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ELEIÇÕES 2018

Um pleito marcado por ânimos acirrados

Protestos contra e a favor de Bolsonaro no último fim de semana evidenciam uma eleição presidencial acirrada, na qual o índice de rejeição promete ter papel crucial

Um pleito marcado por ânimos acirrados
Quem vencer, herdará um país dividido. Na foto, manifestação contra Bolsonaro no Largo da Batata, em SP (Foto: Rovena Rosa/Fotos públicas)

Marcado por intensos protestos, o último fim de semana foi um vislumbre das eleições deste ano. No último sábado, 29, atos contra o candidato do PSL Jair Bolsonaro tomaram as ruas de 144 cidades em 10 estados do país, segundo estimativas do portal G1. As maiores manifestações foram registradas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Assim como fez nas manifestações pró e contra impeachment de Dilma Rousseff, em 2015 e 2016, a Polícia Militar não divulgou estimativas de público presente.

Porém, segundo noticiou a rede BBC, cálculos feitos com base em imagens aéreas, que levam em conta a área ocupada pelos manifestantes para produzir estimativas, indicam a presença de cerca de 100 mil pessoas no Largo da Batata, em São Paulo, e 25 mil na Cinelândia, no Rio de Janeiro, no auge das manifestações. Também houve protestos em repúdio a Bolsonaro em Nova York, Lisboa, Paris e Londres.

Em contraponto, embora em menor escala, manifestações de apoio a Bolsonaro também levaram milhares às ruas em 40 cidades em 16 estados do país. No sábado, um trecho de cerca de 100 metros da orla da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro foi tomado por apoiadores de Bolsonaro. Em Brasília, veículos saíram em carreata na Esplanada dos Ministérios. No último domingo, 30, uma manifestação a favor do presidenciável ocupou os dois sentidos da Avenida Paulista, em São Paulo. Os manifestantes se concentraram em dois pontos: um na altura do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e outro perto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Eles começaram a chegar por volta das 14h e o auge da manifestação foi por volta das 15h45. No entanto, por volta das 17h30, uma chuva dispersou a multidão e esvaziou o ato.

Um novo ato contra Bolsonaro está sendo convocado para o próximo dia 6 de outubro, véspera das eleições, pelo mesmo movimento que convocou os protestos do último sábado, o grupo Mulheres Contra Bolsonaro. Há a possibilidade de que novos atos a favor do presidenciável também sejam convocados.

O acirramento é sem precedentes e supera até mesmo a polarizada eleição presidencial de 2014. Ciro Gomes (PDT) iniciou a campanha com grande fôlego, chegando a ser considerado um provável adversário em segundo turno de Bolsonaro – que começou a campanha em segundo colocado nas pesquisas. No entanto, embora competitiva, a campanha de Ciro estagnou após Fernando Haddad ser confirmado como candidato oficial do PT, reunir os votos que antes eram de Lula –até então líder nas intenções de voto – e disparar nas pesquisas, superando Ciro.

Já as campanhas de Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) nunca decolaram, variando sempre entre os 10% e 5% de intenções de voto. Entre os fatores que minaram a campanha de Alckmin estão as críticas a sua aliança com o chamado Centrão, antigo bloco liderado por Eduardo Cunha. Já Marina, embora tenha apresentado uma campanha mais enérgica nestas eleições, não conseguiu reunir apoio o bastante para subir nas pesquisas.

As mais recentes sondagens apontam para um embate entre Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Ambos lideram as pesquisas de intenção de voto, mas neste pleito o índice de rejeição promete ter um papel crucial. O índice representa o percentual de pessoas que não votariam em um candidato de maneira nenhuma.

Isso porque Bolsonaro e Haddad têm os maiores índices de rejeição dentre os candidatos. Bolsonaro é repudiado por conta de sua posição a favor da do porte de armas, sua simpatia em relação a militares torturadores e suas declarações ofensivas contra mulheres, negros e homossexuais. Além disso, ele também é criticado por se apresentar como novidade, embora não tenha realizado quase nada em 27 anos de vida política (Bolsonaro está em seu sétimo mandato como deputado federal). Já Haddad tem um índice de rejeição de 46%. Acima de tudo, tal percentual foi herdado de Lula e do sentimento anti-PT que também tem forte peso nestas eleições.

Os próximos dias serão de extrema importância para a definição do pleito e de um eventual segundo turno. Porém, uma coisa parece certa: seja quem for o vencedor, herdará um país divido, de ânimos altamente voláteis, e necessitará de um grande empenho para obter apoio no Congresso que garanta a governabilidade em sua gestão.

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2 Opiniões

  1. Markut disse:

    A alta polarização,em torno do poder Executivo, e a desatenção em torno do futuro Legislativo, que,ao que tudo indica, representará uma malfadada troca de seis por meia dúzia, não é uma sinalização confortavel, para os próximos 4 anos.

  2. Eduardo Calixto disse:

    Exatamente isto.
    Estão de olhos nos presidenciáveis enquanto as raposas que comanda mesmo o show estão às escuras.
    Quero ver depois de eleito o presidente, como fará….

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