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Uber luta pelo direito de continuar nas ruas

O 'O&N' foi às ruas saber qual é a opinião dos motoristas do serviço de caronas pagas e dos taxistas em relação ao aplicativo

Uber luta pelo direito de continuar nas ruas
O serviço de motoristas de luxo vem causando polêmica na mídia nos últimos meses (Foto: Divulgação/Instagram)

Recentemente, os noticiários e jornais foram tomados por uma questão de utilidade pública: o debate entre taxistas e motoristas do aplicativo Uber, o serviço de motorista particular de luxo. No dia 24 de julho, taxistas do Rio de Janeiro se mobilizaram em vários pontos da cidade. Em protesto contra o serviço, eles fecharam ruas e vias em um comboio em direção à Prefeitura, na Cidade Nova. No mesmo dia, a Uber fez uma promoção de duas viagens grátis por passageiro, no valor de até R$ 50.

Criado em 2009 por dois amigos em São Francisco, Califórnia, o aplicativo rapidamente se tornou popular nos Estados Unidos e começou a se expandir. Hoje, avaliado em mais de US$ 50 bilhões, está presente em mais de 60 países. Chegou ao Brasil em maio de 2014, e já está presente no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Maceió.

Desde a sua chegada ao país, a empresa vem sofrendo pressão de taxistas, que alegam que o serviço é “concorrência desleal”, já que não passa pelo processo de retirada de licença que os táxis têm de obter para que possam circular. O aplicativo foi considerado ilegal pelas prefeituras do Rio de Janeiro e São Paulo.

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No site da empresa, as instruções de como utilizar o serviço (Foto: Divulgação)

O Opinião & Notícia conversou com motoristas da empresa para saber como a rotina deles foi afetada pelos protestos dos taxistas no Rio de Janeiro.

“Muita gente que não conhecia o serviço baixou o aplicativo, por causa das notícias e da promoção. Foi o dia que eu mais trabalhei. Comecei às 20h e só parei às 6h30. Só parei duas vezes para abastecer, e voltei. Pensei ‘vou aproveitar’. Não parei a noite toda”, disse um dos motoristas, Fabio Henrique.

Outro motorista, que não quis ser identificado, diz que passou a trabalhar na empresa por medo da “canibalização da profissão dos taxistas pela Uber”.

“Sabe aquele velho ditado ‘Já que você não pode com o inimigo, junte-se a ele?’. Foi mais ou menos isso que eu fiz. Tenho medo de, de repente, o táxi acabar e eu ficar sem profissão. Mas eu não mudei meu perfil quando entrei na Uber. Eu trato meus passageiros igual eu tratava os meus passageiros de táxi, só que com algumas diferenças, como abrir porta, oferecer água. Mas eu espero que se o aplicativo vingar, não acabe com o táxi”.

Questionado sobre o comportamento dos taxistas em relação aos motoristas da Uber, ele disse já ter presenciado agressão a um amigo que também dirige para a empresa de carros particulares. “Na época, eu ainda não trabalhava na Uber, ainda estava com o táxi. Mas não são todos que fazem isso, é uma minoria. Não são todos que são mal educados, que ficam dando voltas com o passageiro para a corrida dar mais cara, ou que se vestem mal, não cuidam da limpeza do carro”.

Quanto aos benefícios de cada um, ele diz que se a Prefeitura do Rio tivesse com os táxis um terço da organização que a Uber tem com seus motoristas, o cenário seria diferente. “A Uber tem um controle muito legal. A plataforma [da empresa] faz com que o motorista realmente ande na linha. E o que é bom é para ser copiado. Eu acho que isso é um exemplo para a Prefeitura fazer igual. É uma minoria de taxistas [que se aproveitam da falta de controle], então seria fácil controlar”.

De acordo com ele, todos os motoristas da empresa que ele conhece gostam de trabalhar para a Uber. Ele conta que é fácil entrar para o time de motoristas de luxo: é só ter um carro que se encaixa no perfil da empresa (sedã preto com ano de fabricação posterior a 2010) e passar por uma “sessão de ativação”.

“Lá eles dizem como funciona a Uber, ensinam a gente a tratar o passageiro, os protocolos deles. Mas é uma coisa rápida: eles verificam a nossa documentação, checam se está tudo certo e pronto, já começamos a trabalhar”.

Do lucro dos motoristas, 20% do total de cada corrida vai para a empresa. “Se der certo. Eu vou ficar aqui. Quero trabalhar, ajudar meus passageiros e tratá-los bem que nem eu fazia quando estava no táxi”.

TAXISTAS

O Opinião & Notícia também ouviu o taxista Antonio Vilela, que dirige táxi há 15 anos, quanto a sua opinião sobre o aplicativo. “Eu fiquei assustado no início, quando surgiu todo esse ‘bafafá’. Pensei mesmo que fosse ter problemas, mas até agora não notei diferença no meu número de corridas”.

