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RELATÓRIO DO COAF

Saques de ex-assessor de Flávio Bolsonaro foram precedidos de depósitos de valores similares

Movimentação sincronizada, feita em dinheiro vivo, indica uma conta de passagem na qual o real destinatário não é o titular

Saques de ex-assessor de Flávio Bolsonaro foram precedidos de depósitos de valores similares
Uma das hipóteses aponta que Queiroz era responsável por recolher parte do salário dos servidores (Foto: Facebook)

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Os saques de maiores valores feitos por Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), foram precedidos de depósitos com valores similares, geralmente feitos na véspera.

De acordo com o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), somente em 2016, Queiroz realizou 176 saques, que somaram quase R$ 325 mil. Desse total, 50 foram acima de R$ 2 mil reais. Apenas um saque superou R$ 10 mil reais – valor que automaticamente aciona o Coaf.

Segundo apurou o jornal Folha de S. Paulo, na maioria dos casos, os saques foram precedidos de depósitos feitos em espécie. Entre os dias 16 e 17 de fevereiro daquele ano, por exemplo, Queiroz fez três saques de R$ 5 mil. A movimentação foi acompanhada de cinco depósitos, feitos entre os dias 15 e 17 daquele mês, que totalizaram R$ 15,3 mil.

A mesma movimentação sincronizada é observada em outras transações, feitas em dinheiro vivo. Tal sincronia de saques e retiradas configuram uma conta de passagem, na qual o real destinatário não é o titular da conta. O uso de dinheiro vivo reforça esse indício e, segundo o entendimento de procuradores, policiais federais e auditores fiscais, tem como objetivo ocultar destinatário ou remetente.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) instaurou uma investigação com base no relatório do Coaf, que cita membros do gabinete de 22 deputados estaduais, entre eles, Flávio Bolsonaro.

Uma das hipóteses levantadas é que Queiroz era responsável por recolher parte do salário dos servidores. Esta prática é ilegal e comum entre membros do Legislativo. O dinheiro recolhido dos salários costuma servir para custear campanhas políticas ou ser entregue ao titular do gabinete.

Segundo o Coaf, a conta movimentada por Queiroz recebeu repasses de sete servidores. Entre eles, está a esposa de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar – que desde março de 2007 era lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro, com um salário bruto de R$ 9.835 – e Nathália Melo de Queiroz, filha de Queiroz, que também era lotada no gabinete do deputado desde 2011, com um salário de R$ 9.835. Antes disso, entre 2007 e 2011, ela passou pelo gabinete da vice liderança do PP, partido de Flávio Bolsonaro, na época, com salário de R$ 6.490. Uma segunda filha de Queiroz também era lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Entenda o caso

O caso envolvendo o relatório do Coaf veio à tona na semana passada. Ligado ao Ministério da Fazenda, o Coaf tem como principal missão o combate à lavagem de dinheiro. Na semana passada, um relatório divulgado pelo órgão apontou que sete servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que passaram pelo gabinete de Flávio Bolsonaro, fizeram transferências bancárias para uma conta mantida por Queiroz, entre 1º janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. A movimentação atípica somou R$ 1,2 milhão e incluiu um depósito de R$ 24 mil na conta da esposa de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro.

No relatório, o Coaf informou ter detectado as movimentações porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” de Queiroz.

Uma reportagem publicada no jornal Globo nesta terça-feira, 11, revelou que Queiroz e sua família moram em uma casa simples, que fica em uma viela no bairro da Taquara, zona Oeste do Rio de Janeiro.

A repercussão do relatório do Coaf mudou a rotina no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Geralmente aberto ao público, ele passou boa parte da tarde da última segunda-feira, 10, de portas trancadas.

 

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