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Manifestações no Brasil

Tea Party tropical

Em todo o Brasil, as multidões nas ruas diminuíram, mas elas não pretendem ir embora

Tea Party tropical
Pesquisas indicam que três quartos dos manifestantes ganham, pelo menos, cinco vezes o salário mínimo (Divulgação/Agência Brasil)

O movimento contra a presidente Dilma Rousseff se assemelha a insurgências na Europa e nos Estados Unidos, mas com grandes diferenças. Ao contrário do partido grego Syriza ou do PODEMOS na Espanha, os organizadores de protestos no Brasil não são de esquerda e não constituem um partido político. Alguns os comparam ao Tea Party americano, grupo dentro do Partido Republicano que defende um governo pequeno. Essa é uma comparação mais exata, embora, ao contrário do Tea Party, o movimento brasileiro seja muito jovem e muito fragmentado para se infiltrar no Congresso.

Aos olhos dos partidários de Dilma, os manifestantes representam uma elite privilegiada. A alegação é parcialmente correta. Pesquisas indicam que três quartos dos manifestantes ganham, pelo menos, cinco vezes o salário mínimo, de R$788 reais por mês, o que os torna prósperos para os padrões brasileiros. Mas, Carlos Melo, do Insper, uma universidade em São Paulo, diz que ao retratar o confronto em termos de “nós contra eles”, o PT se esquece de que as fileiras do “eles” têm aumentado maciçamente, graças a um crescimento econômico saudável (até recentemente) e políticas para reduzir a pobreza.

Mesmo as pessoas com rendas relativamente baixas se veem como classe média. Isso os torna receptivos à mensagem nas entrelinhas das palavras de ordem anticorrupção: um Estado excessivamente grande precisa ser vigiado.

Sem a perspectiva de multidões cada vez maiores, o movimento precisa de outras formas de manter a pressão. Em 15 de abril, cerca de 40 representantes dos movimentos antigoverno foram a Brasília levando uma lista de exigências, incluindo penas mais altas para a corrupção, redução nos gastos de campanha e o fim da reeleição de presidentes e governadores.

Curiosamente, eles apresentaram suas demandas ao Congresso, e não ao Planalto. Dilma entregou grande parte da responsabilidade econômica ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e as negociações políticas ao vice-presidente, Michel Temer. Embora os manifestantes ainda querem Dilma fora, eles estão começando a agir como se ela já não contasse mais.

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