E quanto ao futuro? “É difícil dizer, porque às vezes uma coisa que você acha que não vai te afetar, acaba atrapalhando a sua vida e uma coisa que te preocupa nem tem tanto impacto. A Uber até agora não me atrapalhou, mas eu não posso falar pelos meus colegas”.

Antonio comentou também a tecnologia usada pelo aplicativo. “Eu acho que é uma boa ideia. Tanto é que já tem cooperativa copiando. É isso aí, tem que evoluir, o mundo está girando, está criando, novidades aparecem. Hoje em dia ninguém usa o telefone para quase nada, tudo é ali na palma da mão. Até para pedir comida e transporte”.

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Passageiros da Uber desfrutam de um serviço luxuoso, com carros em estado impecável, água e balas (Foto: Instagram)

CLIENTES

Os usuários da Uber torcem pela legalização do serviço. Na hashtag #UberBrasil, no Instagram, depoimentos de quem utilizou o serviço provam a eficiência do aplicativo.

“É impressionante a energia que gastam para impedir a inovação de produtos e serviços. Que tal usar essa mesma energia para promover e incentivar a criatividade, a inovação e melhoria? Não há como deter a evolução tecnológica”, diz o usuário Ademir Rezende.

“O consumidor deveria ter o direito de escolher que tipo de serviço o atende. Os taxistas são um tipo de serviço e deveria haver outros. Da mesma forma que os ônibus também deveriam ter uma alternativa particular. Respeito ao consumidor!” diz Liliciodaro.

No dia 25 de agosto, a Câmara do Rio aprovou um projeto de lei que prevê multa de R$ 2 mil aos motoristas que forem pegos fazendo caronas pagas. O prefeito Eduardo Paes tem o prazo de 15 dias para decidir se sanciona o projeto. Apesar da aprovação do projeto, a Justiça concedeu a Uber, no dia 14 de agosto, uma liminar que impede o governo de multar os motoristas. De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a decisão segue em vigor.

RESISTÊNCIA

No dia 28 de agosto, os usuários do serviço receberam um e-mail esclarecendo que o serviço continua ativo, apesar da aprovação do projeto de lei.

A mensagem esclarece que a Uber é completamente legal, por se tratar de uma plataforma inovadora que não possui leis para regulamento de suas atividades, e que não é concorrência desleal, pois os “motoristas parceiros fazem transporte privado e os motoristas de táxi fazem transporte público. Um motorista parceiro paga IPVA anualmente e o IPI na hora da compra, diferentemente de táxi, cujos alvarás são distribuídos gratuitamente pela prefeitura”.

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O e-mail termina explicando que a Uber paga impostos e que com uma regulamentação, as prefeituras poderão apontar qual o modelo de arrecadação que faz mais sentido para cada cidade. Com o convite para que os usuários participem do debate, vem grito de guerra adotado pelas empresas e seus simpatizantes: “Uber On!”.

 

4 Opiniões

  1. Telbia Weiss disse:

    Quanto o OPINIÃO E NOTICIA está recebendo pra publicar uma matéria tão controladora?
    Nem se deu o trabalho de disfarce, tá obvio o apoio pra mais uma máfia ser aprovado nesse país onde tudo se leva na falcatrua, deslumbres ao dinheiro e ao poder. sempre decepcionada…. E tem os apoios de egoístas que não conseguem olhar a sua volta, apenas pensam, SE TA BOM PRA MIM dane-se o resto. Essas atitudes, resulta da degeneração de princípios e de uma sociedade falida

  2. Washington disse:

    Um serviço reconhecidamente útil e aprovado pelos cidadãos.
    Por que não estudar uma forma de regulamentar e taxar serviços como o Uber? O governo coletaria mais impostos, desempregados poderiam trabalhar, empregados poderiam complementar a renda, taxistas que hoje alugam alvará poderiam se regularizar e claro, os usuários, que até agora não foram convidados a opinar, seriam beneficiados com mais opções de transporte na cidade. “Uber On!”.

  3. Raimuando Rocha Braga disse:

    Ótimo e eficiente serviço.Barrar a tecnologia a serviço do cidadão é burrice e atraso .

  4. Luana disse:

    Quero o direito de escolher entre um transporte e outro.
    Sr. Pezão e Eduardo Paes sancionem a legalização do aplicativo ou não passarei nem perto de um candidato do seu partido.
    O metrô (ao meu ver) muito mais vantajoso no ponto de vista da rapidez e conforto não acabou com empresas de ônibus. Por que tanto impasse a favor da liberdade de escolha do cidadão?
    UBER ON!!!

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