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POR UNANIMIDADE

TRE-PA cassa mandato de Wladimir Costa

Por unanimidade, tribunal condena o deputado à cassação de mandato por gastos ilícitos e abuso de poder econômico na campanha de 2014

TRE-PA cassa mandato de Wladimir Costa
Costa ainda pode recorrer junto ao Tribunal Superior Eleitoral (Foto: Facebook)

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) cassou na última terça-feira, 19, por unanimidade, o mandato do deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) por gastos ilícitos e abuso de poder econômico em sua campanha eleitoral de 2014. Além da cassação do mandato, a decisão do tribunal também torna o deputado inelegível por oito anos.

Segundo o TRE-PA, Costa fez uso de caixa 2 e omitiu o gasto de R$ 410 mil na prestação de contas de sua campanha eleitoral em 2014. O deputado ainda pode recorrer da cassação junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

É segunda vez que o TRE-PA determina a cassação do mandato de Wladimir Costa. A primeira ocorreu em julho de 2016, pela mesma acusação que resultou na cassação atual. A relatora do caso na época, a juíza Lucyana Said Daibes Pereira, concluiu pela existência de gastos não declarados, além de apontar indícios de falsidade em documentos, com base nas acusações do Ministério Público Eleitoral. O deputado recorreu da decisão. O novo julgamento resultou na cassação. Agora, ele pode recorrer junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Wlad”, como é chamado nos bastidores do Congresso, é conhecido por colecionar polêmicas. Em 15 de abril de 2016, ele ficou conhecido como “deputado dos confetes”, por ter estourado um rojão de confetes na tribuna da Câmara ao anunciar seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Em 19 de maio do mesmo ano, ele protagonizou um bate-boca em uma sessão da Câmara que analisava a cassação de mandato de Eduardo Cunha. Na época, Costa integrava a “tropa de choque” que buscava livrar Cunha da cassação. Ele iniciou uma discussão acalorada com o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que era a favor da cassação, no intuito de interromper a sessão e atrasar mais uma vez a votação que decidiria o destino de Cunha. Após perceber que a cassação de Cunha era inevitável, Costa mudou de lado, passando a atacar o ex-aliado.

Solidariedade

Costa estourando rojão na tribuna Câmara (Foto: Divulgação/Solidariedade)

Em 31 de agosto, ele ficou conhecido como “deputado da tatuagem”, por ter tatuado o nome de Michel Temer no ombro direito. Embora tenha dito em entrevistas que a tatuagem era real e feita como prova de sua lealdade ao presidente, posteriormente ficou comprovado tratar-se de uma tatuagem de henna temporária.

Em 9 de agosto deste ano, ele foi denunciado pelo PSB ao Conselho de Ética da Câmara, por ter assediado uma jornalista. O assédio ocorreu em um jantar na véspera da votação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer na Câmara. Na presença de outros deputados, a jornalista perguntou a Costa se ele poderia mostrar a ela sua tatuagem, no intuito de comprovar se era definitiva ou temporária. A resposta do deputado constrangeu a jornalista. “Para você só (mostro) se for o corpo inteiro”, disse Costa.

Já no dia da votação da denúncia de Temer na Câmara, Costa foi flagrado trocando mensagens eróticas enquanto a votação ocorria. Nas mensagens, ele pedia a uma mulher para que enviasse fotos das partes íntimas, alegando que “não são suas profissões que a destacam como mulher”. A conversa foi flagrada e divulgada pelo fotógrafo Lula Marques e rendeu a Costa o apelido de “deputado dos nudes”.

Questionado sobre a foto pelo jornal Globo, Costa negou a troca de mensagens, afirmando não se tratar dele na foto. “Aquilo é ‘fake’ (falso). Não é minha mão. Minha mão é mais delicada”, disse o deputado.

Costa ganhou fama em 1986, aos 22 anos, quando trabalhava como locutor de rádio. Ele migrou para a televisão, onde trabalhou como apresentador. Posteriormente, se tornou cantor de uma banda. A fama em sua cidade natal, Belém, rendeu uma ascensão meteórica à Câmara Federal, nas eleições de 2002, quando concorreu pelo PMDB. Desde então, ele exerceu quatro mandatos como deputado federal. Em seu quarto mandato, ele migrou do PMDB para o Solidariedade.

Em 2015, Costa liderou um ranking de deputados faltosos, em um levantamento do ano, feito pelo site Congresso em Foco. Naquele ano, de um total de 125 sessões na Câmara de presença obrigatória, Costa faltou a 105, comparecendo a apenas 20. Do total de ausências, 98 foram justificadas como “em decorrência de recomendações médicas para tratamento de procedimentos cirúrgicos na coluna vertebral”. As outras 12 ausências não foram justificadas. Em 2011, também em um levantamento do Congresso em Foco, Costa liderou a lista dos faltosos sem justificativa (29 de um total de 48).

Em 2016, ele teve os bens bloqueados pela Justiça do Pará, por participar de um esquema de desvio de recursos públicos a partir de um convênio fechado entre uma ONG da qual é proprietário e a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) do Pará.

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2 Opiniões

  1. jefferson Santos disse:

    Outro verme da corja de Temer e demais cupinchas.

  2. Lucinda Telles disse:

    Essa figura é uma peça…o povo vota em cada porcaria.

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