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Rio de Janeiro

Superbactéria é encontrada em trecho da Praia do Flamengo

Enzima faz com que os micro-organismos se tornem resistentes aos antibióticos atuais

Superbactéria é encontrada em trecho da Praia do Flamengo
Foz do rio Carioca é um dos pontos contaminados pelas superbactérias (Reprodução/Agência o Dia)

Micro-organismos, resistentes à maioria dos antibióticos disponíveis, foram encontrados no Rio Carioca, um dos principais da cidade. Um dos locais contaminados fica próximo à Praia do Flamengo, região frequentada por banhistas e pessoas que gostam de pescar. Um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, alerta que essas bactérias podem ter saído do ambiente hospitalar para o meio ambiente. Esses micro-organismos encontrados produzem uma enzima, chamada KPC, que impede que os remédios disponíveis atualmente, tenham efeito contra elas. Essas superbactérias podem causar infecção urinária e pulmonar.

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A pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC, Ana Paula D’Alincourt Carvalho Assef, coordenadora do trabalho, alerta que o problema das doenças provocadas por essas bactérias é que os pacientes não se curam com os antibióticos disponíveis nas farmácias. Em entrevista ao jornal Dia, dada nesta segunda-feira, 15, Ana Paula explicou que os poucos medicamentos que conseguem combater essas bactérias só estão disponíveis nos hospitais.

Os pesquisadores do IOC identificaram essas bactérias, produtoras de KPC, em três dos cinco pontos, onde foram coletadas amostra de água no Rio Carioca. Os micro-organismos estavam no Largo do Boticário (Cosme Velho); antes da estação de tratamento de esgoto da Praia do Flamengo; e na foz do rio, que desagua na mesma praia. Classificados como enterobactérias, elas podem deixar algumas pessoas doentes, mas podem ficar no organismo, no intestino, por exemplo, sem causar problemas. Entretanto, o recomendado é ficar longe das águas contaminadas. A bactéria pode entrar no corpo tanto pelo contato quanto pela ingestão.

A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado do biólogo Carlos Felipe Machado de Araújo, que será defendida em março. Para ele, a principal hipótese é que as bactérias produtoras da enzima cheguem ao Rio Carioca por meio do esgoto hospitalar, já que há várias unidades de saúde ao longo do curso do rio. De acordo com a pesquisa, as pessoas infectadas com o micro-organismo usam o banheiro do hospital, fazendo com que as bactérias saiam da rede de esgoto para o Rio Carioca. Segundo o biólogo, o ideal seria que cada hospital tivesse o seu próprio esquema de tratamento de esgoto para evitar que uma grande quantidade de bactérias resistentes chegasse ao ambiente.

Outro alerta importante da pesquisa é a proximidade da Praia do Flamengo com a Marina da Glória, que será palco de competições de vela nas Olimpíadas de 2016. Os pesquisadores entraram em contato com o Instituto Estadual de Ambiente (Inea) e foram acionados pelo comitê que organiza os Jogos Olímpicos de 2016. Segundo Ana Paula, a organização do evento se mostrou preocupada com a informação e disse manter contato constante com o Inea para saber sobre as condições das águas, onde acontecerão as competições.

Fontes:
O Dia-Superbactéria é detectada em trecho da Praia do Flamengo

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