Início » Brasil » Sobre os protestos…
15 de março

Sobre os protestos…

O economista Mansueto Almeida* faz um balanço das manifestações de 15 de março. Leia abaixo

Sobre os protestos…
Segundo o 'Estadão', manifestação contra o governo é a maior desde as 'Diretas Já' (Reprodução/Estadão)

Leia também: Coletiva de ministros sobre protestos é recebida com panelaço
Leia também: Protestos  ganham destaque na imprensa internacional

1) O número de pessoas que compareceram aos protestos foi muito maior do que esperado pelo governo. Se for metade do número divulgado já seria muita gente. A PM falou que na Av. Paulista compareceram mais de 1 milhão de pessoas e o Datafolha falou em 210 mil. Mas mesmo pelo critério do Datafolha este teria sido o maior ato político desde a campanha das Diretas Já em 1984 (clique aqui).

2) Os protestos não defenderam este ou aquele partido político. Os protestos foram marcados por pessoas vestidas de verde e amarelo, contra corrupção, contra o governo Dilma e contra o PT. Este foi um movimento muito diferente das passeatas de sexta-feira onde se destacavam as bandeiras vermelhas e movimentos organizados ligados ao governo como, por exemplo, a CUT e o MST.

3) A reação ao pronunciamento de dois ministros de Estado foi mais um panelaço em vários bairros do Brasil. Me assustei quando meus vizinhos começaram a buzinar e bater panelas aqui na Asa Norte em Brasília.  As pessoas não têm mais paciência de escutar pronunciamentos oficiais baseados em uma negação da realidade e em promessas vazias que, no segundo semestre, a economia estará melhor.

4) Há muita gente preocupada porque vê no governo um imobilismo e uma falta de vontade de mobilizar a sua base de apoio para aprovar uma agenda mínima de reformas com medidas de ajustes duras de curto prazo, mas também com uma agenda positiva de longo prazo. O governo e sua base aliada passam insegurança quanto à aprovação do pacote de ajuste fiscal e de uma agenda positiva mínima no Congresso Nacional. A melhor oposição ao governo é a sua própria base aliada.

5) Já começou um boato em Brasília e nos jornais sobre uma reforma ministerial com três meses de governo. Isso é uma prova do amadorismo político do governo que não soube montar uma boa equipe de coordenação política e ainda tentou brigar com o PMDB, que hoje controla o Congresso e pode inviabilizar qualquer ajuste proposto pelo governo.

6) A tendência no curto prazo é de piorar o ambiente econômico. O ajuste fiscal será baseado em uma contenção forte de gastos, mas para as metas prometidas serem cumpridas será necessário forte aumento de carga tributária no biênio 2015-2016. Não há perspectiva de crescimento do investimento público e privado, crescimento será baixo com aumento do desemprego. Não haverá a recuperação rápida da economia como ocorreu em 1999 e 2003. Agora o ajuste será mais longo e com menos crescimento.

7) O governo parece perdido e a nova “equipe” econômica é formada apenas por cinco pessoas novas no governo.  As demais apenas mudaram de cadeira e a única pessoa que fala todas as semanas sobre a necessidade de ajuste com convicção é o ministro da Fazenda. Os demais economistas da “equipe” econômica não se manifestam, e vários políticos da base aliada se manifestam contra as medidas propostas pelo próprio governo.

8) Qual o resultado disso tudo? Não sei, mas há vários motivos para ficarmos preocupados. Se o Brasil passar por mais um ciclo de crescimento baixo, isso significará uma grande frustração da população com o governo, pois as demandas das ruas por melhores serviços de saúde, educação, segurança etc. não serão atendidas por falta de recursos financeiros (arrecadação).

Vamos ter ainda muitas emoções ao longo das próximas semanas e meses…

*Mansueto é economista do IPEA e titular do blog Mansueto Almeida, parceiro do Opinião e Notícia

Fontes:
Blog do Mansueto - Sobre os protestos...

3 Opiniões

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    A economia brasileira esta perdida e como diz um ditado eu dou um doce se ela melhorar durante este governo. Ainda la vem um representante do governo dizer que gostaram das manifestações e que houve manisfestações pro governo, isto é uma mentira, o povo verdadeiramente que saiu e fez panelaço são os verdadeiros brasileiros. Gostaria de ao ver tudo resolvido e todos ladrões preso o STF dissesse quanto voltou aos cofres públicos.

  2. Samuel Reis disse:

    Parece que sou o primeiro à deixar meu comentário: Considerando o número de manifestantes que saíram à ruas, segundo notícias veiculadas na mídia, é tanto quanto estranho acreditar que toda essa gente “civilizada” clame pela saída da presidente (não presidenta) Dilma, assim como o fim da corrupção. Com certeza muitos desses manifestantes participaram do último pleito eleitoral, ainda que compulsório, que legitimou a permanência do PT no poder. Ou então àquele evento eleitoral não foi exatamente democrático como afirmaram as autoridades. Assim, essas manifestações não correspondem com a vontade majoritária da população brasileira, uma vez que a maioria absoluta dos trabalhadores não disponibilizam de tempo para “passeatas” e sequer são politicamente conscientes da realidade deste país. Embora não tenha sido identificada a presença de partidos não significa que os “opositores” do atual governo não tenham se beneficiado das manifestações. Vai uma sugestão: os representantes das inúmeras associações de classe e sindicatos poderiam, em muitos casos com isenção política, substituir o incompetente quadro administrativo do governo, pois creio eu estão muito mais próximos do cidadão comum do que a classe política de profissão.

  3. Vitafer disse:

    E serão certamente emoções desagradáveis.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *