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Queda na produção

Setor automotivo pede socorro

Demissões em massa, queda na produção e fechamento de concessionárias afetam o setor, que busca aumentar as exportações para compensar as perdas no Brasil

Setor automotivo pede socorro
Consumidores que estão cortando os gastos não estão dispostos a gastar com a compra de carros (Foto: Flickr)

O setor automotivo brasileiro passa por um momento de crise. Segundo um levantamento divulgado no início deste mês pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de veículos no Brasil caiu 18,5% neste semestre em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo os cálculos da Anfavea, “foram 1,27 milhão de carros produzidos este ano contra 1,56 milhão no ano anterior”. A queda na produção é reflexo da crise financeira que reduziu o consumo das famílias. Somado a isso está o fato de o Brasil ter o carro mais caro do mundo. Para se ter uma ideia, enquanto um Toyota Corolla é vendido a US$ 21.658 na Argentina e US$ 15.450 no EUA, no Brasil ele custa US$ 37.636. O alto preço do carro no Brasil já chegou a ser alvo de uma campanha de boicote nas redes sociais, que convocavam os consumidores a não comprar carro este ano. As montadoras, no entanto, justificam o alto preço pelo Custo Brasil.

Reflexos na economia

A queda na venda de veículos já atingiu o mercado de trabalho. Segundo Alarico Assumpção Junior, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), até abril deste ano, as montadoras já demitiram 3,6 mil pessoas, e o número continua a subir. Outras 12 mil pessoas perderam o emprego por conta do fechamento de 250 concessionárias, que com a crise e a queda na produção, passaram a vender muito menos. Segundo a Anfavea, por todo o país, 36,9 mil empregados do setor estão em regime de lay-off, quando o contrato de trabalho é temporariamente suspenso.

Para contornar o problema, o governo lançou no final do mês passado o Plano Nacional de Exportações (PNE), que inclui medidas de estímulos à exportação para outros países, como a redução do Imposto de Importação e o uso de recursos de bancos públicos para financiar o segmento do autopeças. Com o plano, o governo pretende apoiar o setor durante a crise e evitar as atuais demissões em massa.

Na última quinta-feira, 9, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, e representantes de montadoras se reuniram com os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e representantes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BNDES.

Na reunião, os representantes do setor automotivo cobraram do governo agilidade na elaboração de medidas para ampliar as exportações. “Nós estamos pedindo ao governo que acelere a realização de vários acordos de comércio com países como Colômbia, Peru, Uruguai, para que nós possamos fazer como aconteceu com a negociação com o México. Em março nós fizemos a prorrogação do acordo com o México e nesse primeiro semestre nós já aumentamos as nossas exportações em 70% do Brasil para o México”, disse Moan.

Este ano, dados divulgados pela organização internacional de montadoras (Oica, na sigla em francês), mostrou que o México superou o Brasil como maior produtor de veículos da América Latina. O Brasil fechou 2014 com 3,14 milhões de veículos produzidos, contra 3,36 milhões do México. Para este ano, a Anfavea estima uma melhora, com a produção de 3,27 milhões de veículos, um aumento de 4,1%. O número, no entanto, não será suficiente para retomar a liderança, e a expectativa é de que a produção no México continue a aumentar.

Fontes:
O Globo-Metalúrgicos lamentam demissões e lay-off em montadoras do ABC
G1-Brasil perde para México e agora é 8º em ranking de produção de veículos
G1-Anfavea cobra agilidade em medidas de estímulo às exportações
UOL-Brasil tem carro mais caro do mundo; veja comparações
Gazeta do Povo-Demissões em montadoras podem respingar em concessionárias, diz Fenabrave

3 Opiniões

  1. Daniel disse:

    Vamos acordar povo! Percebam que temos dois problemas ai, impostos elevados e principalmente má vontade dessas montadoras. Não aguento mais ver o governo socorrendo esses !!???¨&&!. Venda de carro diminuiu, há culpa do governo que enfia a faca nos impostos! Tem que tirar imposto para eles poderem vender mais! E margem de lucro, ninguém pensa em diminuir!? Não podem diminuir isso? Melhor não né, vai que o povinho burro desse país percebe que temos uma margem 3 vezes maior que em qualquer outro país do mundo!
    É sempre o governo que tem que se meter! Meu sonho é ter uma empresa dessas, fabrico um produto excelente lá fora, vendo pela metade do preço, claro, se for vender caro ninguém compra, enquanto que aqui eu triplico a minha margem de lucro, produzo o mesmo modelo que faço lá fora, mas tiro alguns opcionais básicos como “pontos de solda”, afinal, povinho daqui só olha se a roda brilha e se tem adesivo colorido, vou olhar crash test para quê? Dai se o mercado ficar ruim, basta cortar uns postos de trabalho que o governo tira meu impostos e eu volto a vender mantendo a minha margem de lucro! Negócio da China, só não é melhor que abrir igrejas e fazer parte da bancada deles em Brasília! Um dia eu fico esperto, enfio meus princípios no rabo e me alisto numa bocadinha dessas!

  2. anon disse:

    De acordo com a sugestão do Felipe, por quê o Brasil não pode ter um preço competitivo e também visando competitividade interna, a solução está na reforma dos impostos!

  3. Felipe disse:

    Quem sabe se o governo diminui-se o valor dos impostos que são taxados nos carros fabricados no Brasil e oferece-se uma desconto para que as montadoras vendessem os carros com um valor justo essa situação não estaria acontecendo.

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