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SAÚDE

Surto de hepatite A reverte tendência de queda de incidência

Os surtos ocorrem no Rio de Janeiro e em São Paulo, as duas maiores cidades do Brasil

Surto de hepatite A reverte tendência de queda de incidência
A melhor forma de prevenção continua sendo os bons hábitos de higiene, além do consumo de água tratada e potável (Foto: Pixabay)

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Dois surtos recentes no Rio de Janeiro e São Paulo reverteram uma tendência de queda na incidência de hepatite A no Brasil. Há uma década os números vinham diminuindo.

A cidade de São Paulo registrou 694 casos em 2017, o que equivale ao triplo de casos em todo o país em 2015. No Rio de Janeiro, foram 119 pessoas infectadas, sendo que em 2016 só ocorreram dez registros na capital fluminense.

A infecção tem voltado em vários países desde 2016. “Ainda em 2016, diversos países começaram a registrar casos de hepatite A. Começou na Inglaterra, depois foi para Holanda, Escandinávia, França e foi se espalhando”, afirma Estevão Portela Nunes, vice-diretor de serviços clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz.

Os especialistas acreditam que o surto em São Paulo foi causado por conta do contato sexual desprotegido. Apesar de a hepatite A não ser uma doença sexualmente transmissível, o contato com a região perianal ou com material fecal pode gerar contaminação. Já no Rio de Janeiro, a causa está sendo associada ao consumo de água contaminada. Na última segunda-feira, 8, a prefeitura colheu amostras de água no morro do Vidigal, onde vem ocorrendo a maior parte dos casos, para investigar a hipótese. Em 2017, 59 pessoas foram contaminadas no Vidigal, após seis anos sem qualquer episódio.

“É possível que tenha havido aumento de casos por comportamento sexual, que tenha chegado (ao Rio) por essa via e ali encontrou material propício para se proliferar”, afirma Nunes.

Riscos para a saúde

A contaminação é fecal-oral, o que faz a hepatite A geralmente ser adquirida por água e alimentos em que há a presença do vírus. Apesar de a infecção geralmente não causar complicações, uma pequena parcela dos pacientes pode desenvolver quadros sérios, como a hepatite fulminante, que pode levar à perda do fígado e à morte.

Até agora, quatro pessoas tiveram que ir para fila de transplante de fígado em São Paulo, sendo que duas delas morreram, o que não acontecia no estado desde 2012. Segundo a Secretaria de Saúde, ainda não houve nenhuma complicação no Rio de Janeiro.

A hepatite A, em raros casos, também pode afetar o funcionamento do cérebro, causando a encefalopatia hepática. Afinal, o fígado elimina as toxinas vindas do intestino. Logo, se ele estiver lesionado, estas toxinas passam para corrente sanguínea e podem alcançar o cérebro. Neste caso, as pessoas podem ficar sonolentas, confusas, desorientadas e até apresentar alterações no comportamento e na personalidade.

A hepatite A não tem cura, mas há medicamentos para combater seus sintomas. Desde 2014, o governo brasileiro disponibiliza gratuitamente uma vacina contra a infecção para crianças abaixo de cinco anos e para pessoas que convivem com doenças imunossupressoras, como o HIV e as hepatites B e C. Para os grupos que não podem se vacinar na rede pública, a melhor forma de prevenção continua sendo os bons hábitos de higiene, além do consumo de água tratada e potável. Cozinhar bem os alimentos também é recomendado.

 

Fontes:
BBC-Novos surtos em São Paulo e no Rio revertem uma década de queda nos casos de hepatite A

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