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Coluna Esplanada

Um dia para esquecer na História da Justiça

A soltura de empreiteiros detidos vai afetar em cheio a Operação Lava Jato e pode inibir a descoberta dos grandes corruptos dentro e fora do Governo

Um dia para esquecer na História da Justiça
Executivos da Lava Jato deixaram a prisão nesta quarta (Fonte: Reprodução/Agência O Globo)

A despeito do mérito dos habeas corpus julgados pela Segunda turma do STF, que resultou na libertação dos empreiteiros detidos, faltou bom senso aos ministros para os apelos do juiz Sérgio Moro — e faltou afinidade entre as instituições, independentemente de instâncias, em prol de um resultado histórico. A soltura vai afetar em cheio a Operação Lava Jato e pode inibir a descoberta dos grandes corruptos dentro e fora do Governo. Em 2003, os juízes Lívio Pepino (Itália, Operação Mãos Limpas) e Baltazar Gárzon (Espanha, combate à corrupção) disseram a este repórter que o baque no crime organizado em seus países só deu certo pela união entre as instituições.

Lá e cá

A afinidade que ocorreu na Espanha e Itália, e que faltou no Brasil entre o STF, Justiça Federal, MP e a PF, alcançou relativo sucesso em operações seguidas na Europa.

Na dúvida…

No pacotão da reforma política, o PL 1169/15 do federal Gaguim (PMDB-TO) altera a lei eleitoral e determina a recontagem física de votos, para casos autorizados pelo TSE.

Revolta na Câmara

O presidente Eduardo Cunha baixou o Ato da Mesa que obriga oito horas de trabalho — duas a mais — para diversas categorias de servidores. Tudo começou numa encrenca entre o líder do PHS, Marcelo Aro, com o então chefe do Centro de Informática (Cenin), Luiz Antônio Souza, e o diretor-geral, Sérgio Sampaio.

O estopim

O líder do PHS requisitou ao Cenin servidores para a liderança, mas teriam de trabalhar 8h/dia, e recusaram. Ofendido, o deputado levou o caso ao presidente Eduardo Cunha — que decidiu exonerar o chefe do Cenin, Luiz Antônio, por defender os subordinados.

Resultado

Tudo combinado, nada resolvido — ficou pior: ninguém foi cedido ao PHS, Aro ficou mal na fita, Cunha perdeu simpatia dos servidores pelo Ato e o Cenin perdeu Luiz Antônio, dos melhores quadros efetivos da Câmara, que atuará como técnico legislativo.

Leitura (des)obrigatória

Renan Calheiros presenteou ontem alunos da FGV com um Best-seller — a prestação de contas da sua administração em 2014. Pelas bocas torcidas, notou-se o constrangimento.

O músico

Em entrevista à Revista Grão, que sai hoje, o ministro Luiz Barroso (STF) revelou que, se não jurista, seria músico. Na infância foi vizinho de Cazuza em Paty do Alferes (RJ).

#tobravo!

O presidente do Senado, Renan Calheiros, avisou aos diretores das centrais sindicais que vai cobrar uma posição da presidente Dilma sobre as MPs 664 e 665 — que mudam os prazos para acesso aos benefícios trabalhistas. Soltou que não dá para Dilma ficar neutra e empurrar a responsabilidade para o Congresso.

Haja estômago

Os ministros Henrique Alves (Turismo) e Eliseu Padilha (Aviação) repetiram pelo menos quatro pratos, cada, no jantar do PMDB da Câmara no apartamento de Newton Cardoso Jr (MG), na terça. Para não desagradar aos retardatários que sentavam às mesas.

Promoters

Newtinho, o anfitrião, ficou feliz com o prestígio. Recebeu 50 deputados. Virou concorrente de Fabinho do PV (MG), que promove os mais badalados jantares para os parlamentares — e vez em quando bate ponto na Câmara como deputado.

