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FIM DE ANO

Um conto real de Natal

Pessoas solidárias e projetos sociais fazem o Natal de muita gente feliz

Um conto real de Natal
Papai Noel chega de carroça na instituição (Foto: Obra Social Migalhas de Luz)

Na história tradicional, Papai Noel desafia a matemática ao entregar presentes para crianças de todo o mundo em apenas uma noite. Durante o resto do ano, acontece a produção de presentes com ajuda de elfos ou duendes. No grande dia, ele deixa o frio de sua casa na Lapônia, na Finlândia, e vai entregar os presentes no seu trenó puxado por nove renas voadoras. No entanto, numa versão brasileira, Papai Noel tem um meio de transporte diferente, mas não menos mágico: uma carroça.

Sua chegada é muito aguardada pelas crianças carentes, de zero a 12 anos, da Obra Social Migalhas de Luz, no município de Japeri. O dia é de alegria e de sacos de presentes, cuidadosamente preparados por outro tipo de duendes: pessoas solidárias.

A partir de uma campanha de apadrinhamento, os participantes recebem um saco com os dados da criança, que vai ser beneficiada, e com uma lista de itens como roupa, sapato, brinquedo e material de higiene pessoal. Depois os organizadores do evento recolhem os sacos, que os participantes encheram com os itens pedidos.

No grande dia, que neste ano, foi no último sábado, 19, o Papai Noel chegou com sua carroça lotada com mais de 700 sacos cheios de presentes.

“Nós esperamos que as pessoas pensem mais umas nas outras, não só nisso de comida, bebida e presentes, nessa coisa muito consumista”, diz Andréa Gomes da Costa, filha de Olívia Gomes da Costa, de 72 anos, uma das fundadoras da instituição. “Algumas crianças têm medo do Papai Noel, mas muitas ficam com o olhar parado, extremamente apaixonadas por aquela magia do Natal. Eles ganham tudo novo e é praticamente a única vez do ano que ganham presentes”.

Um dia de Papai Noel

Mas também há outro tipo de doação que faz o Natal de muita gente feliz, a doação de afeto. O Lar Maria de Lourdes, na Taquara, abriga crianças e jovens com necessidades especiais. A grande maioria é abandonada pela família e acaba ficando na instituição. A psicóloga Vera Lúcia Lourenço explica que antigamente o perfil do abrigo era atender pessoas de zero a 18 anos, mas com o tempo, como elas não tinham para onde ir, acabaram ficando ali.

As pessoas que ali vivem não andam e têm retardo mental em diversos níveis. No Natal, a sociedade se mobiliza mais que a família. “É preciso ter sensibilidade para entender que o retorno vem no tempo deles, e não no seu”, explica a psicóloga. Ela diz que a instituição fica lotada no dia do Natal, quando as pessoas fazem visitas vestidas de Papai Noel e às vezes, trazem bolos ou presentes. “As visitas acontecem todos os dias, mas nessa época do ano, acho que as pessoas ficam mais sensibilizadas, e por isso vêm mais”, diz.

Não é preciso ter aparência de Papai Noel para fazer o Natal de muita gente feliz. As crianças e jovens da Obra Social Migalhas de Luz e do Lar Maria de Lourdes que o digam.

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