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Política

Tudo vai muito bem (nos poderes da República)

Quando tudo vai bem, o que a gente menos quer falar é em mudança. Deixa como está! Não mexe!

Tudo vai muito bem (nos poderes da República)
A conivência e a conveniência, vêm sustentando a hegemonia de um projeto de poder que já não esconde a que veio (Foto: Wikimedia)

Estou falando dos membros das instituições. Dos órgãos do Estado, do governo, do parlamento, da justiça. Para esse específico e decisivo conjunto de pessoas, de autoridades, tudo está muito bem. Não têm do que se queixar. Os vencimentos são bons, os subsídios idem, prerrogativas e privilégios também, o modelo lhes garantiu acesso aos postos que ocupam, as regras do jogo lhes foram convenientes. Em grande parte, conquistaram suas posições com méritos intelectuais nos postos ocupados por concurso, e por méritos políticos nos postos eletivos ou de indicação. Tudo está no seu lugar e todos estão onde querem. Deixa tudo como está!

Esse tem sido um clássico entre os problemas brasileiros. Muda-se apenas o mínimo necessário para que nada mude, como já disse alguém. Estamos em meio a uma crise cujos promotores são conhecidos e sobre cujas causas ninguém tem dúvidas. Tudo vai mal para quase todos. Mas tudo vai bem para quem decide sobre quaisquer mudanças e sobre os rumos a serem dados ao país. Provavelmente, os “honorable gentlemen”, como diria Churchill a eles se referindo, ouviram dizer que a sociedade se inquieta. Escutaram panelaços. Souberam que o povo saiu às ruas. Perceberam que a eleição e a apuração dos votos de outubro de 2014 transcorreram numa caixa preta. Têm consciência de que quem venceu mentiu mais que o capeta e alcançou seus fins pelos piores meios. Não desconhecem que há um escândalo em cada esquina. Acham o juiz Sérgio Moro um chato de galocha. Mas a experiência lhes ensinou que o melhor remédio, para quem não quer marola, vem com um dia depois do outro.

Eis aí o motivo pelo qual nada está acontecendo, embora todos esperem que algo aconteça. Por mais que as circunstâncias favoreçam seu trabalho, nem mesmo a dita oposição se atreve a cumprir seu papel. No Congresso Nacional, ela, a oposição, é a turma do “deixa disso!”. Quando o clima esquenta, os caciques botam fogo. No cachimbo da paz, quero dizer. E trocam apaziguadoras baforadas. Os “honorable gentlemen” vão muito bem, obrigado, e nada têm a reclamar. As eventuais dificuldades pessoais se decidem com alguma leizinha privada, em benefício próprio, de comum acordo, porque nada é mais sagrado do que o bem estar e o estar bem nas instituições da República.

A conivência e a conveniência, vêm sustentando a hegemonia de um projeto de poder que já não esconde a que veio. Quem acha que nada deve mudar, em breve verá tudo mudado. Saiba, portanto, o leitor: em tais condições, nada serve melhor à ruína do país que a modorra institucional, que o conformismo dos tíbios e o silêncio dos omissos. Espero que o Congresso do PT desperte as instituições para seus compromisso com o bem do país, que não pode ser boi de canga para um projeto totalitário de poder.

* Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor

1 Opinião

  1. Jayme Mello disse:

    Dizem lá, nos idos de…, um adágio popular que é o “cachimbo faz a boca torta” do fumante. Mas, o hábito de fumante, aqui na santa terrinha de nós todos, gradativamente e, em favor da saúde coletiva, vem sendo proibido devido a tantos males causados a sociedade como um todo.

    Assim, de maneira idêntica e inexorável, estamos juntos, extirpando de uma vez por todas, as sequelas antidemocráticas do outrora, as quais, vividas, sofridas pelo povo, durante mais de cento e vinte anos de infortúnios democráticos.
    Hoje, o Estado brasileiro como uma grande orquestra, seus tenores, sopranos e, os demais componentes, cada qual no seu naipe musical, vem igualmente regendo a música para o grande público.

    Vez por outra, uns sobem e outros abaixam o tom musical, enfim, desafinam, entretanto, são equívocos (agora) corrigidos e, acreditem: mais que corriqueiros, tratando-se duma grande orquestra.

    Melhor exemplificando, recentemente tivemos no STF, uma decisão judicial, contrária à outra decisão individual, mostrando-nos, todavia, que controvérsias à parte, ainda, prevalece o Estado de direito.

    Infelizmente, para alguns saudosistas, o ritmo musical regido pela grande orquestra, deixou lá com o passado o jazz, rock roll, bolero, valsa, tango, blue.

    E, hoje, sem nenhum preconceito, o ritmo predominante é o samba, que todos sabem de ouvido e no pé e, em grande parte desses ouvintes, são os nordestinos e os descendentes dos originários da senzala.

    Portanto, não é o caso e muito pelo contrário, pois, mais que nunca esse povo -, mesmo não sendo (ainda) letrado o suficiente -, entretanto, hoje, está mais atento às armadilhas daqueles passados, apesar de tantas e tantas verbalizações filosofias e algumas dessas até, inconfessáveis, que circulam nos meios de comunicação, sendo grandes partes dessas, infelizmente, regiamente encomendadas.

    Mas, ainda que alguns desses “pensantes” julguem que o andor esteja sonolento, ainda assim, é preferível à “tal” suposta apatia, que outro golpe contra as instituições, afinal, essa nova e linda juventude do agora, não merece trinta anos de agonia, principalmente, sem o direito de filosofar, igualmente, lá daqueles idos e, aquelas sim, sem cachê nem tampouco pro labore, pelo simples direto de um nacionalista (qualquer) pensar no Brasil melhor, principalmente, para os brasileiros.

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