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Política no Brasil

Um país dividido

O país está fortemente polarizado e o processo de curar as feridas de campanha mal começou

Um país dividido
Mapa do segundo turno mostra um país cortado ao meio (Divulgação/ABr)

A vitória de Dilma Rousseff nas urnas neste domingo, 26, por estreita margem de apenas três pontos, significa que a presidente terá nas mãos um país fragmentado. Mas talvez a vitória da petista fosse inevitável. Apenas três presidentes latino-americanos perderam a reeleição nas últimas três décadas. Probabilidades favorecem os governistas, que têm toda a máquina pública à sua disposição.

Em seu discurso de vitória, Dilma falou arrogantemente de “unidade”, “consenso” e “diálogo”. Mas o processo de curar as feridas da campanha teve um mau começo quando ela nem sequer mencionou Aécio Neves, que já havia ligado para parabenizá-la e desejar-lhe êxito. As cicatrizes são profundas. O predecessor e mentor de Dilma, Lula, chegou a comparar o PSDB aos nazistas por seu suposto desrespeito aos menos favorecidos.

Dada toda a amargura, o bipartidarismo parece uma perspectiva improvável. Figurões do PSDB já deram a entender que a derrota se deve, em parte, à sua débil oposição ao governo nos últimos anos. Eles estão determinados a pressionar por uma investigação no Congresso sobre o escândalo da Petrobras. Esta medida, entre outras, não deve propiciar o tipo de amplo consenso necessário para que Dilma consiga realizar a primeira prioridade delineada em seu discurso de vitória: uma reforma política para tornar o país mais governável.

Brasília à deriva

Em um primeiro momento, a disfunção em seu governo só deve aumentar. A partir de janeiro o Congresso vai sediar 28 partidos, seis a mais que o número atual. Dilma terá o mandato mais fraco de qualquer governo desde que a democracia foi restaurada em 1985, o que tornará qualquer mudança significativa praticamente impossível.

Dilma não tem mostrado, até agora, qualquer sinal de reconhecer os problemas estruturais do Brasil, e muito menos a vontade de mudar de rumo. Empresários que esperavam por indícios de uma trégua no discurso de aceitação da presidente ou pelo menos algumas palavras sobre a necessidade de alavancar o crescimento econômico e facilitar os negócios ficaram desapontados.

É mais provável que Dilma faça pequenos ajustes nas bordas da economia, o suficiente para evitar um doloroso rebaixamento de classificações. Na ausência de uma reforma estrutural, o Brasil continuará à deriva, colocando empregos, renda e até mesmo os queridos programas sociais do PT em risco.

Fontes:
Economist - A riven country

2 Opiniões

  1. helo disse:

    O país foi dividido pelo discurso implacável do PT que dizia: estamos com os pobres, eles estão com os ricos. Eles vão cortar a bolsa família, Marina vai privatizar a Petrobrás. É uma pena esta divisão, que é ilusória e que levará tempo para vermos que fomos enganados.

  2. ney disse:

    Os governos tucanos foram marcados por escândalos financeiros, privatização do bem publico, socorro aos bancos privados, endividamento com o FMI, etc……

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