Início » Brasil » Trem-bala brasileiro é o mais lento do mundo: não sai do papel
A passos de cágado

Trem-bala brasileiro é o mais lento do mundo: não sai do papel

É provável que o trem-bala nunca entre nos trilhos, principalmente se os governantes souberem que ele não dá lucro

Trem-bala brasileiro é o mais lento do mundo: não sai do papel
Trem-bala brasileiro já ultrapassa o custo de R$ 1 bilhão sem sair do papel (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Sem ter feito a transposição das águas do Rio São Francisco ou a reforma da malha rodoviária para o escoamento da produção ou qualquer obra de razoável relevância, o projeto petista de perpetuação no poder precisava de algo grandioso, caro e retumbante. Optou o governo pela introdução do Trem de Alta Velocidade (TAV) ou, como é mais conhecido, o trem-bala. Escolheu a opção mais inviável e pirotécnica.

Leia também: Uma alternativa ao trem-bala?
Leia também: Mesmo se não sair, trem-bala custará R$ 1 bilhão

Nos países onde é operado, como Alemanha, Canadá, Chile, China, Coreia, Espanha (onde houve recente e grave acidente), França, Formosa (que alguns chamam Taiwan), Itália, Japão, Noruega, Portugal, Reino Unido, Suécia o serviço funciona a uma velocidade nunca inferior a 140 Km/h. Todos estes países têm a tradição de manutenção de linhas ferroviárias regulares para o transporte de passageiros e de carga, aliviando as rodovias.

No Brasil, a história é outra. Foi no segundo império que dom Pedro II dotou o país de um formidável sistema ferroviário, ligando os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O contrato foi assinado em 1885. Três anos depois, diversas linhas já estavam em operação. Considerando a tecnologia da época e a atual, aquele sistema ferroviário foi muito mais barato e entregue com mais rapidez e eficiência. Até porque o trem-bala brasileiro, a passos de cágado, já ultrapassa o custo de R$ 1 bilhão sem sair do papel.

A partir da década de 50, com a implantação da indústria automobilística, o governo abandonou as ferrovias, acreditando que o “País que vai pra frente” andaria melhor sobre o asfalto. Estações, ferrovias e até mesmo cidades por onde passavam as linhas foram simplesmente esquecidas e abandonadas. O país perdeu a tradição do transporte ferroviário e, consequentemente, o trem da História. Andar de trem passou a ser coisa de gente pobre. Sessenta anos depois, o país teima – de forma inconsequente – em desconsiderar este hiato.

Não muito longe daqui, logo ali depois da Argentina, os chilenos têm o eficiente e elétrico Metrotren que liga Santiago a San Fernando transportando 10 milhões de passageiros a 140 Km/h.

Não se sabe a quem a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann quer iludir quando diz que adiou a licitação atendendo a “alguns interessados que queriam mais tempo e, se fizéssemos (o leilão) agora, poderíamos ter apenas um concorrente, o que seria ruim para o processo licitatório”. O TAV já é inviável. Para ficar pronto, até 2020, o trem-bala custaria, pelo menos, R$ 35 bilhões – isso sem considerar os corriqueiros superfaturamentos que sequer nos indignam ou impressionam mais. A ligação Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro, com 503 quilômetros de comprimento, atenderia um público potencial de cerca de 30 milhões de pessoas a uma velocidade de 360 KM/h. Não é uma obra banal: haveria quinze quilômetros subterrâneos, 105 viadutos e túneis em relevo tão acidentado quanto a conhecida Serra das Araras.  

Tratado no país como novidade, o TAV já é centenário, por exemplo, na Alemanha. O elétrico alemão opera desde 1903 a mais de 200 km/h. O mesmo acontece com o Fliegender Hamburger – ligando Hamburgo a Berlim – que existe desde 1922.

Mas não se engane. É muito provável que nosso trem bala nunca entre nos trilhos, principalmente se os governantes lerem as próximas linhas. O trem-bala não dá lucro. Somente duas linhas no mundo não geram prejuízo: os trechos Paris/Lyon e Tokio/Osaka.

 

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

12 Opiniões

  1. Markut disse:

    Excelente o comentário de Cláudio Carneiro. De fato , se trata de uma pirotecnia irresponsável, visando uma estúpida perpetuação no poder, se possível, per omnia secula seculorum., que o lulo- petismo pretende nos enfiar goela abaixo, Claro, às nossas custas, comprometendo o essencial que é o estado em frangalhos da nossa infraestrutura tanto física, como moral e ética.