Esplanada Social

Ilustres excelências se esbaldaram no aniversário da nova dona do restaurante Piantella, Valéria, domingo no Lago Sul — esposa do advogado Kakay. Mariana Aydar fez até sisudos sacudirem, como Marta Suplicy, futura Sra. PSB, e o marido, Márcio Toledo.

Na praça
 
O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Neto, escolheu BH para fazer barulho. Lança amanhã a campanha nacional contra as MPs 664 e 665.

Será mesmo?

Dona Dilma precisa afagar Renan. Quem saiu da reunião dele com as centrais sobre as MPs 664 e 665, como Ricardo Patah (UGT), está assustado com o tom beligerante.

Ponto Final

‘As limitações acabam facilitando a imunidade dos corruptos’.
Baltazar Garzon, em entrevista ao repórter, em 2003.

Com Equipe DF, SP e Nordeste

5 Opiniões

  1. olbe disse:

    Ah, esqueci de dizer, ele vão parar de contratar advogados para tirá-los da prisão. Alguém tem idéia de quanto custa este tipo de defesa?

  2. olbe disse:

    Desculpa discordar mas acho que mandando eles pra casa, com tornozeleira e sem poder se comunicar com seus pares está de bom tamanho porque não vamos precisar ficar alimentando estes crápulas com nosso dinheiro. Desmoralizados eles já estão, deixe que fiquem em casa e que DEVOLVAM TUDO O QUE ROUBARAM!!!!

  3. Marluizo Pires Cruz disse:

    Na Justiça do Brasil o razoável para os ricos e poderosos pode não ser razoável para os pobres sem poder!
    Exemplo: Os ricos e poderosos podem ter bons advogados os pobres sem poder não podem. Aí os pobres sem poder ficam na cadeia os ricos e poderosos não ficam!
    Confirmado na amostragem da população carcerária brasileira e no episodio atual da operação Lava Jato onde o Juiz mandou prender os ricos o STF mandou soltar.
    Tornando atualíssima a frase do comandante: “Quando estávamos prendendo pobres eles estavam achando ótimo, agora que começamos a prender ricos eles mandão maneirar, eu não vou parar”. Mas parou ele foi substituído. No processo de reestabelecimento desta democracia brasileira oportunizada nos interesses de poder.
    Perpetuado a frase do general Charles de Gaulle em relação ao Brasil.

  4. Jayme Mello disse:

    Tecnicamente, por enquanto, há ilações e delações premiadas faltando, portanto, o mais importante num processo criminal, que são as provas materiais contundentes e testemunhos de pessoas de moral ilibada.

    Aliás, tudo isso, transcrito em sentença do STF, que definitivamente restaura o Estado (jurídico) brasileiro.

    E, os habeas corpus – saiu, relativamente, rápido, a jato ou a toque de caixa, lá do STF, justamente, por tratar-se de pessoas que possuem polpudos recursos financeiros, podendo, portanto, contratar poderosas bancas para apresentar as suas IRREFUTÁVEIS defesas.

    Então, fica aqui por conta da nossa vã imaginação o triste destino das pessoas humildes e sem recursos financeiros, em situações semelhantes, quando circunstancialmente, se deparam “frente-a-frente” com a nossa IN-JUSTIÇA BRASILEIRA..

  5. olbe disse:

    Desculpa discordar, acho que eles não são assassinos e ninguém corre riscos de vida por eles estarem soltos, então a atitude de soltá-los, no meu ponto de vista foi correta. pensem bem, a gente ia ter que ficar alimentando e cuidando deles, eles em casa, que sua família tome conta. Eles estão usando tornozeleiras (humilhante), não podem sair a menos que tenham um emprego; não podem se comunicar com seus colegas sob pena de voltarem pra prisão..Eles ainda vão ser julgados, acho que tudo o que tinha pra ser descoberto já foi..O que é importante não é mantê-los presos mas fazer com que devolvam o que roubaram com juros…

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