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AMOR DE QUATRO PATAS

Ter um bicho de estimação ajuda a combater a depressão

Conheça duas histórias que comprovam que a interação com animais ajuda a superar quadros depressivos

Ter um bicho de estimação ajuda a combater a depressão
Interagir com um bichinho libera substâncias responsáveis pela sensação de felicidade (Foto: PxHere)

“Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cachorro”. A antiga frase, de autoria do matemático Blaise Pascal, representa uma grande verdade para aqueles que consideram que seu animal de estimação é tão ou mais importante que muitas pessoas, principalmente se chegaram em suas vidas em momentos conturbados.

Quem tem um bichinho para chamar de seu sabe as boas experiências que eles podem trazer no cotidiano: desde uma calorosa recepção ao chegar em casa, até certas “surpresas”, como um sapato destroçado em cima da cama e outras “presentes” espalhados pelo ambiente.

Com os muitos benefícios que o convívio com um bichinho traz ao ser humano, especialistas buscaram outras respostas sobre como essa interação poderia ajudar pessoas com algum tipo de doença, seja ela física ou mental.

De acordo com um estudo realizado pelo Journal Of Psychiatric Reserach, revista de psiquiatria americana que estuda o comportamento humano, a depressão, que é considerada a doença do século, tem baixíssimas taxas de remissão e, por ser uma doença considerada silenciosa, precisa de cuidados específicos para seu tratamento.

Com isso, pesquisadores optaram por tentar algo diferente: inicialmente selecionaram 80 pessoas (50 mulheres e 30 homens) com depressão clinicamente comprovada e sugeriram a adoção de bichos de estimação. Do número inicial, 33 aceitaram adotar um animal, sendo que 18 adotaram apenas um cachorro, sete adotaram dois cachorros e as outras sete adotaram um gato.

Para fazer comparações, especialistas analisaram outros 33 indivíduos escolhidos aleatoriamente para permanecerem no grupo de controle, ou seja, que não adotaram nenhum animal de estimação.

Durante a experiência, todos os pacientes permaneceram com suas medicações de uso habitual e foram avaliados nos primeiros dias do estudo e, depois, em quatro, oito e doze semanas.

Ao fim do estudo, ficou comprovado que as 33 pessoas que optaram por adotar um mascote tiveram melhoras significativas no quadro depressivo. Com esse resultado, a revista concluiu que animais de estimação também podem ser utilizados, ao lado da farmacoterapia, como um adicional eficaz no tratamento da depressão.

Em março deste ano, o Projeto de Lei do vereador Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos-RJ), obteve a aprovação para que animais de estimação pudessem visitar seus donos em hospitais públicos no Rio de Janeiro. Algumas redes particulares já permitiam a visita.

Para tal, os médicos precisam aprovar a entrada dos animais com antecedência e os mascotes precisam estar com as vacinas em dia, além de higienizados e com a comprovação de um veterinário de que estão em boas condições de saúde, para não afetar o quadro do paciente.

Ao Opinião e Notícia, a psicóloga Ana Paula Azevedo afirmou que o animal de estimação estimula áreas cerebrais que geram prazer e felicidade, além de também liberar e ativar quatro substâncias químicas responsáveis pela sensação de felicidade – endorfina, dopamina, serotonina e oxitocina -, sem nenhum auxílio de medicamentos.

“Ao encontrar com algum objeto ou pessoa que traga prazer ao indivíduo, o cérebro ativa a endorfina como uma espécie de analgésico, que acaba por ‘mascarar’ dores físicas devido à consequência que essa substância causa ao organismo. Essa ação acalma o indivíduo, beneficiando outras áreas cerebrais, dando espaço para bons sentimentos”, afirmou a psicóloga.

Ana Paula ressalta que a oxitocina, apelidada como “hormônio dos vínculos emocionais” é um composto importante para os vínculos que as pessoas criam tanto com humanos, quanto com animais. Produzida no hipotálamo, a oxitocina é considerada o “hormônio do amor”, ou seja, ela estreita os vínculos afetivos e deixa as pessoas menos agressivas e mais amáveis.

“Além de serem extremamente carinhosos e companheiros, os animais de estimação são benéficos para a saúde em vários aspectos, principalmente por gerarem essa vasta onda de sentimentos que, em diversas situações, fazem com que uma pessoa que tem depressão esqueça momentaneamente de seus problemas, focando no carinho que o animal de estimação lhe proporciona”, diz a psicóloga.

Em entrevista ao O&N, a educadora física Eurídice Perdigão afirmou que ter ganho Jorge, seu gato de estimação, trouxe um pouco de conforto e alegria para o coração, logo após a morte de seu marido.

“Ganhei o Jorge de presente do meu irmão no dia da missa de sétimo dia do meu marido. Como o gato tinha olhos azuis, como o do Zé [apelido do marido], fiquei encantada!”, afirmou Eurídice.

De acordo com Eurídice, os momentos foram difíceis após a perda do marido, mas ela encontrou na convivência com seu gato uma grande parceria.

“Passei momentos bem difíceis. Ia do trabalho para casa, como uma zumbi. Quando chegava em casa, tinha o Jorge para me receber e ficar comigo onde quer que eu estivesse. Um verdadeiro companheiro. Ele sabe, sim, o meu estado de espírito e me entende como ninguém”, ressaltou Eurídice, que adotou outro gato para trazer mais alegria para sua casa e fazer companhia a Jorge.

Jorge, gato de estimação de Eurídice

Já a publicitária Rebeca Campos, de 27 anos, se viu completamente abalada com o fim de um relacionamento e pela morte de seu cachorro, Bob. Porém, algum tempo depois, encontrou um filhote de cachorro na rua e não resistiu em adotá-lo.

“Eu havia perdido meu cão e companheiro recentemente quando encontrei o Simba na rua. Com o falecimento do Bob, após 17 anos comigo, meu mundo caiu”, afirmou Rebeca ao O&N.

Com os acontecimentos, em alguns momentos, Rebeca se sentiu triste e abalada, mas viu que nunca estava sozinha, pois tinha o “colo” de seu animal de estimação.

“Eu tenho certeza que o animal sabe quando estamos sofrendo. Quando eu chorava perto do Bob, ele se aninhava no meu colo, me fazia festa, ou só ficava ali, me deixando abraçá-lo. Com o Simba não é diferente, porque quando ele percebe que eu estou triste ou chateada, ele fica mais dócil e carinhoso comigo”, explica a publicitária.

Rebeca e seu cachorro, Simba

As histórias de Eurídice e Rebeca de superação de traumas com o apoio de um mascote têm respaldo científico. Além dos benefícios para a saúde humana apontados pela psicóloga Ana Paula Azevedo, o veterinário Leonardo Rossini, também afirma que um animal de estimação pode desempenhar um papel importante na melhora de quadros depressivos.

“É notório como um animal pode fazer bem ao seu dono. Até porque ter um cachorro ou gato demanda uma boa quantidade de tempo, ou seja, cuidar do animal faz com que a pessoa que tem depressão fique focada em outras coisas direcionadas ao animal de estimação, como ter que levar para passear, limpar, dar banho, entre outros. Ela foca em outras coisas e literalmente desfoca do que lhe faz mal”, explica Leonardo Rossini.

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