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Energia Nuclear

Sobreviventes de Hiroshima lutam contra programa nuclear brasileiro

Imigrantes japoneses fundaram uma associação para combater o uso de energia nuclear e condenam projeto de construção de usinas

Sobreviventes de Hiroshima lutam contra programa nuclear brasileiro
Obras da Usina nuclear Angra 3. O projeto deve ser concluído em 2019, com 20 anos de atraso (Foto: Divulgação/PAC)

Setenta anos após as explosões das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, um grupo de sobreviventes do ataque está fazendo uma campanha por um mundo livre da ameaça nuclear, no país que os adotou, o Brasil.

Apesar da idade avançada, alguns têm mais de 90 anos, eles têm intensificado as atividades este ano tanto para marcar o aniversário de 70 anos dos ataques americanos, quanto para se opor aos planos do governo brasileiro de dobrar a geração de energia nuclear no país.

Os sobreviventes, conhecidos no Japão como hibakusha, estavam entre a onda de migrantes do século XX que se espalhou pelo mundo a procura de uma vida melhor. Acredita-se que há mais de 1,5 milhão de pessoas no Brasil que são descendentes de japoneses, a maior diáspora do mundo. Mais de 100 deles são registrados como sobreviventes das bombas do dia 6 e 9 de agosto de 1945, um trauma que continua a afetar suas identidades apesar dos anos e da distância.

Os hibakusha formaram no Brasil uma associação de paz dedicada a banir armas nucleares e fechar usinas que usem esse tipo de fonte energética. Nos anos 1970 e 1980, essa era uma grande preocupação do Brasil. O regime militar, em competição com a Argentina, lançou um programa de armas atômicas, começando com a construção de dois reatores de água pressurizada em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro.

Os defensores do fim do programa nuclear conseguiram uma vitória nos anos 1990, quando o governo desistiu do projeto bélico. A construção dos reatores foi concluída, mas o projeto não se expandiu. Hoje, o Brasil tem apenas dois reatores nucleares, que geram aproximadamente 3% da eletricidade do país.

Porém, no atual governo do PT, o programa de energia nuclear foi reativado como suporte ao sistema hidrelétrico, que sofre com a seca. A Eletronuclear, estatal que opera o sistema, recomeçou a construção do terceiro reator em Angra, que deve ficar pronto em 2019, com um atraso de duas décadas. No início do ano, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou que está buscando investimento privado para novos planos de construção de usinas nucleares.

Fontes:
The Guardian-Brazilian Hiroshima survivors campaign against new push for nuclear power

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