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VIOLÊNCIA NO RIO

Trégua na violência não deve ir além das Olimpíadas

Melhoria na segurança pública dificilmente será legado permanente dos Jogos

Trégua na violência não deve ir além das Olimpíadas
Policiais fartos de salários atrasados protestam no Galeão (Foto: Twitter)

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O vídeo postado nas redes sociais no dia 4 de julho, de um tiroteio no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, não foi um evento isolado. No dia seguinte, um policial foi morto a tiros durante um conflito com traficantes. Ele foi o 56º policial a morrer este ano no estado. Policiais, fartos dos atrasos salariais, recebem turistas no aeroporto internacional com cartazes em inglês com os dizeres “Welcome to Hell” (“Bem-vindos ao inferno”).

O número de assaltos aumentou: só na semana passada, quatro arrastões aconteceram na capital carioca. Em uma entrevista televisionada com a CNN, o prefeito Eduardo Paes criticou o governo do estado, dizendo que o PMDB, seu próprio partido, está fazendo um péssimo trabalho no quesito da segurança pública.

O Rio é de longe a cidade mais violenta a sediar uma Olimpíada. Vale lembrar, também, que é a primeira cidade-sede que não é nem rica nem autocrática. A esperança era de que as autoridades conseguiriam aproveitar os Jogos Olímpicos para melhorar a segurança. E conseguiram, até certo ponto.

Desde os anos 1990, o crime caiu consideravelmente em toda a região sul e sudeste do Brasil. Graças a melhores condições econômicas, melhor policiamento e demografia, menos jovens se viravam para a violência. Hoje, no Rio, o número de mortes violentas é metade do que era entre 2007 e 2009, quando a cidade era avaliada para as Olimpíadas. Mas, desde 2012, o progresso estancou, e pode começar a se reverter.

Depois do sucesso inicial, a política de pacificação de 2008-2012 enfraqueceu. O outro lado da estratégia, envolvendo escolas melhores, saneamento básico e melhorias na saúde raramente satisfazem expectativas.

Paes diz que os turistas não precisam se preocupar. O governo federal vai dar ao estado R$ 2,9 bilhões em ajuda emergencial para a segurança. A medida deve cobrir os salários dos policiais, pelo menos no curto prazo. O que acontece depois disso, não está tão claro.

 

Fontes:
The Economist-A sporting chance of safety

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