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TURISMO MÉDICO

Quando o check-in é no centro cirúrgico

Brasil é classificado pela Medical Tourism Association como o segundo país mais qualificado, entre custos e benefícios, para receber esse tipo de viajante

Quando o check-in é no centro cirúrgico
A América Latina é vista hoje, em conjunto, como um dos destinos com maior potencial em todo o mundo para o turismo médico (Foto: Pixabay)

Há não muito tempo era comum no mundo inteiro ver médicos recomendando a quem precisasse, e a quem pudesse, é claro, viajar para destinos turísticos de praia ou de montanha para fins terapêuticos, para “recuperar a saúde”, tendo em vista os benefícios que novos e puros ares notoriamente têm, sempre tiveram, para a saúde física e mental.

Pois agora, a rigor já há algum tempo, a viagem para destinos turísticos do globo até há pouco reconhecidos “apenas” por paisagens paradisíacas parece ter uma razão de ser a mais, que são os cuidados de saúde propriamente ditos. Trata-se do turismo médico, setor em ascensão da economia global, impulsionando, por exemplo, pela ong Pacientes Sem Fronteiras (uma espécie de editora especializada em turismo médico) e que tem hoje, por exemplo, a Tailândia como um dos líderes globais. A Tailândia, onde um dos tratamentos mais procurados, responsável pela posição no ranking, é a mudança de sexo.

Essas são, aliás, duas características desse mercado: o protagonismo de países emergentes e os cuidados médicos, digamos, não vitais, como as cirurgias estéticas, onde se destacam países que não estão propriamente entre os mais desenvolvidos do mundo, como o Dubai, a Coreia do Sul e o Brasil.

Outro protagonista do turismo médico é o México, onde os cuidados com a saúde podem ser até 60% mais baratos do que nos EUA. Um dos tratamentos mais procurados em clínicas e hospitais mexicanos é a cirurgia bariátrica. Não por acaso todos os anos cerca de 50 mil cidadãos de um dos países com maior taxa de obesidade em todo o globo, os EUA (outro é o próprio México) cruzam a fronteira em busca de ajuda cirúrgica para redução do peso.

O Ministério do Turismo mexicano criou recentemente o Conselho Consultivo de Turismo Médico, que reúne atores do setor público, privado e da sociedade civil com o intuito de alavancar políticas que fortaleçam esse tipo de turismo, setor que no México quintuplicou na última década, movimentando hoje no país cerca de US$ 5 bilhões de dólares por ano.

Só para província de Tijuana, internacionalmente conhecida pela violência gerada pela disputa entre facções do tráfico de drogas, afluíram nada menos que 1,5 milhão de pessoas em 2017 especificamente para fins de cuidados médicos, entre pacientes nacionais mexicanos ou estrangeiros, a maioria americanos.

Brasil: lipos e liftings faciais

A América Latina é vista hoje, em conjunto, como um dos destinos com maior potencial em todo o mundo para o turismo médico, devido, entre outros fatores, à proximidade com os EUA. Na América Latina esse setor pode ter, por exemplo, a importância ele vem tendo para Portugal, país da zona do euro castigado nos últimos anos pela estagnação econômica e que teve justamente no turismo, em geral, e no turismo médico, em especial, uma válvula de escape para a crise, com um potencial, segundo especialistas, de movimentar 100 milhões de euros por ano.

A Colômbia viu duplicar o número de pacientes estrangeiros acorrendo a suas clínicas e hospitais entre 2012 e 2016 para, entre outros procedimentos, implante de próteses de queixo. A Costa Rica, um dos líderes regionais em turismo médico, tem nesse setor hoje um importante fundamento de sua economia de resto sem grandes fontes de receitas. Afora o próprio turismo tradicional, muitos estrangeiros procuram os ares costa-riquenhos em busca de implantes de glúteos.

Mas o turismo médico pode ser fonte também de imbróglios regionais. Tem havido, por exemplo, mal-estar entre a Argentina e a Bolívia porque muitos bolivianos têm buscado tratar-se gratuitamente no sistema público de saúde argentino, de qualidade internacionalmente reconhecida.

Mas não são só os países em desenvolvimento que surfam a onda do turismo médico. Estimativas dão conta de que na Alemanha, por exemplo, cerca de 45% dos 270 mil estrangeiros que são tratados nos hospitais e clínicas do país todos os anos o são por “motivos não-fortuitos”, ou seja, não são turistas que passaram mal ou se acidentaram durante a viagem. São, isto, sim, turistas que viajam por razões médicas.

O Brasil, além de lipoaspirações, aumento de seios e liftings faciais, vem sendo muito procurado para tratamentos oncológicos, operações cardíacas e neurológicas. No último dia 20 de fevereiro a Medical Tourism Association, baseada nos EUA, classificou o Brasil na segunda posição em seu Top 10 de destinos para turismo médico em todo o mundo, não segundo o número de visitantes, mas segundo as credenciais e certificações de cada país para receber pacientes desse setor. O Brasil fui superado, no ranking, apenas pela Índia.

 

 

 

 

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