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'THE INTERCEPT'

Site revela troca de mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato

Site ‘Intercept Brasil’ divulga mensagens trocadas via aplicativo que indicam que Moro orientou ações de procuradores em assuntos investigados pela Lava Jato

Site revela troca de mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato
Caso repercutiu na opinião pública, ganhando os nomes de 'Vaza Jato' e 'WikiLeaks de Curitiba' (Fonte: Tomaz Silva e José Cruz/ABr)

Reportagens publicadas na noite do último domingo, 9, pelo site “The Intercept Brasil” revelam que procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato trocaram mensagens com o ex-juiz federal Sérgio Moro sobre assuntos investigados.

De acordo com a série de reportagens, o atual ministro da Justiça e Segurança Pública teria orientado as investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas com procuradores pelo aplicativo Telegram.

O “Intercept” informou que recebeu de uma fonte anônima as mensagens trocadas entre membros da operação e entre o procurador da República Deltan Dallagnol e Sérgio Moro.

Ainda de acordo com o site, as conversas indicam que Moro orientou ações, deu conselhos e pistas informais, sugeriu recursos ao Ministério Púbico e que Dallagnol trocasse a ordem de fases da operação, e também antecipou decisão que ainda não tinha tornado pública.

Em uma das mensagens, Dallagnol afirma ter dúvidas sobre as provas colhidas para afirmar que o triplex do Guarujá, de fato, pertencia a Lula.

“Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornais e indícios frágeis. Fora isso, tenho receio da ligação entre Petrobras e o enriquecimento”, escreveu Dallagnol.

Em outra mensagem, trocada em dezembro de 2016, Dallagnol informa Moro que a delação de executivos da Odebrecht inclui nove presidentes, 29 ministros, 34 senadores, 82 deputados federais e 63 governadores. Moro, então, recomenda ao procurador: “Opinião: melhor ficar com os 30% iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e do Judiciário”.

O caso repercutiu na opinião pública, ganhando os nomes de “Vaza Jato” e “WikiLeaks de Curitiba”. Ministros do Supremo Tribunal Federal ponderam que a revelação deixou próxima de zero a possibilidade de Moro ser indicado para o tribunal.

Em nota, o Ministério Público do Paraná informou que mensagens de procuradores vazaram após um ataque hacker. Ainda de acordo com o órgão, as mensagens não revelam qualquer ilegalidade.

Também em nota, o ministro Sérgio Moro disse que as conversas estão fora de contexto e afirmou que as mensagens divulgadas não revelam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”.

A Constituição de 1988 prevê que o juiz e as partes em um processo judicial não tenham vínculos, por isso não devem trocar dados nem atuar fora de audiências.

A nota da força-tarefa da Lava Jato ressalta que os procuradores “mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais que lhes dão contexto”. “Muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas”, diz ainda a nota. A força-tarefa também criticou a ausência de um pedido de esclarecimento antes das publicações, “o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas”.

O site “Intercept” afirmou, por sua vez, que não entrou em contato com envolvidos “para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si”. “Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias”, ressaltou o site.

Polêmica antiga

Esta não é a primeira vez em que a imparcialidade da Operação Lava Jato é colocada em xeque. A operação esteve sob observação em 2017, depois que o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán acusou procuradores da Lava Jato de forjarem delações premiadas. Durán está foragido desde 2016, quando chegou a ser preso na Espanha, mas foi solto dias depois.

Na época, ele afirmou ter sido orientado pelo advogado trabalhista Carlos Zucolotto Júnior a assumir crimes que não cometeu e delatar políticos apontados em uma lista prévia. Em troca da liberdade, ele pagaria uma multa.

O valor inicial da multa seria de R$ 15 milhões, mas foi reduzido para R$ 5 milhões. O dinheiro seria pago uma parte à força-tarefa e outra parte “por fora”, que seria para o intermediário identificado como “CZ”, que, segundo Durán, seria o advogado Carlos Zucolotto Júnior.

Na troca de mensagens, a sigla “DD” também aparece. “DD” seria contatado por “CZ” para reduzir o valor da multa de R$ 15 milhões para R$ 5 milhões. Quando questionado se “DD” seria Deltan Dalagnol, procurador que coordena a força-tarefa da Lava Jato, Durán afirmou que Zucolotto seria a pessoa mais indicada para responder.

Zucolotto, por sua vez, disse que não conhecia ninguém da Lava Jato e também nunca teria trocado mensagens com Durán através do Wickr, um aplicativo que destrói as mensagens recebidas.

Segundo Zucolotto, as conversas só poderiam ter existido se Durán tivesse inventado um perfil falso, apontando ainda que “muita gente quer se livrar da caneta de Moro”. Na época, o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, atuava como juiz federal. Na ocasião, através de uma nota, Moro classificou como “lamentável” o fato das afirmações de Durán serem usadas para “levantar suspeitas infundadas sobre a atuação da Justiça”.

Fontes:
Uol - Mensagens vazadas revelam que Moro orientou investigações da Lava Jato

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