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Comportamento

‘Síndrome do Regresso’: brasileiros sofrem ao retornar ao país

Itamaraty lançou o 'Guia de Retorno ao Brasil' com objetivo de ajudar expatriados com as dificuldades de reintegração

‘Síndrome do Regresso’: brasileiros sofrem ao retornar ao país
Cerca de 20 por cento dos brasileiros que residiam nos EUA voltaram para o país (Reprodução/Internet)

A crise dos países desenvolvidos tem levado muitos brasileiros que moravam no exterior a voltar para o Brasil. De acordo com o Itamaraty, 20% dos brasileiros que residiam nos EUA e um quarto dos que estavam no Japão voltaram para o país desde o começo da crise, em 2008.

Os dados de 2011 sobre a população expatriada saem no final de março e devem elevar ainda mais esses números. Para atender aos brasileiros que voltam ao país, o Itamaraty lançou o “Guia de Retorno ao Brasil”. O objetivo é ajudar os expatriados com dificuldades, desde a reintegração no mercado de trabalho a compra da passagem de volta. O guia será distribuído nas embaixadas.

A volta para o Brasil pode gerar depressão, ou a “síndrome do regresso”, assim chamada pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa para designar a aflição de ex-imigrantes. Morto em 2011, Nakagawa estudou a decepção dos brasileiros que retornavam ao Brasil depois de trabalharem em fábricas no Japão. De acordo com a psicóloga e coordenadora do projeto de reintegração, Kyoko Nakagawa, viúva do psiquiatra, a adaptação a um país diferente demora em torno de seis meses, enquanto a readaptação em seu país de origem demora dois anos.

Ao sair do país, o imigrante se preocupa em amenizar o choque cultural, já em sua volta para casa essa preocupação não existe. Segundo a psicóloga e coordenadora do projeto de Orientação Intercultural da Unifesp, Sylvia Dantas, o retorno é uma nova imigração: “A sensação é de que perdemos o bonde, estamos por fora do que deveríamos conhecer como a palma da mão”, disse.

Para amenizar o estranhamento da volta para casa, a analista de marketing Natasha Pinassi, 34, se apegou aos amigos que fez durante a viagem de um ano para a Austrália: “Em pouco tempo no Brasil percebi que deveria ter feito minha vida na Austrália. Já não via graça nas pessoas e nos lugares que frequentava antes. Só conversava com brasileiros que conheci no exterior”. Segundo Natasha, que chegou a tomar antidepressivo, a família não colaborou com seu estado emocional: “Não pude falar o que sentia. Eu me culpava por estar sofrendo enquanto meus pais estavam felizes com minha volta”, afirmou.

A síndrome do regresso não é exclusiva para os brasileiros. De acordo com a professora de antropologia da Faculdade Santa Marcelina, Caroline Freitas, os imigrantes em geral têm o sentimento de que o país que deixaram não é o mesmo de quando eles voltam.

A dificuldade da família para compreender o sentimento do imigrante é um empecilho para a reintegração. Amigos e parentes consideram uma atitude esnobe a reclamação da pessoa que retorna. Para Nakagawa a paciência é primordial no processo de readaptação: “Há uma pressão para que a pessoa ‘se divirta’. Na melhor das intenções, os amigos não respeitam o tempo do viajante”.

Caso o viajante demore a se recuperar, o ideal é a procura por ajuda de um profissional, como um psicólogo com formação intercultural.

Fontes:
Folha.com - De volta ao país, brasileiros sofrem 'síndrome do regresso'

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