Início » Brasil » STF, a nova paixão nacional
coluna esplanada

STF, a nova paixão nacional

O julgamento do Mensalão transformou o interesse dos cidadãos pelo judiciário

STF, a nova paixão nacional
Ministro de Minas e Energia, Lobão: medo de Dilma (Reprodução/ Aliedo)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Provavelmente houve aquele frio na barriga a cada palavra do juridiquês que indicava o voto, ou o “uhhhh!” similar àquela bola na trave durante uma partida de futebol nos momentos – os mais amenos – em que os togados se digladiavam verbalmente. E, evidente, com o Brasil de olhos atentos na TV, cada um deles ganhou sua torcida ou ojeriza, pelo ideologismo peculiar a cada telespectador, e por que não pelo partidarismo, mas principalmente pela sede de Justiça. E necessária. O que não se pode negar é o ineditismo da situação que surpreendeu até os ministros da Suprema corte: nunca os cidadãos se interessaram tanto pelo Judiciário. O julgamento do Mensalão no STF o transformou, em todos os cantos do País, uma extensão elegante do futebol – tem juiz, arquibancada, intervalo, bola dividida, torcida (discreta, na corte, e escancarada, nas ruas), jogadas (verbais), xingamentos, provocações e, se o um dia o decoro cair, as cotoveladas e ministro correndo em torno do plenário gritando ‘Goool’ ao concluir seu voto.

Leandro Mazzini é escritor e colunista do Opinião e Notícia

Popularmente, falou-se do julgamento em mesas de bar com a eloquência demagógica das discussões de futebol ( o Brasil realmente muda a passos largos, eis uma comparação que não imaginávamos possível há tão pouco tempo, ou meses ). Mas deixemos de lado as paixões, a ojeriza – por togados ou réus – o partidarismo e o ideologismo de cada brasileiro que discutiu a ação penal 470. Fato é que, jogo jogado até aqui no âmbito judicial, o País não será mais o mesmo depois do consagrado caso acompanhado pela mídia.

As paixões tomaram a questão também na corte – vide o embate verbal entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Entretanto, por mais indícios que nós, agora com ‘notório saber jurídico via TV’, possamos apontar como políticos nas decisões, prevalece uma verdade incontestável: cada ministro votou consciente e com fortes argumentos que respaldaram suas decisões. Data Venia, eis O Fato.

Com o demasiado apelo popular, surgiram dúvidas que pairam sobre o STF e a independência da corte. Balela. Como explicar, por exemplo, que Barbosa, o primeiro ministro indicado pelo então presidente Lula em 2003 na era PT, tenha sido tão cruel com os mensaleiros? E o Luiz Fux, não ‘matou no peito’.. conforme supostamente prometera a José Dirceu. Para citar dois casos, apenas. Obviamente votos de Lewandowski e José Dias Toffoli evidenciaram certo comedimento com os réus, mas não leniência. E os novatos Teori Zavascki e Luiz Roberto Barroso, se atuaram em compadrio com a presidente petista para salvar mensaleiros acolhendo os embargos infringentes, conforme disse-me-disse das ruas, ainda terão oportunidade de mostrarem a lisura de suas decisões.

Para os que clamam por Justiça: todos eles vão para a cadeia, mesmo que só para dormir. Mas serão detentos. O estrago está feito: Não há qualquer liberdade vindoura para esses que não seja acompanhada de uma palavra quase-sobrenome: corrupto.

O Lobinho

As reuniões ministeriais com a presidente Dilma são sempre precedidas pela tensão dos ministros, receosos de levarem broncas diante dos colegas. Quem sai sem ser citado, canta vitória.
Saindo de uma reunião com colegas de Esplanada e a presidente Dilma, meses atrás, o ministro de Minas e Energia,

(PMDB-MA), sempre otimista, estava visivelmente fechado.
Foi indagado por um ministro por seu silêncio. E por que não o defendeu perante a chefe numa argumentação.
Lobão, à meia voz e olhos arregalados, desconversou e confessou:
– Quem? Eu?! Eu morro de medo dela!

 

Ponto Final

Um 2014 com muitas conquistas, paz e bem.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *