Início » Brasil » Tempo perdido
Licitação de petróleo

Tempo perdido

Se a discussão sobre a partilha do pré-sal não tivesse levado a tanto tempo perdido, o Brasil não teria saído da rota do investimento

Tempo perdido
O processo exploratório está estagnado há cinco anos graças à disputa pelos royalties do pré-sal (Reprodução/Getty)

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) anunciou na segunda-feira, 15, que 64 empresas das 72 inscritas estão habilitadas para a 11ª Rodada de Licitações, que está prevista para maio. Esse recorde de empresas habilitadas é um sinal de como perdemos investimentos, deixamos de gerar empregos e de estimular a indústria local nos últimos cinco anos desde o último leilão. Após a descoberta do pré-sal e a decisão do governo de mudar o marco regulatório do setor, o processo exploratório ficou estagnado por cinco anos, durante os quais as empresas não podiam ter acesso a novas áreas. A decisão da presidente de liberar novas licitações aposta que, até maio de 2013, estarão resolvidos os impasses em relação à partilha dos royalties do petróleo, pré-requisito para novos leilões.

Leia também: Vazamento da Petrobras causa sérios danos ambientais
Leia também: Brasil será o quarto maior produtor de petróleo do mundo em dez anos

É evidente que a cadeia de fornecimento do setor de petróleo teria sido muito mais desenvolvida não apenas com o monopsônio da Petrobras e sim com muitas empresas que poderiam ter entrado ou expandido suas operações.

Inclusive, duas empresas de exploração de petróleo brasileiras, a OGX e a HRT, foram bastante prejudicadas com o fechamento do mercado. Ambas poderiam ter tido oportunidade de investirem em outras bacias em busca de petróleo, diversificando seus investimentos, especialmente a HRT.

Recentemente, a HRT quase perdeu a habilitação como operadora “A” por não explorar blocos marítimos ultra-profundos. A Diretora-Geral da ANP, Magda Chambriard, chegou a dizer que não estava segura da experiência da empresa, pois só agora ela começa a explorar a costa da Namíbia.

No caso da OGX, a ausência de leilões prejudicou a sua diversificação de risco, concentrando toda a expectativa na produção nos campos de Tubarão Azul e Tubarão Martelo. A frustração com os campos foi o pivô do processo de questionamentos e de desvalorização da empresa.

Se a discussão que se arrasta até hoje sobre o novo Modelo de Partilha para o Pré-Sal não tivesse levado a tanto tempo perdido, o Brasil não teria saído da rota do investimento, à qual agora pode finalmente retornar.

 

 

 

Fontes:
Instituto Millenium - Tempo perdido

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. helo disse:

    Foi este governo mesmo que propôs e politizou esta partilha. Ganha o governo, perde o país.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *