Início » Brasil » Taurus diz ter 2 mil clientes em fila para comprar fuzil
DECRETO DAS ARMAS

Taurus diz ter 2 mil clientes em fila para comprar fuzil

Decreto das armas teria liberado o uso do fuzil T4. Casa Civil, no entanto, nega que a arma tenha sido liberada no texto

Taurus diz ter 2 mil clientes em fila para comprar fuzil
Possível venda de fuzis T4 faz as ações da Taurus operarem em alta nesta terça-feira (Foto: Divulgação/Taurus)

A Taurus, principal empresa de armas do Brasil, disse ter 2 mil pessoas na fila de espera para comprar o fuzil semiautomático T4. O uso popular foi supostamente liberado no texto do Decreto 9.785/2019, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no último dia 7 de maio, que amplia o porte de armas.

A arma estaria liberada para venda porque o texto do decreto aumenta o limite do poder de fogo, contabilizado através da energia cinética, para 1.620 joules – anteriormente o limite era de 407 joules. O fuzil T4, fabricado no Brasil pela Taurus, tem um poder de 1.320 joules.

De acordo com um vídeo institucional da Taurus sobre o T4, o fuzil foi projetado para o mercado policial e militar. Com calibre 5.56, a arma foi pensada para “missões que exijam precisão, confiabilidade e poder de fogo”. Segundo a Taurus, a empresa só está aguardando a regulamentação do decreto para iniciar a venda das armas.

A Casa Civil, no entanto, nega que o decreto enquadre o fuzil T4. De acordo com a Pasta, comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni, a arma é de “uso restrito e, por isso, o cidadão comum não consegue adquiri-la”. Diante disso, a Pasta afirmou que a informação não procede.

A possível liberação da venda do fuzil T4 fez com que as ações da Taurus disparassem nas bolsas, avançando 6,5% por volta das 11h50.

Segundo o especialista em armas Benê Barbosa, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), porém, a versão do T4 disponível para vendas populares seria a de “tiro a tiro”, sem a opção de rajadas. Para Barbosa, a liberação do uso do fuzil é benéfica para o cidadão.

“O criminoso nunca teve nenhum problema em adquirir nenhum tipo de arma e nenhum tipo de calibre, ou seja, ele não sofria nenhum tipo de restrição. O cidadão e até mesmo o policial, esse sim sempre sofreu esse tipo de restrição, porque ele não tinha acesso ao armamento condizente com o armamento que o criminoso tem acesso. Então, eu acho extremamente positivo por essa equiparação de forças”, apontou, segundo noticiou o portal G1.

Por outro lado, o decreto de armas editado por Bolsonaro conta com forte oposição, inclusive da bancada evangélica, um dos principais pilares da base de Bolsonaro. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também já sinalizou que o decreto tem “inconstitucionalidades”. Pelo menos seis ações já foram impetradas contra o decreto, sendo três na Justiça Federal e três no Supremo Tribunal Federal (STF).

Partidos como PT e Psol já impetraram projetos de decreto legislativo (PDLs) para tentar derrubar o decreto do porte de armas. O PT editou o PDL 245/2019, enquanto o Psol impetrou o PDL 227/2019.

Críticas à liberação

Diante da liberação do T4, a Taurus e o decreto de armas apareceram entre os assuntos mais comentados das redes sociais nesta terça-feira, 21. Os principais comentários eram de membros da oposição, criticando a ampliação do porte de armas. O Psol, um dos mais críticos ao governo Bolsonaro, lançou um abaixo-assinado, que já reúne mais de 12 mil assinaturas, contra o decreto.

Integrante da bancada psolista na Câmara dos Deputados, o parlamentar Marcelo Freixo (Psol-RJ) classificou como “irresponsabilidade monstruosa” a permissão para civis andarem armados com fuzis nas ruas. Para o deputado federal, Bolsonaro “age como um lobista da Taurus”.

Já o líder da oposição no Senado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que “está claro a quem este governo serve, e não é ao povo”. O parlamentar lembrou ainda o alto índice de desemprego e a paralisia econômica para criticar as prioridades do presidente Bolsonaro.

A ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e, agora, deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), classificou Bolsonaro como o “símbolo de um dos momentos mais sombrios de nossa história”, ao falar sobre a possível liberação do fuzil.

Internautas críticos ao decreto que amplia o porte de armas relembraram um vídeo feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), divulgado em janeiro de 2017. Na postagem, feita no Twitter como crítica ao monopólio das armas, o parlamentar denuncia que armas da Taurus defeituosas estavam custando a vida de policiais e cidadãos.

No entanto, em diferentes postagens ao longo dos últimos anos, integrantes da família Bolsonaro já criticaram o monopólio do mercado brasileiro de armas exercido pela Taurus, compartilhando vídeos nos quais até mesmo policiais americanos revelam restrições à empresa brasileira.

Além das críticas pelas redes sociais, 14 governadores brasileiros assinaram uma carta contra o decreto de armas do presidente Bolsonaro. O número representa mais da metade dos governadores do Brasil. O conteúdo da carta foi revelado por Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão.

“Julgamos que as medidas previstas pelo decreto não contribuirão para tornar nossos estados mais seguros. Ao contrário, tais medidas terão um impacto negativo na violência – aumentando por exemplo, a quantidade de armas e munições que poderão abastecer criminosos – e aumentarão os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias”, destaca a carta.

Fontes:
G1-Decreto de Bolsonaro que regulamenta uso e porte de armas no país libera compra de fuzil por qualquer cidadão
IstoÉ Dinheiro-Ações da Taurus disparam após anúncio de venda de fuzil

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *