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ITÁLIA

Tribunal italiano condena 24 envolvidos na Operação Condor

O julgamento, o primeiro desse tipo na Europa, condenou à prisão perpétua membros de alto escalão de ditaduras de seis países sul-americanos

Tribunal italiano condena 24 envolvidos na Operação Condor
Veredicto foi resultado de anos de pressão das famílias dos desaparecidos (Foto: Carlos Teixidor Cadenas)

Um tribunal italiano sentenciou 24 pessoas à prisão perpétua por seu envolvimento na Operação Condor, na qual as ditaduras de seis países sul-americanos conspiraram para sequestrar e assassinar oponentes políticos.

O julgamento, o primeiro desse tipo na Europa, começou em 2015 e se concentrou na responsabilidade de membros de alta patente das ditaduras militares do Chile, Paraguai, Uruguai, Brasil, Bolívia e Argentina pelo assassinato e desaparecimento de 43 pessoas, incluindo 23 cidadãos italianos.

Entre os condenados estão Francisco Morales Bermúdez, presidente do Peru de 1975 a 1980, Juan Carlos Blanco, ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Pedro Espinoza Bravo, ex-vice-chefe de inteligência do Chile, e Jorge Néstor Fernández Troccoli, ex-chefe de inteligência naval do Uruguai.

Não se sabe exatamente quantas pessoas morreram como resultado da conspiração, mas promotores na América do Sul e Itália forneceram evidências de que pelo menos 100 ativistas foram mortos na Argentina, incluindo 45 uruguaios, 22 chilenos, 15 paraguaios e 13 bolivianos.

“A Operação Condor não poupou ninguém. Refugiados e requerentes de asilo foram especialmente visados, enquanto crianças – detidas ilegalmente com seus pais – tiveram sua identidade biológica roubada e substituída pela de famílias adotivas”, disse Francesca Lessa, pesquisadora do Centro Latino-Americano da Universidade de Oxford.

Segundo um banco de dados que registra os crimes da repressão regional coordenada, pelo menos 496 pessoas de 11 nacionalidades foram sequestradas sob os auspícios da Operação Condor.

Documentos desclassificados sugerem que algumas vítimas foram drogadas, seus estômagos foram abertos e elas foram jogadas de aviões no Oceano Atlântico. Os corpos de outras vítimas foram cimentados em barris e jogados em rios.

O veredicto foi o resultado de anos de pressão das famílias daqueles que desapareceram. “Há décadas, os parentes das vítimas vêm buscando justiça. No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a impunidade dominou a América do Sul, com ex-políticos e oficiais militares envolvidos na Operação Condor ainda desfrutando de imunidade. Trazê-los perante um juiz para assumir a responsabilidade por seus crimes não foi uma tarefa simples”, disse Lessa.

Os crimes ocorreram nas décadas de 1970 e 1980. “Muitos dos agressores estavam envelhecendo e poderiam não ter sido levados à justiça. Quanto mais tempo passava, mais as testemunhas daqueles crimes atrozes envelheciam ou morriam “, disse George Ithurburu, advogado da ONG 24 de Março, sediada em Roma.

Os promotores do caso se basearam no precedente estabelecido em 2000 pela prisão em Londres do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, sob o princípio de “jurisdição universal”. Em 2016, o último ditador militar da Argentina, Reynaldo Bignone, e 16 outros ex-oficiais militares foram sentenciados a anos de prisão, marcando a primeira vez em que o tribunal provou a existência da Operação Condor.

Fontes:
The Guardian-Italian court jails 24 over South American Operation Condor

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    The Guardian se regozijando com a condenação de pessoas que impediram a praga conhecida como socialismo de se estabelecer na America Latina, apesar do “sucesso” de CUBA e VENEZUELA. Malditos socialistas.

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