os haitianos apontam como uma solução rápida e de baixo custo. Por outro lado, encobrem uma série de ações por parte do governo que articula interesses pouco republicanos com o ingresso no país de verdadeiras ‘ondas’ de estrangeiros com perfil contrário ao dos haitianos. No Brasil o sotaque e a mordaça continuam a fazer história aplicados por Silvas, Joãos, Tiãos e muitos outros.

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