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Falta d´água

Sudeste enfrenta a pior crise hídrica da história

Reservatório secam, enquanto despedício continua

Sudeste enfrenta a pior crise hídrica da história
Carro, que já esteve submerso nas águas da represa de Atibainha, no sistema Cantareira, em São Paulo, reaparece em meio a seca (Reprodução/EPA)

As torneiras secam em vários lugares do Brasil, na medida em que a pior crise hídrica da história do Sudeste se agrava. Dezessete dos 18 maiores reservatórios do país estão em níveis mais baixos do que durante a última crise hídrica de 2001. A consequência política e econômica para a sétima maior economia do mundo é cada vez mais evidente. Manifestantes em bairros sem água têm saído às ruas, lavouras de café foram atingidas, negócios foram obrigados a fechar e operadores de pedalinho tiveram de parar seus trabalhos porque os lagos simplesmente secaram.

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O nível de uma das principais fontes de abastecimento do estado do Rio chegou a zero pela primeira vez desde que foi criado, em 1978. O maior reservatório do Paraíba do Sul, o Paraibuna, chegou a esse ponto na última quinta-feira, 22. Agora, só resta o volume morto, o que representa uma ameaça ao Rio de Janeiro. A bacia do rio Paraíba do sul, que passa por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, é a principal fonte de abastecimento da região metropolitana do Rio, levando água a cerca de 16 milhões de pessoas. O reservatório é dividido em dois níveis. O volume útil, que conta com 55% da capacidade e que chegou a zero, e o volume morto que tem 45% da capacidade e funciona como um fundo de reserva. Quando o volume útil zera, a hidrelétrica, instalada no local, para de funcionar, deixando de contribuir para o sistema de energia elétrica nacional.

O secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, André Corrêa, disse que o fato não interfere diretamente na vida dos consumidores, mas que é preciso economizar. “Na vida das pessoas, por enquanto, no Rio de Janeiro, não muda. A não ser o apelo dizendo que vivemos a maior crise hídrica da história do Sudeste. Vamos economizar água”, disse ao Bom Dia Brasil.

De quem é a culpa?

De acordo com o Guardian, a culpa vem recaindo sobre os governos locais e nacionais que responderam de forma lenta à crise e deixaram para trás a manutenção e renovação de canos, barragens e linhas de transmissão. Já o secretário André Corrêa atribuiu parte da responsabilidade à má administração dos reservatórios do Paraíba do Sul.  De acordo com o governo do estado não haverá racionamento a curto prazo, mas a população precisa economizar.

São Paulo, a cidade mais populosa da América do Sul, é a mais atingida pela seca. O novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse no começo deste mês, que é preciso estar preparado para o pior. “Como a natureza nos ensinou que ela pode nos surpreender e ter um ano tão ruim como foi de 2014, agora nós temos que torcer para o melhor, mas estar preparados para o pior”, afirmou.

Em Minas Gerais, a presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Sinara Meireles, vai encaminhar um pedido formal ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), responsável por gerenciar os recursos hídricos, para que seja declarada situação crítica quanto à escassez de água em todo o estado. O anúncio foi feito, na última quinta-feira, 22, em uma coletiva de imprensa da Copasa para anunciar as medidas que deverão ser feitas para reduzir o desperdício de água. A presidente informou que ações, como rodízio de abastecimento, racionamento e multas, só poderão ser iniciadas após a declaração e aprovação da situação de emergência. A ideia é que o consumo individual seja reduzido em, no mínimo, 30%.

Para piorar a situação, o desperdício de água é enorme. Um relatório do governo federal, concluído em dezembro de 2014, revelou que, em meio a uma grave crise hídrica, o Brasil desperdiça 37% da água tratada para consumo devido a falhas nas tubulações, perdas com fraudes e ligações clandestinas.

Fontes:
Bom Dia Brasil-Principal reservatório que abastece o Rio chega a nível zero
The Guardian-Brazil’s worst drought in history prompts rationing, protests and blackouts
G1-Secretário afirma que estiagem pode parar empresas no estado do RJ
G1-'Temos que estar preparados para o pior', diz novo presidente da Sabesp
Uol-MG pede autorização para adotar racionamento de água e sobretaxar consumo
Hoje em dia-Copasa assume situação crítica de água em BH e pede economia de 30% à população
MG1-Copasa pedirá ao Igam para declarar situação crítica de escassez de água em MG

2 Opiniões

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    Gastaram tanto dinheiro na COPA quando poderiam investir em TERMO ELÉTRICA, se TIVESSEM SE PREOCUPADA COM A POPULAÇÃO ISTO NÃO ESTARIA ACONTECENDO, agora querem consertar o erro, o DEUS o criador que escreve reto com linha torta está mostrando que os rios por ele criados foram sangrado e tiraram do seu percurso normal.

  2. Regina Caldas disse:

    Não desperdiçar água, luz e outros bens que poderiam ser reaproveitados, é questão de boa educação. Assim como as prefeituras promovem educação no trânsito para crianças das escolas primárias, o zelo e a parcimônia na utilização dos bens e serviços deveriam fazer parte da grade curricular dos pequeninos.

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