  2. Mauricio Fernandez disse:

    O Brasil de hoje não necessita de trem-bala. Tem urgência de um sistema de saúde adequado e de vergonha na cara.

  3. Roberto1776 disse:

    Que falta que faz um Percival Farqhart, fundador da Viação Férrea Rio-Grandense e investidor da Madeira-Mamoré.
    Esses magnatas jamais se atreveriam a investir novamente no Brasil.
    Vai que surge um novo e estatizante Engenheiro Leonel de Moura Gaúcho.

  4. Miguel Meira disse:

    Sequer obras de grande porte estão terminadas e entregues aos brasileiros, mais uma vez as três incompetentes mulheres (não por serem mulheres mas eu não tenho culpa que sejam mulheres) que se masturbam mentalmente todos os dias com obras megalomaníacas, querer enfiar goela abaixo o “insensato”. Estas três mulheres deitam, acordam e se deleitam o dia todo pensando em placas inaugurativas com seus belos nomes escritos para a eternidade.
    Aconselho que não esquentem muito com isso porque logo, logo os vândalos, que gostam tanto delas, chegarão para arrancá-las, se elas insistirem com a pouquíssima inteligência que possuem. Aliás, estou desconfiado que deverá ser para arrumar mais um por fora para os seus amigos. O que será que virá pela frente ?

  5. Miguel disse:

    Basta transferir a licitação para o governo de São Paulo que rapidinho ela anda, vejam como o metrô lá anda ligeirinho.
    Enquanto o governo federal não consegue empresas para o comentado processo, a PEC DA EMENDA IMPOSITIVA DAS VERBAS PARLAMENTARES foi aprovada com ampla maioria pelos grandes deputados federais num passe de mágica.
    VOTO NULO NELES!

  6. Mauricio Fernandez disse:

    A PEC da Emenda Impositiva foi a resposta dos congressistas despida de ética, moral e bom senso ao povo que saiu as ruas em protesto as ações devastadoras à dignidade dos brasileiros. HUM BILHÃO DE REAIS foi o custo somente do projeto do trem-bala.

  7. Djalma Gomes disse:

    Matéria interessantíssima! Dispensa até comentários porque a história está contada na íntegra, desde as ferrovias às rodovias, enriquecida ainda com os atropelos daquilo que nem na metade está – vide Transposição do S. Francisco. A pior desgraça que aconteceu ao Brasil foi o povo entregar o país ao PT. Daquele dia em diante tudo virou vergonha e a palavra perdeu seu valor. Aliás, palavra… era o que pregava Lula e o resto do PT quando engabelava o povo dizendo que seu partido seria singular e bem de acordo o discurso pré eleição. Outra coisa parecida com o Trem Bala é a ferrovia Oeste-Sul-Bahiano que mal saiu do papel e parou, ou segue sendo construída por tartarugas.

  8. helo disse:

    Não sai do papel e já custa um dinheirão.

  9. Petrus disse:

    Desde de quando se deve acreditar que os nossos competentíssimos líderes falam sério. Eles só sabem lidar com os bolsos deles… e o povo… VAMOS VOTAR DIREITO!!!

  10. Herculano disse:

    Mais um gigante projeto quê não vai sair do papel e se sair,vai ser a passos de tartaruga para esses malditos governantes terem tempo para desviar uns bons trocados.Me dá nojo desse país de me— em que nós moramos.Estradas destruidas,educação aos farrapos,salários de miséria e por ai vai. Uma pena.

  11. Manassés disse:

    Com certeza o Trem Bala nunca irá sair do papel e não se trata de falta de dinheiro. Dinheiro tem sobrando, (a construção recente e incrivelmente rápida de vários Estádios luxuosos em nosso território prova isso)

    O problema deve ser outro. Acredito que por trás desse passo de tartaruga para implantar o Trem Bala no Brasil, estejam as mãos dos empresários donos de linhas rodoviárias e aéreas que abocanham o trajeto Rio-São Paulo.

    Apavorados com a possibilidade de perder os passageiros, que cada vez rareiam mais. devem estarem atrapalhando o mais que podem o início desse projeto. Eu seria mais um passageiro que deixaria de viajar em ônibus no trajeto Rio-São Paulo, nem tanto pela rapidez do Trem Bala, (porque quando viajo não tenho pressa) mas sim pelo péssimo serviços que prestam.

  12. samuel campos ferreira disse:

    Trem bala perdida!

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *