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DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS

SUS disponibiliza terapia de prevenção contra o HIV

Medicamento que bloqueia o ciclo da multiplicação do HIV vai ser distribuído gratuitamente para pessoas elegíveis

SUS disponibiliza terapia de prevenção contra o HIV
Pessoas não infectadas vão tomar diariamente um único comprimido que reduz o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais (Foto: PrEP Brasil)

Nesta sexta-feira, 1°, é celebrado o Dia Mundial de Combate à AIDS, uma data voltada à conscientização sobre o vírus do HIV. A partir deste mês, o Brasil vai passar a disponibilizar uma nova terapia no Sistema Único de Saúde (SUS). A Profilaxia Pré-Exposição, conhecida como PrEP, já é adotada em países como Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido, mas o Brasil será um dos poucos a distribuí-la gratuitamente.

Segundo dados da UNAID de 2016, há 36,7 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo. No último ano, 1,8 milhão de pessoas foram infectadas e 1 milhão de pessoas tiveram morte relacionadas à AIDS. No Brasil, há 830 mil pessoas vivendo com a doença. A estimativa é que tenham ocorrido 48 mil novas infecções em 2016. Já o número de mortes relacionadas à AIDS no último de ano foi de 14 mil. Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, de 1980 a junho de 2016, foram identificados 842.710 casos de Aids no Brasil. O país tem registrado, anualmente, uma média 41,1 mil casos de Aids nos últimos cinco anos.

Após a realização do Estudo PrEP Brasil com 500 homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e mulheres transexuais com risco de adquirir a infecção pelo HIV, a terapia passa, agora, a ser distribuída pelo Sistema Único de Saúde.

Segundo a UNAIDS, algumas populações são mais afetadas que outras. Entre elas estariam profissionais do sexo, pessoas que usam drogas injetáveis, homens que fazem sexo com outros homens, transsexuais e pessoas privadas da liberdade. Essas pessoas fariam parte das chamadas populações-chave. A PrEP, por sua vez, é reservada para profissionais do sexo, pessoas transexuais, casais sorodiferente (quando apenas um possui o vírus) e homens que fazem sexo com homens. No entanto, como pertencer a essas categorias não é determinante, as pessoas vão ser analisadas por outros fatores. Segundo o Ministério da Saúde, haverá uma análise com profissionais de saúde para serem consideradas as práticas sexuais, número de parceiros sexuais, compromisso com a adesão ao medicamento, entre outros quesitos.

Como funciona?

Pessoas não infectadas vão tomar diariamente um único comprimido que reduz o risco de contaminação pelo HIV através de relações sexuais. O medicamento bloqueia o ciclo da multiplicação desse vírus, impedindo a infecção do organismo.

O medicamento não substitui a camisinha. Ele é uma estratégia adicional. A PrEP não previne outras doenças sexualmente transmissíveis como sífilis, gonorreia e HPV, nem a gravidez. “Estamos iniciando uma nova política, e a PrEP é mais uma ferramenta à disposição. Estamos somando a terapia a um rol de tecnologias, todas voltadas para a prevenção, que terão uso combinado”, explica Aluisio Segurado, chefe do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Durante a terapia, é necessário acompanhamento médico por conta de efeitos colaterais, como problemas renais, perda de massa óssea, náuseas, dores de cabeça e perda de peso.

Em um único comprimido, há duas drogas já usadas no tratamento contra o HIV: o tenofovir e a emtricitabina. A cada três meses, quem usar a PrEP vai fazer um teste de HIV. Se houver infecção no período de uso do medicamento, a terapia será interrompida e a pessoa vai passar a tomar antirretrovirais. A medida é uma forma de evitar que o vírus fique resistente às drogas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o medicamento demora, em média, sete dias para fazer efeito nos homens e 20 dias nas mulheres. Por isso, a recomendação é que seja tomado ainda por quatro semanas depois da última relação sem camisinha.

Acesso à PrEP

A primeira fase de oferta do medicamento ocorre em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. Segundo o Ministério da Saúde, a ideia é que o programa seja expandido para todo o país. A terapia vai estar disponível em unidades do SUS que já trabalham com prevenção do HIV, como Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou Serviços de Assistência Especializada em HIV (SAE).

Ao todo foram investidos US$ 1,9 milhão para o primeiro ano do programa. “Não tenho dúvidas que iremos evitar várias infecções. E o custo de proteger alguém por um tempo é muito menor do que ter pessoas infectadas depois. É muito mais vantajoso para o SUS,” afirma Maria Clara Gianna, coordenadora-adjunta do Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Além do SUS, o medicamento deve ser comercializado na rede privada, com a exigência de apresentação de receita médica. Um frasco com 30 comprimidos vai custar R$ 290.

Fontes:
BBC-O que você precisa saber sobre a terapia que previne o HIV, que começará a ser oferecida no Brasil

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