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o digital na arte

Um tilt nas artes plásticas

Artista constrói artefatos que atuam na margem do pictórico e do objeto tridimensional. A ideia surgiu através do mundo digital e traz a arte abstrata contemporânea num patamar diferente

Um tilt nas artes plásticas
obras dialogam com a op arte, o concretismo e a ilustração em 3D

Um senhor de cabeça branca anda pela exposição com as mãos cruzadas atrás. Depois de trocar olhares curiosos comigo, me aborda, puxando conversa. “Mas essa exposição é interessante, né? A gente olha de um lado, vê uma coisa; olha do outro, vê outra coisa”. Eu sorrio e aceno afirmativamente.

Robson Macedo não ouviu a contemplação do senhor, mas ficaria feliz. Dez minutos antes, ele me disse ter exatamente essa expectativa quando perguntei sobre a reação do público com seus quadros “Estou muito receptivo, querendo saber o que as pessoas acham. Eu acho que cada um vai ver as obras de uma forma, descobri-las de forma diferente. Tem que andar, ver de vários ângulos. E é assim que funciona na vida, você só conhece realmente uma coisa se olhar de vários ângulos.”

A exposição “Tilt”  foi inaugurada no Centro Cultural de Justiça Federal, e apresenta uma nova versão de Robson. Sua proposta tem a ver com trazer um trabalho digital, feito em 3D, para o mundo físico. Usando cores vibrantes, espelhos e sombras, o artista constrói um quadro em 3d real. Dependendo do ângulo observado, uma relação se estabelece; e se formos para lado oposto, é uma obra completamente diferente.

A ideia surgiu depois do convite para fazer uma exposição. Segundo ele, sua cabeça deu um “tilt” e depois da ideia ser concebida, em dez dias, ele tinha todos os quadros prontos. Tilt significava o travamento de máquinas, o que levou a criação da “tilt art”, onde imagens digitais são corrompidas, e do erro, surge uma nova fotografia, imprevisível.

Robson já trabalhava com o abstracionismo nas artes plásticas. Especialmente com curvas e muita cor, característica que continua presente em Tilt. Seu trabalho “de sustento”, como ele mesmo diz, é com ilustração 3D. Unindo as artes plásticas e o programa de ilustração, ele  começou a fazer modelos. “No computador é muito mais simples. Em questões de minutos temos um prédio inteiro. Os resultados ficaram ótimos no programa, mas quando tive que realmente fazer, lidar com pregos, madeira, foi trabalhoso”, explicou.

Apesar do trabalho, ele está satisfeito “Eu gosto do que é trabalhoso. Tudo que eu faço tem que dar trabalho”. Em seu trabalho é perceptível a relação com o concretismo e da op art. Lygia Clark foi citada por ele como uma influência. O artista tem outros projetos que seguem a mesma linha. Segundo ele, a temática é muito recente, e tem que ser pensada. “Tem toda a ideia de dualidade, perda de profundidade, ilusão de ótica e erro de leitura, quando seu cérebro não entende direito o que está acontecendo”. Um verdadeiro tilt.

A exposição acontece até o dia 17 de novembro, de terça à domingo, das 12 às 19h. O Centro Cultural de Justiça Federal localiza-e na Avenida Rio Branco, 241 Centro. Rio de Janeiro/RJ.

 

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2 Opiniões

  1. Iago disse:

    Muito bom!!

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    As vezes fico olhando as artes que aparecem e não acho arte, essa por exemplo é uma união de cores em quadrados só que o artista a apresentou então é dele a ideia fica muito aquém de Picasso e outros estas eram arte

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