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TURISMO

Maio é o Mês do Pinhão em Visconde de Mauá

Fruto do único pinheiro nativo do Brasil é a grande estrela do Salão do Pinhão e do Concurso Gastronômico que começa logo depois

Maio é o Mês do Pinhão em Visconde de Mauá
O pinhão é fruto da araucária, o único pinheiro nativo do Brasil (Foto: Daniella Fernandes)

Maio é o mês das noivas, e isso todo mundo sabe. O que nem todo mundo sabe é que nas terras altas da Mantiqueira, mais precisamente na região de Visconde de Mauá, maio é também o Mês do Pinhão. Assim, com maiúsculas, porque maiúscula é a importância do pinhão e da sua festa para o calendário turístico das vilas de Mauá, Maringá e Maromba, com suas cachoeiras de águas cristalinas e seu clima de dois mil metros acima do nível do mar – altitude propícia à reprodução da araucária, o único pinheiro nativo do Brasil, a árvore cujo fruto é ele, afinal, o pinhão.

A abertura do Mês do Pinhão aconteceu na última quinta-feira, 3, no Centro Cultural Visconde de Mauá, que fica na Aldeia dos Imigrantes, um pequenino e charmoso shopping aberto da vila de Mauá. Será um maio de diversas atrações no próprio centro cultural, que recebe mais uma vez o Salão do Pinhão – já são 12 salões consecutivos, desde 2006 – com apresentação de músicos e exposição de obras de artistas da serra: artistas plásticos, fotógrafos e escultores, todos abordando em seus trabalhos a grande estrela do mês, o pinhão, ou a araucária, ou a gralha-azul.

Dois workshops serão destinados às crianças (Foto: Daniella Fernandes)

Salão do Pinhão estará aberto aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 18h, até o dia 26 de maio. Os visitantes podem votar na sua obra preferida. O grande mote do Mês do Pinhão é reunir a cultura e a gastronomia da Mantiqueira. Neste sentido, no dia 21 de maio a chef Ana Ribeiro apresentará o pinhão às escolas da serra. De 11 a 13 de maio, acontece a Festa do Pinhão, no campo de futebol do Lote 10, vizinho à vila de Mauá, com diversos shows musicais. Em junho, será a vez do Concurso Gastronômico, quando as dezenas de restaurantes da região de Visconde de Mauá, e até suas lojinhas de chocolate, criam pratos que têm o pinhão como ingrediente.

É à mesa que a gente de Mauá celebra todos os anos o inverno nessas terras que ficam a poucos, pouquíssimos quilômetros daquela que é nada menos que a região mais fria do Brasil, ainda que inabitada: o planalto do Parque Nacional do Itatiaia, que na segunda quinzena de abril deste ano já registrou, mais de uma vez, temperaturas abaixo de zero.

A lenda da gralha-azul

Falamos acima que os artistas da região de Visconde de Mauá também costumam retratar a gralha-azul nas obras feitas para o Salão do Pinhão. É que esse pássaro é o replantador natural da araucária. Diz a lenda que em tempos antanhos uma gralha comum, sem maiores coloridos, por assim dizer, pediu a Deus que lhe desse uma missão que lhe fizesse especial. Deus colocou em seu bico um pinhão. A gralha não entendeu muito bem. Ela resolveu comer uma parte do fruto e enterrou a outra parte, guardando-a para depois.

Acontece que a gralha esqueceu o local exato onde havia enterrado seu lanche. Logo, porém, percebeu que crescera uma árvore nova nas redondezas, uma araucária. Quando a araucária cresceu e começou a dar frutos, a gralha, feliz da vida, decidiu que repetiria aquele método: de cada pinhão que pegava para comer, enterrava uma parte. Não demorou para que a área onde ela vivia se transformasse numa floresta de araucárias. Diante daquele belo trabalho, Deus pintou-lhes as penas de azul, para que todos os homens da terra e pássaros do céu distinguissem seu grande esforço.

Quem subir a Mantiqueira para a região de Visconde de Mauá neste Mês do Pinhão, até os fins do inverno, não terá dificuldades para encontrar embalagens do fruto da araucária, e do trabalho diligente da gralha-azul, para levar para a casa, junto com as instruções de preparo ditadas pelo vendedor. Desde o alto da serra, nas ruazinhas estreitas de Mauá, Maromba e Maringá, até às margens da Via Dutra. Sim, porque Mauá, Araucárias, Gralhas e Pinhões estão quase a meio caminho entre as duas maiores cidades do país.

 

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