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SUPERFRUTAS

Superfrutas ricas em antioxidante em risco de extinção

O risco de extinção ocorre devido a falta de conhecimento dos brasileiros com relação às frutas

Superfrutas ricas em antioxidante em risco de extinção
A cereja-do-rio-grande recebe grande destaque devido ao seu potencial antioxidante (Foto: Flickr/Fábio Manfredini)

O Brasil é rico em biodiversidade. Isso não é novidade para ninguém. No entanto, infelizmente, muito de seu ecossistema ainda permanece desconhecido para boa parte da população. Por isso, não é incomum que, vez ou outra, surja uma nova “fruta da moda”, como foi o caso do açaí anos atrás. Agora, um grupo de cientistas de São Paulo apontaram cinco novas “superfrutas” – também conhecidas como alimentos funcionais – em um estudo recém-publicado.

Araçá-piranga (E. leitonii), a cereja-do-rio-grande (E. involucrata), a grumixama (E. brasiliensis), o ubajaí (E. myrcianthes) e o bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis) são frutas desconhecidas por boa parte dos brasileiros, mas que possuem grande eficiência anti-inflamatória e são ricas em antioxidante. Brasileiras, as frutas podem ser encontradas na Mata Atlântica, além do Sul e do Sudeste do país, mas correm risco de extinção.

Esse risco de extinção, segundo pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), está atribuído a falta de conhecimento dos brasileiros com relação a essas frutas. Inclusive, os valores nutritivos dos alimentos é comparável ao açaí e algumas frutas vermelhas tradicionais, como o morango, a framboesa e a amora.

“Os alimentos funcionais são aqueles que, além da função nutritiva, podem ajudar a prevenir doenças crônicas, como problemas do coração, diabetes e câncer”, explicou Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba.

As frutas ainda são tão raras de serem achadas que recorreram ao auxílio de “colecionadores de frutas”, no interior de São Paulo, para conseguir estudá-las melhor, conforme explicou Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura USP (Esalq). Helton Josué Muniz, por exemplo, cultiva quase 1.400 espécies de frutas na sua fazenda em Campina do Monte Alegre.

De acordo com Alencar, o mercado de superalimentos é um dos que mais crescem no mundo, principalmente o americano. “Os pesquisadores de lá [mercado americano] ficam assustados quando veem que a gente tem uma grande biodiversidade de frutas que poderíamos apresentar ao mundo e ainda não apresentamos”.

Segundo os pesquisadores, um dos principais objetivos é encontrar novas “frutas da moda”, sendo elas altamente nutritivas e nativas, trazendo benefícios científicos e econômicos para o Brasil, envolvendo, inclusive, a indústria farmacêutica.

“Nosso alvo eram as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias por que esta é uma grande necessidade da indústria farmacêutica. No futuro, queremos isolar e identificar as moléculas ativas que fazem parte dessas frutas, que podem se tornar medicamentos importantes”, explica Rosalen.

Os antioxidantes dificultam a formação de radicais livres, que são moléculas reativas de oxigênio e causam envelhecimento e morte celular. Em longo prazo, a eclosão de radicais livres pode contribuir para o surgimento de doenças como câncer e artrite, além de estarem relacionados também ao processo de inflamações no organismo.

Por isso, as cinco “novas” frutas apontadas pelos pesquisadores são ricas em antioxidantes e possuem grande eficiência anti-inflamatória. Segundo os cientistas, caso sejam consumidas frequentemente, podem inibir e retardar doenças como diabetes, Mal de Alzheimer e arteriosclerose.

As cinco frutas estudadas são raras e ainda difíceis de serem encontradas, enquanto a araçá-piranga, que tem o maior potencial anti-inflamatório entre elas, está ameaçada de extinção. Outras 14 espécies de frutas ainda estão sendo estudadas pelos pesquisadores.

A grumixama e a cereja-do-rio-grande são pequenas e vermelhas, se destacando entre as cinco graças as suas propriedades antioxidantes. De acordo com Alencar, as frutas são doces, mas com teor ácido ideal. Além disso, a cor vermelha ou arroxeada indica a presença de antocianinas, que demonstram a eficiência no combate aos radicais livres.

“Elas são como berries (como algumas frutas silvestres vermelhas são chamadas em inglês) brasileiras. São fusões da cereja com a amora. Doces, mas com um teor de ácido ideal. São minhas preferidas”, explicou Severino Alencar.

Fontes:
BBC - Conheça as ‘superfrutas’ encontradas na Mata Atlântica que pesquisadores tentam salvar da extinção

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